Itaúna, 19 de junho de 2018

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10 de março de 2018 às 07h00 - Atualizado: 17 de março de 2018 às 10h20

Vestindo a carapuça

Em discurso na solenidade de inauguração de novas instalações no Hospital Manoel Gonçalves, na quinta-feira à noite, o prefeito Neider Moreira afirmou que está focado na meta e que quem está criticando não sabe o que está fazendo, não tem a mínima noção do que está acontecendo. Fez isso, após dizer que Itaúna vai viver em 2018 uma situação diferente do que viveu o ano passado, pois terá um “boom” de empregos, chegando a afirmar que serão abertas 1.000 vagas. Ele tem certa razão quando fala no boom de empregos e também quando diz que está focado na meta, pois segundo especialista em Ciências do Estado, um dos princípios básicos da gestão pública é atingir a meta. Porém, o nosso prefeito precisa entender que além de focar na meta, tem que ter como premissa a trajetória, que nesse caso, compreende manter os serviços essenciais em bom funcionamento, o que não vem ocorrendo até aqui.
Observei e concordo quando Neider engrandece Dona Cota e Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, colocando-os como os maiores beneméritos de Itaúna. O casal de fato é, pois preocuparam com os três pilares básicos na formação e sobrevivência do ser humano: a assistência social (Fundação Casa de Caridade e a Fundação São Vicente de Paula – Orfanato); a educação (Colégio Sant’Ana) e o trabalho (Cia. de Tecidos Santanense), como bem frisou o prefeito. Mas é preciso atentar para manter o maior legado do Manoelzinho, a Casa de Caridade, nosso único nosocômio. E as parcerias são as melhores alternativas, sejam elas com o poder público ou com a iniciativa privada, como já está provado.
Mas vamos à afirmativa: “estamos focados na meta. Quem está criticando não sabe nada, do que está falando. Não tem noção nenhuma do que está acontecendo”. Pois muito bem. Não sou homem de vestir carapuça, mas desta vez vou colocá-la, até porque, a alfinetada do Senhor Prefeito, foi, de forma muito evidente, para três pessoas presentes na solenidade, os vereadores Gláucia Santiago e Alexandre Campos e para este jornalista. Acho isso natural, e ele tem mesmo é que tentar explicar o inexplicável. Mas de uma coisa tenho a certeza. Sei o que estou criticando, pois, estou apenas sendo o interlocutor da população, que reclama diuturnamente dos serviços não prestados a contento, pelos quais ela paga e quer recebê-los, com qualidade e presteza. Quanto aos dois vereadores, acho que os mesmos estão fazendo o seu papel de fiscalizadores, legisladores e porque não, de opositores. Cada um tem o direito de pensar o que quiser, se expressar sobre o que achar não estar funcionando, e mais que isso, são representantes do povo, e este, está indignado. Democracia é isso.
Tenho a absoluta certeza que a cidade está na contramão do pensamento do prefeito. Ele pode estar focado na meta, que delinearam para ele em estudo encomendado em fundação em Belo Horizonte (não tenho certeza disso), mas é preciso que ele ouça também os principais interessados, o povo, o morador de Itaúna, que trafega pelas ruas cheias de buracos todos os dias, que é usuário do transporte coletivo, que é usuário do sistema de saúde pública, que tem filhos nas escolas públicas ou aquele que frequenta as escolas. É preciso discutir com os empresários melhores soluções para o desenvolvimento industrial e comercial. Enfim, é preciso “calçar a botina” e conhecer a cidade que ele está governando. Assim, após vestir a carapuça, o que tenho a dizer é que não se pode construir uma administração séria com mentiras. O povo já não aceita tapeação. E digo isso com muita segurança de estar sabendo o que estou criticando, pois conheço a cidade, seus cantos, encantos e desencantos. Por fim, gostaria de sugerir ao meu amigo Neider, então prefeito de Itaúna, a leitura do livro “As Cidades Invisíveis” do autor Ítalo Calvinno. Na história de Ítalo, Marco Polo, o viajante desbravador, conta ao imperador Kublai Kam sobre as cidades de seu próprio império, maravilhosas, fantasiando-as... O imperador, sem entender, responde a Marco Polo, essa cidade não está no meu império. Essa cidade não existe.
Meu amigo Neider, se preferir, Senhor prefeito, a cidade que Vossa Excelência está vendo, não existe. Pelo menos até aqui. E o sonhado IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de excelência, pretendido pelo seu governo, ficará apenas no sonho, se Vossa Excelência não acordar a tempo. Um 15º lugar no estado seria fantástico. É essa cidade que quero para envelhecer, como todos os itaunenses. Então, mãos à obra.