Itaúna, 19 de novembro de 2017

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21 de outubro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 28 de outubro de 2017 às 09h56

Uma promoção “Fantástica”

Mas com algumas ações simples, que só podem ser definidas como burrice

Essa semana após reunião de acertos múltiplos e divisão de responsabilidades, foi anunciada a decisão e programação da promoção de fim de ano da CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas, visando às compras de Natal e Réveillon. A Prefeitura se comprometeu participar, entrando com o apoio logístico na execução da decoração com a colocação de arandelas nas principais ruas do Centro e iluminação das árvores da Praça Dr. Augusto, assim como na montagem da casa do Papai Noel no coreto.
Como bem frisou o presidente da CDL, empresário Maurício Nazaré, a esse jornalista, Itaúna está precisando de uma notícia positiva e essa promoção soa positivamente, pois vai movimentar o comércio e oferecer aos consumidores itaunenses prêmios, dentre eles um carro 0 Km. Concordamos com Maurício. Estamos mesmo precisando, não somente de notícias positivas, mas de ações de fato positivas. E a promoção de fim de ano, pelo menos para os comerciantes, soa sim positiva, pois é uma tentativa de recompor os prejuízos dos últimos 10 meses. Segundo apurou esse articulista junto a alguns comerciantes, nesse ano, em apenas três meses a maioria operou com lucro, nos meses restantes se operou no vermelho, gastando o lucro de anos anteriores. Ou seja, uma promoção de peso, com divulgação continuada em todos os segmentos, será a salvação do comércio.
Mas nem só de promoções pode viver o comércio local, é preciso também trabalhar os preços, para que se tornem competitivos. Muitos itaunenses preferem encher o tanque de combustível e se deslocarem para os shoppings de BH, pois produtos como calçados, roupas, perfumes e acessórios, às vezes, são comprados até pela metade do preço encontrado em Itaúna, isso além de maior opção de modelos e marcas e para acompanhar, ainda têm as praças de alimentação. Então, além da “Promoção Fantástica”, é preciso muito mais para tirar o atraso dos últimos meses.
Somado a isso a cidade carece também de uma postura positiva da administração municipal, que precisa começar a trabalhar, sair de trás das cortinas e arregaçar as mangas a trabalhar, aprendendo, principalmente, a ouvir para errar menos. Mesmo que o prefeito e sua claque entendam e defendam que estão fazendo uma das melhores administrações que Itaúna já viu – eles acreditam nisso – faz-se necessário que a população tenha a sensação e saiba que há um planejamento para ações futuras e que os serviços estão funcionando a contento.
O nosso ilustre e bem intencionado prefeito (ele é bem intencionado, tenho a certeza disso) precisa descer do tamanco, ouvir mais e agir com eficácia, pois por mais que tente mostrar o contrário, não consegue alavancar a máquina pública em direção à resolutividade dos problemas do dia a dia. A propaganda é importante, mas precisa não ser enganosa, mentirosa, pois funciona de forma contrária. O caso das consultas anunciadas nas últimas semanas aos quatro ventos é um bom exemplo. Os agendamentos continuam, as filas persistem e isso faz com que a insatisfação aumente. Aí, na prática a propaganda não funciona. É preciso também planejamento nas mínimas coisas, essa semana, por exemplo, ao furar buracos para a colocação das arandelas para a decoração de natal, os funcionários os fizeram nos passeios, destruindo ladrilhos antigos e obstruindo as calçadas que já são estreitas para os pedestres. Poderiam ter furado os buracos rentes aos meios-fios, (como fazem em Pará de Minas) evitariam a destruição dos passeios e o xingamento de centenas de pessoas, testemunhados pela reportagem que foi chamada à Rua Antônio de Matos para fotografar o trabalho da prefeitura. O pior, eles não admitem críticas, a reportagem ao ligar para o vice-prefeito, que atua como secretário de infraestrutura, ouviu do mesmo que era para nós fazermos o que quiséssemos, (como se já não fizéssemos isso, por ser direito nosso) pois quem definiu o local da furação foi o secretário de Regulação Urbana, Paulo de Tarso, e que a sua secretaria estava apenas executando a furação. Ou seja, para furar alguns buracos, mobilizaram-se duas secretarias e algumas dezenas de funcionários. E, muito provavelmente, após dezembro, no raiar de 2018, nossos passeios estarão remendados com cimento grosso, pois dificilmente encontrarão ladrilhos iguais, a não ser que se pague caro para produzir apenas algumas dezenas dos mesmos. Aí, entra cotação de preço, burocracia e custo alto. Em resumo: não há outra definição: burrice. Ou talvez desprezo para com a coisa pública. Faz-se de qualquer jeito, afinal, é para o povo...