Itaúna, 18 de março de 2019

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15 de dezembro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 22 de dezembro de 2018 às 13h27

Uma lambança

Até que se prove o contrário...

O Artigo 9º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Artigo 5º, inciso 57, da Constituição Federal defi nem que: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Ou seja: “até que se prove o contrário, todo cidadão é inocente...”. É a dita presunção da inocência. Concordamos, mas o que assistimos nas últimas semanas, com destaque para esta, que termina hoje, em nossa cidade, é de assustar. Sabemos que no Brasil, desde o descobrimento, a corrupção sempre imperou, não só no meio político e no serviço público, mas em tudo que envolve compras, trocas e/ou interesses. E isto também sempre envolveu a maioria dos brasileiros, desde o mais simples até o mais preparado, com formação acadêmica e/ou endinheirado. Somos famosos por dar um jeitinho. É o famoso “jeitinho brasileiro”. Somos irresponsáveis. Este é o resumo. E a irresponsabilidade começa quando paramos em frente à urna eleitoral. Momento em que escolhemos nossos representantes, com ênfase para as escolhas municipais. A culpa de tudo que vimos e ouvimos no decorrer destes últimos dias, é exclusivamente nossa. E se tudo que aconteceu é vergonhoso, nojento, inconcebível e um atentado ao nosso bom senso, é porque agimos com irresponsabilidade ao votar e ao não acompanhar o que nossos representantes estão fazendo. É vergonhoso para a cidade ter que admitir que um bando de moleques esteja votando o Orçamento Municipal e votando as Leis que regem o nosso dia a dia. E junto aos 17 vereadores devem-se acrescentar os representantes do Executivo Municipal, que têm participação ativa em toda essa lambança. Não conseguimos defi nir os episódios que envolvem a eleição da Mesa Diretora da Câmara até aqui, a não ser com o adjetivo lambança. É natural que em uma disputa, os ânimos se afl orem, mas não se pode perder o controle. A verdade é que durante anos e anos os votos para a eleição da Mesa da Câmara foram comprados. E pelos dois lados do poder político municipal, isso desde a década de 80, pois antes o vereador em Itaúna não recebia salários e quem “mandava” na cidade era a Cia. Industrial Itaunense. Então eram eleitos os “colaboradores” e pronto. Da década de 80 para cá, o “toma-lá-da-cá” sempre existiu, mas não havia tecnologia de hoje, e tudo fi cava no disse me disse. Mas em tempos onde se cobra postura e ética dos representantes públicos, e em que se busca a depuração, não podemos admitir o que está ocorrendo. Está errado o vereador que propôs a compra do voto, como está, o que fez a gravação, porque ele também o fez com interesses políticos. Pensando em levar vantagem. Esta é a nossa opinião. Em todos os episódios que envolvem até aqui a eleição da Mesa Diretora da Câmara, todos os envolvidos estão errados. Desde o presidente da Casa, que forçou o entendimento jurídico na eleição anulada, o prefeito, que agora acusa os opositores de formarem uma “quadrilha”, mas que promoveu almoço em churrascaria na cidade de Contagem, e o restante dos vereadores. A partir daqui, as polícias, o Ministério Público e a Justiça precisam agir para, literalmente, colocar ordem na Casa do Povo. Mesmo que constitucionalmente tenha que observar a independência dos Poderes, uma resposta rápida, com uma decisão objetiva e que contemple a licitude do processo eleitoral democrático e sem artimanhas precisa vir à baila. O Legislativo, por meio da sua presidência e seus membros (os acusados, atores e autores das lambanças, da palhaçada e da falta de respeito para com o cidadão), dê uma resposta plausível e que convença a população de que ainda há um mínimo de seriedade por parte de seus representantes. E se estamos generalizando é porque todos deram algum motivo para tal desconfi ança. É lamentável que uma cidade que carrega o título de Educativa do Mundo, conferido pela UNESCO, e que bate no peito que tem uma Universidade criada na década de 60, fomentando a universalidade do conhecimento, tenha que se submeter a uma lambança dessas. Podemos estar enganados, mas, mesmo com a aquiescência das leis democráticas, que permitem a permanência no cargo, até que a Justiça defi na por cassação de mandato, entendemos que os políticos envolvidos neste lamaçal, terão o seu julgamento nas urnas de forma exemplar lá na frente, porque o cidadão, com a força do voto, pode e deve julgar, mas com responsabilidade e sabedoria. Para tanto, basta refl etir e olhar ao redor. Em Itaúna, nem ao redor é preciso olhar, basta abrir os olhos. Apenas isso. É uma lambança, e só há uma expressão a ser dita: PQP!!!