Itaúna, 19 de abril de 2019

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19 de janeiro de 2019 às 07h00 - Atualizado: 26 de janeiro de 2019 às 09h58

Um problema social

A situação é de uma gravidade sem proporções. E precisa de ação imediata, com envolvimento de todas as autoridades dos poderes constituídos: Executivo, Judiciário e Legislativo, além do Ministério Público e das instituições filantrópicas afins. Os moradores de rua que se proliferam dia a dia nos logradouros públicos do centro da cidade, são os principais causadores do problema social que se agrava e incomoda toda a população. É preciso atitude urgente dos responsáveis, que, em nossa opinião, são a sociedade num todo. A responsabilidade de lidar com o que denominamos “problema social” é de todo mundo, inclusive do cidadão comum.
Na semana passada o secretário municipal de Assistência Social, o médico Élvio Marques, divulgou um diagnóstico que levantou números, situação familiar, condições físicas e psicológicas e origem dos moradores de rua em Itaúna. E esta semana divulgou ações que pretende colocar em prática para amenizar a situação do drama destas pessoas e do cidadão itaunense que está incomodado, pois, ao precisar transitar pelas ruas e praças é constantemente importunado, achacado, xingado e desrespeitado pelos que habitam as ruas e se acham os donos delas. Élvio, acompanhado do secretário de regulação Urbana, Paulo de Tarso, até que tentou dar uma solução no caso da Praça Dr. Augusto Gonçalves, na quarta-feira, dia 16. Com cobertura de policiais, pediram a retirada dos moradores e pedintes do gramado embaixo da árvore de Jatobá, onde além de colchões, até uma barraca de lona já tinham erguido. Os homens se retiraram, mas foram para o espaço de jogos que fica atrás da Banca de Revistas e para a marquise do prédio onde está instalada a loja Cabloca, ali estão dormindo, acompanhados dos cachorros de rua.
O tema já virou motivo de discussão em grupos, e é complexo, de difícil solução. A retirada brusca dos moradores e pedintes das ruas não é permitida por lei. Oferecer passagens para que vão para as suas cidades de origem não resolve o problema. Aí entram os programas e os tratamentos de saúde oferecidos pelo Poder Público, o que depende da vontade do indigente. Na maioria das vezes, os mesmos não querem o tratamento e sequer admitem fazer uma avaliação psicológica. E somados aos problemas que motivam a ida das pessoas para a rua está o problema das drogas e do consumo de álcool, vícios comuns a quase toda a população de rua.
A polêmica então vem à tona, exatamente por isso, pois os cidadãos que pagam imposto, querem que o governo exerça o seu papel, oferecendo tratamentos, acompanhamento psicológico e fazendo monitoramento da população de rua e dos drogados, possibilitando a reinserção dos mesmos à sociedade. Mas não é uma tarefa fácil, porque é preciso primeiro ter a aquiescência do doente (se é que podemos denominá-los doentes). Como trabalhar isto? Concordamos que é preciso oferecer a assistência necessária através dos meios que os governos municipais, estaduais e federal, dispõem, com clínicas terceirizadas para o internamento, instituições filantrópicas apoiadas por meio de subvenções, através de atendimento psicológico no CRAS e outros meios de assistência, como a doação de remédios. Mas isso não resolve a situação que atinge diretamente o cidadão comum, que está convivendo com os pedidos de esmola, com os xingamentos e até mesmo com as ameaças dos pedintes. É preciso uma ação mais ostensiva para que estas pessoas sejam encaminhadas para as suas cidades, para serem tratadas lá. Faz-se necessário uma vigilância de 24 horas nas principais praças para que as pessoas não fiquem à vontade e transformem os locais públicos em moradia. Faz-se necessário que a Polícia Militar seja parceira e coíba os abusos dos mesmos, como ameaçar, quando o cidadão se recusa a ajudar com dinheiro.
Reconhecemos que o trabalho de levantamento, diagnóstico e ampliação dos serviços é importante para que se busque uma resolução em longo prazo, mas o caso urge, e uma atitude contundente do Poder Público precisa ser tomada antes que alguém seja vítima de roubo, agressão e até mesmo estupro em plena Praça Dr. Augusto Gonçalves, que já foi nosso cartão postal. É lamentável, por exemplo, que não possamos mais ter a fonte luminosa funcionando porque os “vagabundos” a transformaram em banheiro público e saíam dela pelados, num atentado ao pudor. Já não se pode mais sentar com a família nos “banquinhos da praça, para tomar à fresca...”, porque os moradores de rua, pedintes, vagabundos, drogados e/ou hippies, pois alguns se intitulam assim, se apoderaram do nosso Cartão Postal. É preciso atitude. E fica o aviso: vai acontecer algo mais grave em plena Praça com o cidadão de bem, e não vai demorar. E não se esqueçam, ainda tem outro problema que necessita solução rápida: os cachorros de rua, que também dividem o espaço com os outros moradores e estão atacando as pessoas à noite. Concordamos que os moradores de rua se tornaram um problema social, e que não é privilegio de Itaúna. Mas é preciso solução. Levantamento e diagnóstico não os tiram da Praça.