Itaúna, 19 de novembro de 2017

Cadastro

28 de outubro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 11 de novembro de 2017 às 10h15

Terceirização do SAAE. Será?

Chega-nos a notícia, extraoficial, de que nos domínios da Autarquia Municipal SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto –, existem comentários de bastidores de que uma possível terceirização estaria sendo arquitetada pela administração municipal. Sinceramente, preferimos acreditar que são apenas comentários, mas por outro lado, é fato que uma empresa do setor chamada “Água Brasil”, está atuando dentro da autarquia, fazendo levantamentos, medições e etc. Ninguém sabe explicar o porquê e para quê são esses levantamentos que estão sendo feitos. Daí, as especulações em torno da possível terceirização.

Verdade ou não, é preciso salientar que o SAAE é um dos poucos órgãos públicos do município que atua com eficiência desde que foi fundado. Responsável pela captação, tratamento e distribuição de água na cidade, além do esgoto e agora, de três anos para cá, também responsável pelo recolhimento e destinação do lixo, desde 2015. O SAAE foi criado em 1964, ficou um período sob a responsabilidade federal, com a Fundação SESP e municipalizado novamente pelo ex-prefeito Osmando no seu primeiro mandato em 1990. Desde então a autarquia é sinônimo de bons serviços, oferecendo água de boa qualidade e presteza nos serviços de captação e destinação do esgoto.

É sabido que os problemas enfrentados por uma infinidade de cidades mineiras com a Copasa, vêm motivando a terceirização ou a criação de Saaes. A vizinha cidade de Pará de Minas, depois de sofrer com a Copasa, resolveu terceirizar os serviços. Mas em Itaúna a situação é diferente e uma terceirização não se justifica, pois a autarquia é sinônimo de bons serviços prestados. Sempre foi. Conversando com pessoas que conhecem o funcionamento do SAAE, obtivemos a informação de que há cerca de 4 anos a Copasa teria oferecido R$ 80 milhões para encampar o SAAE. Uma cifra considerável e que serviria para alavancar projetos importantes para a cidade, principalmente na área da infraestrutura urbana. E se a Copasa, ofereceu esse montante, uma empresa privada, ofereceria muito mais, quem sabe o dobro para obter os serviços.

Diante destes boatos, e levando-se em conta que ‘onde há fumaça tem fogo’, é bom o alerta para a possibilidade de um processo de terceirização do SAAE ser colocado na pauta da administração do Senhor Neider Moreira. Um vereador, ao ser questionado se haveria essa possibilidade por parte do nosso prefeito, respondeu prontamente: “acho que ele tem peito para isso, por dois motivos: com mais de 120 milhões de reais nos cofres, ele faria a melhor administração que Itaúna já viu. O seu sonho. E de quebra, ainda ficaria mais rico”. Após ouvir a resposta, nos veio a conclusão de que o vereador está coberto de razão e os riscos da terceirização ser implementada é de fato muito grande.

Mas por outro lado, ainda há no meio destas possíveis pretensões do chefe do Executivo a autorização da Câmara. Os vereadores precisam ser convencidos que o melhor caminho é a terceirização da autarquia. Como fazer isso ainda não sabemos, mas, num primeiro momento, achamos que a resistência dos vereadores seria imediata, porém, são milhões em jogo e isso, num pais onde tudo se resolve na base da distribuição de dinheiro, é fácil resolver. Mas, além disso, há ainda a pressão popular, e essa é a mais importante barreira a ser transposta quando o assunto é mexer na coisa pública de forma radical. O fato é que o SAAE é uma das mais importantes realizações do setor público municipal dos últimos 30 anos e em “time que está ganhando não se mexe”. Então não há motivos para uma terceirização, pelo menos nos próximos 20 ou 30 anos. E tem mais, aquela velha máxima dita pelo nosso amigo Zé, “Itaúna não deu um pinto pra galo e nem um leitão pra cachaço”. Então...