Itaúna, 21 de fevereiro de 2019

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02 de fevereiro de 2019 às 07h00 - Atualizado: 02 de fevereiro de 2019 às 10h57

CRIME AMBIENTAL

Rompimento de barragem afeta toda a região

Águas do Paraopeba estão contaminadas e problema pode causar desabastecimento de hortaliças

Os problemas ocasionados pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, são maiores que os já levantados até o momento, com muitas mortes e prejuízos econômicos às famílias do entorno. A economia do Estado de Minas Gerais deverá ser duramente atingida com a paralisação da operação de outras minas da empresa, assim como o fechamento de cerca de 5 mil postos de trabalho, inicialmente. Mas não ficam aí os problemas. Na manhã da quinta-feira, 31, o Governo do Estado divulgou “Nota Oficial” em que comunica a contaminação das águas do Rio Paraopeba, com volume total de chumbo e mercúrio, 21 vezes acima do permitido, além da presença de outros metais pesados. Os resultados estão em análise divulgada no site da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SEMAD (www.meioambiente.mg.gov.br).
Com a constatação da contaminação das águas, as autoridades afirmam que “por segurança à população, não indicam a utilização da água bruta do Rio Paraopeba para qualquer finalidade, até que a situação seja normalizada. Deve ser respeitada uma área de 100 metros das margens”. E esclarece ainda que “o contato eventual não causa risco de morte”. Também determina aos militares dos Bombeiros que atuam nos trabalhos de salvamento, que “utilizem todos os equipamentos de segurança”. Todos esses cuidados reforçam informações (desmentidas pela empresa) de que o elemento químico Césio, pode ter contaminado as águas do Paraopeba.
O comunicado do Estado informa ainda que “qualquer pessoa que tenha tido contato com a água bruta do Rio Paraopeba – após a chegada da pluma de rejeitos – ou ingerido alimentos que também tiveram esse contato, e apresentar náuseas, vômitos, coceira, diarreia, tonteira, ou outros sintomas, deve procurar a unidade de saúde mais próxima e informar sobre esse contato”. E observa que a orientação é aplicada à população que esteja na área que compreende “desde a confluência do Rio Paraopeba com o Córrego Ferro-Carvão até Pará de Minas”. E comclui que “no município de Pará de Minas há um outro manancial que serve de alternativa para o abastecimento da cidade”.

Produção de hortaliças deve ser atingida

Os municípios que se localizam às margens do Rio Paraopeba, na área conhecida como “Cinturão Verde” da Região Metropolitana de Belo Horizonte, são grandes produtores de hortaliças que abastecem o mercado mineiro, através da Ceasa. Com a contaminação das águas do rio, certamente nas próximas semanas vai começar a faltar esse produto nas mesas dos mineiros, sendo esse outro setor que sofre com o crime ambiental do rompimento da barragem de Brumadinho.
Cidades às margens do Paraopeba, que captam água naquele rio para abastecer a população, como Pará de Minas, também estão enfrentando problemas. O SAAE de Itaúna já se colocou de prontidão e já está socorrendo a vizinha Pará de Minas, mais uma vez. Outras cidades que podem ser atingidas são Juatuba e Mateus Leme.