Itaúna, 21 de setembro de 2018

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23 de junho de 2018 às 07h00 - Atualizado: 30 de junho de 2018 às 09h50

Republiqueta de “meia dúzia”

As atitudes, decisões controversas, posicionamentos não convincentes e principalmente o descaso para com a população, que está sendo relegada a terceiro plano, fazem desta administração que aí está um caso para estudo. Em um momento onde o que deveria ser observado era o bem estar da população, opta-se por privilegiar empresas. Esse é o caso, por exemplo, do aumento da passagem do transporte coletivo, considerado abusivo e que vem sendo rechaçado por grande parcela da população, que depende deste transporte diariamente, inclui-se aí o empregador que, para cumprir a lei, tem que pagar o transporte do funcionário. A administração municipal sequer veio a público para justificar tecnicamente o aumento de 10%, em uma inflação apurada de 3,4%, pelo contrário, instruiu o vereador líder do prefeito a “matar” qualquer iniciativa em prol da suspensão do aumento da tarifa. Se junta a isso a construção anunciada da sede do Creas no bairro de Lourdes em uma praça pública, que é a única da comunidade. A decisão foi tomada sem nenhuma consulta à população do bairro que se posicionou contrária à construção do prédio, que vai atender dependentes químicos e que já tinha local previsto para construção desde a administração passada. Seria no bairro Santa Edwiges. Em nossa opinião, uma região mais adequada para a finalidade do serviço prestado. Para completar a série de decisões “abiloladas”, publicou-se no Jornal Oficial decisão em que se transfere o prédio do Conselho Comunitário do Conjunto habitacional Dr. Vitor Gonçalves (Reta de Santanense) para um senhor, um pastor, que detém o comando de uma associação de cunho privado. A justificativa é a de que o tal pastor vai servir almoços e jantares para pessoas necessitadas. Cabe deixar bem claro que as duas decisões, a da construção na praça do bairro de Lourdes e a destinação do prédio na Reta de Santanense, foram do secretário Élvio Marques, e, é claro, devem ter o aval do senhor prefeito.
Fazer caridade com a coisa pública é fácil. Se o tal pastor, que tem pendenga, ou pelo menos já teve, com o município por suposta invasão de terreno público, quer praticar boas ações, que sirva “sopões”, almoços e jantares na porta de sua casa. Essa é a nossa opinião. E se o município acha que a filantropia dele é importante, que discuta isso com os vereadores e com a comunidade num todo. As decisões unilaterais têm sido uma constante nessa administração e isso tem trazido descontentamento. Itaúna tem um albergue e mesmo assim nossa principal praça, a Dr. Augusto, virou dormitório, e os responsáveis pela assistência social não fazem nada. Mas estão preocupados em atender questões particulares, como a do pastor. Será algum compromisso político?
Outra coisa, na reunião da Câmara da terça-feira, além da questão do aumento da passagem, outra discussão veio à tona, a inércia administrativa quando o assunto são os recursos públicos que estão sendo perdidos pelo município, por opção ou por incompetência ou mesmo por posição política. Os vereadores, inclusive aliados do prefeito, estão claramente insatisfeitos com a inércia administrativa, que não consegue fazer os projetos para que as emendas parlamentares e outros recursos destinados por deputados ligados a vereadores cheguem à cidade. Gláucia Santiago, Antônio da Lua, Antônio de Miranda, dentre outros, reclamam que os prazos estão expirados e, pelos cálculos, mais de 1 milhão de reais já foram perdidos. Que não há dinheiro sobrando todos sabemos, mas não há justificativa plausível para se recusar recursos públicos federais e estaduais para infraestrutura urbana, esporte, dentre outros... A justificativa do secretário de Esportes, Gustavo Barbosa, por exemplo, para recusar uma verba de quase R$ 300 mil do governo federal, proveniente de emenda do deputado Domingos Sávio, é ridícula. Medo de fazer eventos? Ora, evento não quer dizer shows. Não tente justificar o injustificável. Estamos perdendo recursos para formação esportiva de crianças, e se temos escolinhas funcionando bem, que funcionem melhor, com mais recursos, mais material esportivo e eventos para abertura de competições. Qual o problema? Medo da prestação de contas? Edital confuso? Desculpa sabe de quê, né? Será que estão selecionando os deputados que podem direcionar emendas para a cidade? Ou é incompetência mesmo? Mas pode ser preguiça também. Sejam quais forem os motivos, são inadmissíveis. A cidade está estagnada, não há esforços para investimentos, as ruas estão uma lástima, os serviços essenciais funcionam, mas capengam, e fica evidenciado que há uma disputa interna que não deixa a administração fluir.
E é esse o problema, em nossa opinião, criado e enfrentado pelo prefeito Neider. O prefeito montou uma equipe que não consegue mostrar eficiência, competência e dedicação. E os acordos políticos são os responsáveis por essa panaceia que aí está. O prefeito, acomodado, dando mostras de que está com “o saco cheio”, parece que ligou o botão do... e está deixando o barco correr para o tempo passar. Enquanto isso, uma disputa política interna fica visível. Podemos afirmar que a administração neidista tem pelo menos seis pessoas em cargos de primeiro escalão que disputam espaço para garantir o nome entre os que podem se credenciar para se candidatar a prefeito ou, no mínimo, a vice. E o interessante é que o prefeito está “criando cobras”. Há uma disputa surda dentro da Prefeitura. Isso está evidente. E entre os que disputam, tem personalidade para todos os gostos, tem abilolados, preguiçosos, espertos e indiferentes. Assim, está instalada no então prédio da Dr. Augusto, e vai aportar na Jove Soares, uma republiqueta de meia dúzia. E o povo, Óóóóóó!!!