Itaúna, 19 de maio de 2019

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16 de fevereiro de 2019 às 07h00 - Atualizado: 23 de fevereiro de 2019 às 11h39

CRISE NA SAÚDE/HOSPITAL

Repasses atrasados afetam serviços no Manoel Gonçalves

A retenção de recursos dos municípios por parte do Estado, que continuam com o novo governo, está afetando várias áreas das cidades em todo o estado, e em Itaúna o caso mais complicado é na saúde, já que está afetando os serviços do Plantão 24 Horas e da clínica de hemodiálise, principalmente. Para buscar uma solução, estava programada uma assembleia do Conselho de Provedores da Casa de Caridade, mantenedora do Hospital, na terça-feira, dia 19. Ontem à tarde, por volta das 16 horas, a reunião foi suspensa pela Provedoria. Segundo apurou a reportagem, os dois temas seriam debatidos na reunião, com a possibilidade de a direção do Hospital propor a devolução da administração do Plantão 24H para a prefeitura. Já no caso da hemodiálise, o caminho pode ser o inverso, com o hospital assumindo o serviço.
Em relação ao Plantão 24H, estavam atrasados os repasses de R$ 1.250.000,00 e a Prefeitura fez o repasse de R$ 500 mil, na terça-feira, 12, restando R$ 750 mil de atraso. Na sexta-feira, 15, ontem, venceu outra parcela de R$ 250 mil e o atraso passou a ser de R$ 1 milhão. Também, conforme a provedora Marilda Chaves, existe a necessidade de se atualizar o contrato com o Hospital para a manutenção do serviço do Plantão, que está vencido desde outubro. Neste caso deve ser pedido reajuste nos valores que hoje estão em R$ 1 milhão/mês. Marilda Chaves também cobra mais interação do prefeito com a direção do Hospital: “(o prefeito) tem que aceitar conversar, tem que conversar, o que ele não tem feito”, disse. Esta seria a maneira de se resolver a situação, na opinião da provedora.

Hemodiálise: problemas se avolumam e a saída é Hospital assumir

O problema dos repasses retidos, somados à falta de atualização da tabela do SUS, tem obrigado a empresa responsável pelo serviço a buscar saída em financiamentos bancários, conforme informações obtidas pela reportagem. E a situação chegou a um momento em que para a empresa (Renalcenter) não dá mais para prosseguir. Assim, os funcionários já estão em situação de “aviso prévio”, que vence no dia 10 de abril. O contrato de parceria da Renalcenter com o Hospital vence no dia 17 do mesmo mês e ainda há uma recomendação do MP para que sejam revistos os termos do contrato, que estariam causando prejuízos ao Hospital, na visão do representante do órgão, promotor Daniel Batista Mendes, que assinou o documento.
Falando à reportagem, o promotor afirmou que aguarda uma posição da Provedoria da Casa de Caridade para voltar ao tema. Na recomendação o promotor aponta vários itens do contrato de parceria que estariam causando prejuízo ao Hospital. Em um trecho do documento é colocado repasse de recursos à empresa em torno de R$ 1,5 milhão, sendo que deste total a entidade recebeu pouco mais de R$ 30 mil. A FOLHA obteve informações de que, se o Hospital assumir os serviços, os impostos que a empresa paga mensalmente, cerca de R$ 30 mil, somente com INSS, deixam de ser cobrados, o que daria um ganho anual de mais de R$ 360 mil para a Casa de Caridade, o que pode ser um bom negócio para a instituição.