Itaúna, 26 de abril de 2018

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24 de março de 2018 às 07h00 - Atualizado: 07 de abril de 2018 às 10h04

Preocupante. “Itaúna grita por socorro”

Na terça-feira, 20, na reunião ordinária da Câmara Municipal, no expediente denominado “Tribuna Livre”, uma jovem chamou a atenção para um problema que está na frente de todos, mas que passa despercebido, ou pelo menos não é olhado com a atenção devida, pelo poder público municipal. Uma jovem, visivelmente emocionada, por não ter forças para combater uma doença que leva à morte, e que tem índices alarmantes e que não são levados a sério pelas autoridades responsáveis pelo setor de saúde pública, e nem pela sociedade num todo, pediu socorro, clamou por atenção dos setores de saúde. A jovem Jennifer Paloma Vilaça Diniz, em 10 minutos, de posse de um diagnóstico, mostrou com propriedade que a depressão mata. E tem matado muito em Itaúna, muito mais que em outros municípios brasileiros. E que o tabu criado em torno do assunto, só faz piorar a falta de conhecimento, fazendo com que as pessoas se tornem ainda mais preconceituosas. Em sua fala, além de mostrar a gravidade da situação, a jovem cobra do prefeito, que é médico, uma postura de sensibilidade profissional e pede investimentos na prevenção e acolhimento dos que sofrem do mal, que ela considera ser o mau do século.
A moça citou em seus levantamentos, que tomou conhecimento que profissionais como psicólogos já estiveram em Itaúna procurando soluções para os problemas provocados pela depressão, mas que suas pesquisas e ideias foram e são sempre engavetadas. A jovem Jennifer acredita que se os deprimidos tivessem uma assistência social e fossem encaminhados para um detalhamento do caso para tratamento ambulatorial constante, as tentativas de suicídio não mais ocorreriam e muitas pessoas teriam sido, e ainda podem ser salvos. A jovem afirmou que o atendimento no CAPS é pouco eficaz, muito superficial, nada abrangente e nem um pouco acolhedor. E para piorar, citou que, este mês, foi informada de que não haveria mais atendimento para os casos de depressão com os psicólogos. Citou que mesmo assim, compareceu ao local para uma consulta com um psiquiatra, pois a consulta já estava marcada, e o funcionário público, no caso o psiquiatra, simplesmente não compareceu. E firmou que isso sempre acontece. Portanto, um absurdo.
Com propriedade, além de cobrar do município, Jennifer, questionou a falta de envolvimento da “nossa Universidade de Itaúna”, que poderia investir em programas sociais em parceria com o município. Mas, o que ela não sabe, é que o mais importante patrimônio do cidadão itaunense, tem dono, e não vai fazer nada para o coletivo. A jovem cobrou também a criação de um plano para a prevenção, citando a criação de um “centro de valorização da vida”. Segundo ela, em menos de seis meses a cidade perdeu seis pessoas para a depressão. Foram seis suicídios, e como bem ela frisou, foram filhos, pais, amigos, companheiros, tios, primos e colegas de trabalho. Ela fechou sua fala, aos prantos, perguntando: “o que poderá ser feito em nossa cidade para podermos sair dessa posição do ranking? Pois já sabemos que estes índices estão ultrapassados e Itaúna não está mais em 8º lugar, mas sim, poderá estar dentre as cinco cidades com maior índice de suicídio do Brasil”. Levado em consideração, evidentemente, o número de habitantes.
O secretário de Saúde e o de Assistência Social, em reportagens em jornais da cidade no ano passado declararam que era preciso propor melhores ações políticas para o setor. Ficou somente nas publicações. A realidade é que Itaúna está entre as 20 cidades brasileiras com coeficiente de suicídio muito alto e entre as três de Minas Gerais, conforme dados do Ministério da Saúde. E isso é o suficiente para que sejam estabelecidos programas específicos, para o atendimento psicológico e psiquiátrico contínuo nas unidades de saúde, além de acompanhamento medicamentoso. Outra determinação, que consideramos absurda ao tomarmos conhecimento, foi a de que as pessoas depressivas e ou com problemas psiquiátricos que procuram os ambulatórios não podem ter receitas prescritas pelos psicólogos e, ou psiquiatras, (isso quando esses profissionais são encontrados nos locais de trabalho), porque apenas os dependentes químicos podem ter medicamentos prescritos. Ou seja, se você é um ex-dependente, não pode ter tratamento medicamentoso, se o quer, tem que voltar a se drogar. Se verdade, e achamos que seja, é de um absurdo sem precedentes.
Enfim, a jovem Jennifer, que se mostrou fragilizada na tribuna da Câmara, diante da falta de perspectiva para o tratamento, mostrou que a saúde em Itaúna não está como pintou o senhor prefeito em discurso em inauguração no Hospital Manoel Gonçalves. Ele disse que a realidade da saúde em Itaúna é outra, sem problemas, porque as queixas cessaram. Não é verdade, as reclamações no Plantão continuam, nos PSFs e nos CAPS. Estão ‘tampando o sol com peneira’ e é preciso criar políticas públicas palpáveis e concretas. Itaúna não pode figurar em posição de destaque em um ranking em que aponta jovens se matando por que são depressivos e, ou tem outros tipos de distúrbios mentais, por falta de uma política pública de saúde mental. É vergonhoso. Mas, mais vergonhoso ainda, é ouvir os homens públicos mentir, ao afirmarem que ações estão sendo feitas em toda a área da saúde e da assistência social. É mais uma mentira. Naturalmente.