Itaúna, 23 de outubro de 2017

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08 de abril de 2016 às 20h37

Políticos enlameados

A ciranda do financiamento de campanha

A delação premiada dos dirigentes e executivos da segunda maior empreiteira do país acabou de expor o que já havia sido começado com outras delações dos envolvidos no lamaçal que virou o meio político em nosso país. Aliás, não virou, a lama sempre esteve presente no meio, desde o império e tenho convicção que após a instalação da república piorou e vem em estado de degradação até os dias de hoje, quando se conclui que poucos serão os “limpos”, após a devassa em andamento pela a operação denominada Lava Jato. Há duas semanas afirmei que é preciso passar o Brasil a limpo e isso vai acontecer porque os acontecimentos sequenciais indicam que não há alternativa. Não sobrarão pedras sobre pedras com o andamento das investigações que já deixam vestígios de que toda a classe política brasileira está com lama até o pescoço.
Após o vazamento do conteúdo dos depoimentos dessa semana, pela primeira vez vem à tona o esquema de propina para abastecimento de campanhas políticas no Brasil. Na verdade veio à tona para todo o país, pois no meio político isso é de conhecimento de todos. O esquema de arrecadação de fundos é barganhado entre candidato e empresas interessadas em trabalhar para o poder público há anos, décadas e séculos. Não é novidade e não está concentrado nas campanhas majoritárias para presidente. Nos estados e municípios o propinoduto, como está sendo chamado o esquema de abastecimento de campanha, funciona do mesmo modo. É o toma lá e dá cá bancado pelos cofres públicos.
O problema só está vindo à tona porque se avolumou e atingiu proporções bilionárias e a sangria aos cofres de empresas governamentais e estatais chegaram a cifras que colocaram em risco a sobrevivência das mesmas, caso da Petrobrás. O mensalão mineiro mostrou o que aconteceu nos bastidores das campanhas ao governo do Estado nas décadas de 90. E se a Lava Jato, após lavar os palácios de Brasília, seguir rumo aos estados e municípios, corre-se o risco de não sobrar um político sequer com as mãos limpas. E incluo aí Itaúna, dos anos 80 até a atualidade, passando por candidatos a vereador, prefeito e deputados.
É mesmo preciso passar a limpo os sistemas eleitorais e de prestação de contas que permitem barganhas e contém brechas para que os candidatos e seus comitês façam malabarismo com o dinheiro arrecado, nem sempre de forma legal e também gasto de forma não muito “benta”. Mais importante e necessário é que seja mudado o sistema de financiamento de campanha. Particularmente defendo o financiamento público, como defendo uma reforma eleitoral total. A jogatina com o dinheiro vindo de empresas públicas por meio de desvios, propinas – denominem como quiserem – tem que ser contidos para que não continue a sangria e muitos se beneficiem, construindo riquezas à custa dos mais pobres, que são os que têm os impostos retidos na fonte e não veem o retorno em forma de obras e benefícios sociais. O discurso do Partido dos Trabalhadores, de que é preciso tirar dos ricos para dar aos pobres, caiu no descrédito e a política de sustentar os menos favorecidos por meio de programas como o Bolsa Família, dentre outros populistas, precisa ser revista. Sua aplicação não pode ser com a motivação de que se tem de distribuir renda. Até concordo com a distribuição da renda, mas galgada no crescimento do país de forma sustentável. É preciso varrer o lixo político, mesmo que para isso tenhamos de nos enfrentar nas ruas.