Itaúna, 24 de outubro de 2017

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15 de abril de 2017 às 07h00 - Atualizado: 29 de abril de 2017 às 10h22

Perdido entre Artigos e interpretações e 100 dias de rotina

A semana foi marcada por dois fatos no meio administrativo e político da cidade. O prefeito Neider fez solenidade no teatro Sílvio de Matos para anunciar os feitos nos 100 dias de governo e com o teatro lotado de ocupantes de cargos de confiança falou do futuro, das propostas e evidentemente dos sonhos... Mais dos sonhos. Voltamos ao assunto. Na Câmara o Senhor Pinto, deu mostra de que está, como diriam no popular “mais perdido do que cego em tiroteio” e está trocando alhos por bugalhos, conforme conveniência sua e do chefe do Executivo, a quem serve. A mostra dessa situação que já vinha ganhando contornos nos últimos 60 dias ficou evidenciada na condução da votação do polêmico projeto que legitima os atos do Executivo na realização do carnaval, para tentar evitar uma provável Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público, que em nossa opinião, com a aprovação ou não do projeto, vai ser proposta e o prefeito sabe disso, ele está tentando simplesmente com o aval da Câmara, dividir responsabilidades e afirmar depois que não cometeu nenhum ato que não tivesse o apoio dos vereadores. Em resumo, está dividindo as responsabilidades, por ter “peitado” o promotor, que aconselhou a não realização da festa nos moldes propostos e então realizados. Mas o que mais chamou a atenção dos presentes, dos vereadores mais experientes e da imprensa que conhece os procedimentos regimentais, foi a condução dos trabalhos, desde o início da sessão e até mesmo antes, pela presidência da Mesa. Primeiro, o vereador Senhor Pinto, atrasou a reunião, conversou com vereadores, fez propostas, argumentou e depois, para os pareceres de emenda proposta, paralisou a sessão por muito mais tempo que o necessário. Nas discussões, ao se ver “espremido” pelos vereadores mais experientes que fizeram questionamentos contundentes e embasados no Regimento Interno, o Senhor presidente Pinto, não teve alternativa a não ser exercer o Poder de forma, diríamos, até ditatorial para tentar conseguir manter o controle do plenário, que mostrava a irritação dos vereadores com a postura do presidente da Casa de Leis, que chegou a afirmar após questionamentos do vereador Alexandre Campos que a decisão seria da Mesa, quando estava em pauta o que rezava um dos Artigos do Regimento Interno, questionado pela vereadora Gláucia Santiago, de forma contundente. O presidente chegou a afirmar que o Regimento Interno tem vários Artigos que propiciam interpretações dúbias e que nesse caso a Mesa decide. Falácia, o Regimento tem alguns problemas, é verdade, mas essa de interpretação dúbia é uma tentativa de justificativa para conseguir emplacar suas posições a qualquer custo. A coisa não está boa, o clima na Câmara é dos piores e isso é perceptível, e o pior, o prefeito está prestes a perder a sua maioria, e isso ficou visível na votação do projeto do carnaval, com um empate em 7 a 7, decidido favorável pelo voto minerva do presidente neidista, Senhor Pinto. Estavam ausentes o vereador Antônio Da Lua e o Iago, o Pranchana Jack. O primeiro, insatisfeito com o prefeito, estaria de atestado médico e o segundo, ainda “verde”, pode ter sido ‘convencido’ a não comparecer. Podemos até estar enganados, mas devido à postura do senhor Pinto o projeto aprovado em regime de urgência, vai ter a sua aprovação cancelada por meio de mandado de segurança que será impetrado e muito provavelmente concedido. Vamos aguardar os próximos capítulos.
Quanto aos 100 dias, o que temos a dizer é que o prefeito deveria é ter evitado mais críticas, inclusive vindas de alguns servidores e apenas registrado em release as ações dos 100 dias. Isso porque as ações são até aqui, nada mais que cumprimento de obrigações assumidas. Mas é verdade que algumas delas merecem ser aplaudidas, como na área da saúde, com a contratação de médicos especialistas e ampliação de atendimentos. Mas há problemas para resolver como o do Pronto Socorro no Hospital, que continua funcionando com muitos problemas. O carnaval foi muito bom, mais organizado, mas foi feito em formato que contempla a elite e esquece as minorias. As ações na Ação Social, se existem, não estão tendo eficácia, pois, as ruas e praças estão lotadas de mendigos e andarilhos, dormindo, inclusive montando barracas nos jardins (caso da nossa principal Praça). Na infraestrutura, os asfaltos feitos, tiveram recursos de verbas parlamentares conseguidas por vereadores e as outras ações não passam de obrigação peculiar. Na regulação urbana as queixas são de que a construção civil está travada porque não se consegue aprovar projetos e isso gera desemprego e queda na arrecadação. Então, o nosso prefeito, que é muito bem intencionado, inteligente e tem experiência política, mas tem uma das piores equipes de governo já montada desde 1960, já deveria ter colocado em prática essas suas virtudes, antes que não consiga mais fazer o seu governo decolar e perca o bonde da história.