Itaúna, 19 de novembro de 2018

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27 de outubro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 03 de novembro de 2018 às 11h06

O Direito de Resposta e a “banda podre”

“Um imbecil pode, por si só, levantar dez vezes mais problemas que dez sábios juntos não conseguiriam resolver. (Lenin)”

A manifestação do pensamento, por si só, é um complicador quando o assunto é a interpretação. Quem expressa seu pensamento publicamente acaba provocando a interpretação do leitor, que pode não ser a mesma pretendida pelo autor. E isso pode causar boatos, reações e até mesmo o entendimento de que a manifestação foi injusta, agressiva ou ignorou aspectos que pretendia o leitor ver expressado. Além da manifestação do pensamento, o jornalista, quase sempre, se vê entre os interesses políticos e de classe, de alguns que só conseguem olhar para o próprio umbigo. E foi isso que ocorreu com o autor destas linhas esta semana. Na edição anterior, do dia 20 de outubro, publicamos matéria sobre a pontuação de Itaúna no IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Itaúna obteve pontuação de 7.5, maior que a do Estado, que foi de 6.5, e a do País, de 5.8. Na matéria citamos que Itaúna, em 2014, já havia ficado bem colocada, obtendo a 4ª colocação em Minas, com índice de 7.3. A Secretária de Educação não ficou satisfeita com a nossa citação, porque a mesma remetia à administração anterior méritos que ajudaram a impulsionar a nota de 2017, comemorada este ano com festa no Buffet Portal.
A secretária alegou que o jornal errou, porque em 2014 não houve avaliação. A avaliação foi feita em 2013. Ouvimos e garantimos à mesma que corrigiríamos. Na quarta-feira, feita a conferência, verificamos que não houve erro, apenas deveríamos ter citado que a avaliação de 2013 foi divulgada e comemorada em 2014, como agora, sobre a avaliação feita em 2017 e que foi divulgada e comemorada em 2018. Mas quiseram criar um fato por pura picuinha política. Acham que os donos da verdade e somente eles podem aparecer e ter méritos, que, aliás, têm sido muito poucos até aqui. Em 2014, quando se comemorou a pontuação de 2013, se lembro bem, o governador Antonio Anastasia parabenizou Itaúna e a administração municipal e a revista IstoÉ destacou o feito da cidade. Desta vez, uma festa no Portal com música ao vivo foi montada para a confraternização e a comemoração do feito, que, em minha opinião, não passa de uma obrigação do poder público. Oferecer escola pública de qualidade é obrigação, não é motivo para comemoração e, sim, de busca para aumentar ainda mais a nota.
Não satisfeitos com a garantia de que corrigiríamos o possível erro, que na verdade não existiu, a assessoria de comunicação do senhor prefeito resolveu pedir Direito de Resposta ao jornal sobre a citação de que em 2014 não houve avaliação. Não houve mesmo. Frisando: a avaliação de 2013 foi divulgada em 2014, como agora, a de 2017 foi divulgada em 2018. Entenderam? Ou querem que desenhe? A assessora “estrangeira” do senhor Neider, que não conhece Itaúna, sua história e suas nuances, entendeu que infringimos a lei ou deixou a entender que ficaram ofendidos com a nossa publicação (?). Pediram o Direito de Resposta com respaldo na Lei 13.188/2015, que regulamenta a questão.
No mesmo pedido, que foi encaminhado para e-mail do jornal e posteriormente enviado pelos Correios, em correspondência registrada, a “assessora estrangeira” se deu o direito de opinar e fazer análise dos resultados entre 2007 e 2017. Afirma que entre os períodos de 2007 e 2013 houve uma evolução gradativa nos resultados e entre 2013 e 2015 houve uma queda na pontuação. Tem certeza? As pontuações entre 2013 e 2015 foram (7.3) e (7.0). Queda?
Queremos deixar claro que, nos nossos 35 anos de exercício do jornalismo e nestes 23 anos como editores da FOLHA, nunca deixamos de corrigir nossos equívocos e sempre nos pautamos na obediência às Leis. Quando entendemos que não cabe o Direito de Resposta, sugerimos que o pretenso ofendido o peça na Justiça. Enfrentamos todos os processos dos pretensos ofendidos, nunca nos recusamos a exercer o jornalismo com o devido respeito, profissionalismo e seriedade, mas não admitimos também “fanfarronice”, e não estamos dispostos a ficar à mercê dos entendimentos sem embasamento jurídico e técnico de funcionários públicos desinformados e políticos pretenciosos. Se quiserem exercer o direito de ver suas opiniões e entendimentos publicados, que então busquem os recursos jurídicos. Aqui não vão impor opiniões e muito menos fazer política.
Fizemos a citação da administração municipal anterior que teve pontuação 7.3 no IDEB em 2013, com divulgação em 2014, como publicamos, porque entendemos que a educação de qualidade, que ainda não existe em Itaúna, pois temos um longo caminho a percorrer para atingir a excelência, é fruto de uma construção que vem ao longo de décadas. Cada prefeito e cada gestor da Educação, com seus funcionários, diretores, professores, porteiros, cantineiros, jardineiros... tem sua contribuição no processo de qualidade da educação. Não há como fazer um trabalho somente em quatro anos de mandato. As administrações passadas, todas, inclusive a desastrosa de Eugênio Pinto, deram sua contribuição para que se chegasse à nota (7.5). Meus queridos, a administração da qual vocês são integrantes não é uma ilha. Pelo contrário, caminha a passos lentos, tropeça todos os dias e ainda não conseguiu tirar do papel as promessas. Melhor, fica aí a pergunta ao senhor Neider: vai tomar posse quando? Porque até aqui...
É interessante como a maioria dos políticos se acha inatingível e pensa que está acima de tudo e de todos. E esta semana ilustra bem isto, com este episódio bizarro. Pois com a decisão da “estrangeira”, que muito provavelmente teve o aval do alcaide, tivemos a comprovação que alguns políticos, assessores e gestores de confiança de pastas públicas confundem instituição pública, grupo político, imprensa e direito do cidadão, fazendo uma verdadeira miscelânea. Olha, o itaunense precisa fazer um exame de consciência e parar de repetir as besteiras que faz de quatro em quatro anos. Isto será para o bem da cidade. Essa é a minha opinião. Posso?