Itaúna, 13 de novembro de 2018

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28 de abril de 2018 às 07h00 - Atualizado: 05 de maio de 2018 às 09h58

O credenciamento do Centro Oncológico e seu uso político

Na semana passada foi anunciado o esperado credenciamento do Centro Oncológico que funcionará em Itaúna, no Hospital Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, em parceria do Hospital com a AVACCI. A partir de então, os tratamentos de quimioterapia, que eram feitos em Belo Horizonte e Divinópolis, poderão ser realizados aqui, na cidade. É, sem dúvida, um ganho sem igual para os pacientes de câncer e seus familiares, de Itaúna e região. Sabe-se dos muitos problemas ocasionados aos pacientes oncológicos com as sessões de quimioterapia a que se submetem mas que, ainda, e apesar dos efeitos colaterais, é o meio mais apropriado para combater esta terrível doença. Realmente, trata-se de uma grande conquista para a cidade e especialmente para os pacientes, seus familiares, a AVACCI e o Hospital.
Porém, o fato também tem servido a políticos de vários matizes – até mesmo a alguns que ainda não estão no campo eleitoral da disputa de votos – para que façam seu marketing pessoal. Como disse um amigo, vários “pais” e “mães” da conquista surgiram nos últimos dias. Não sou inocente para afirmar aqui que não houve necessidade da intervenção de políticos na questão. Ora, se até para uma simples consulta médica muitas pessoas recorrem à intermediação de um político, infelizmente, o que dizer de um credenciamento para o funcionamento de um serviço de saúde complexo como o é o Centro Oncológico? Mas, daí a concordar com algumas pessoas se apresentarem como o “pai (ou mãe) da conquista”, não dá. É necessário dizer algumas coisas que precisam ser ditas a esses políticos: se interviu, nada mais fez que a obrigação, pois para isto é que recebem salários pagos com dinheiro público. Vocês recebem é para, efetivamente, buscar atender as necessidades deste público que paga seus salários. É como o pedreiro se vangloriar porque assentou um tijolo. Liberar verba para a construção do prédio para abrigar o Centro Oncológico também está incluso nesta obrigação do exercício do mandato político. Ou iam querer que o cidadão arcasse com os custos todos, além de pagar os impostos? (se bem que não devemos fazer esta pergunta, pois alguns gostariam que fosse assim...)
Se alguém merece elogios, são aqueles que atuam por amor à causa, como os dirigentes da AVACCI e a direção da Casa de Caridade, mantenedora do hospital. Aliás, há que se destacar a atuação da Marilda, Mourão, Guerra e equipe, pelo lado do hospital. E de Antônio Carlos, Mourão (novamente), Dona Glória e toda a equipe, pelo lado da Avacci. E, também, dos voluntários, da Cooperativa (fundamental na questão dos leilões de gado), da Arquê e do cidadão itaunense que contribui sempre com as boas causas da cidade.
Os recursos auferidos com o tratamento oncológico serão de muita valia para as finanças combalidas do hospital. Quiséramos que outros serviços fossem prestados com a mesma proposta da oncologia, com o faturamento reforçando o caixa da Casa de Caridade Manoel Gonçalves. Concluindo, se alguém merece os elogios, que sejam as equipes da AVACCI e da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, não os políticos que, como dissemos, recebem salários para buscar atender as necessidades da população e quase sempre não o fazem.

* Jornalista Profissional, especialista em
comunicação pública e marketing político.