Itaúna, 23 de outubro de 2017

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23 de julho de 2016 às 06h00

Não tente me convencer do que você não vai fazer

Com uma campanha reduzida em se tratando de custos e também de tempo, serão apenas 45 dias, a priorização de algumas táticas de marketing será essencial para se chegar ao eleitor com eficiência. Além do tempo curto, os custos limitados por imposição da lei e a dificuldade em levantar recursos devido à crise, também são fatores que vão contribuir para que os marqueteiros dos candidatos busquem opções mais eficazes e baratas para convencer o eleitor. E o programa eleitoral na rádio e na televisão é uma opção que deve ter mais investimento. No meio político é comum ouvir que a programação nos dois veículos de comunicação de massa pode fazer com que o candidato suba ou caia nas pesquisas de preferência de votos. É uma meia verdade. 
Por serem veículos que entram nas residências sem pedir licença e se tornaram tão populares no decorrer dos anos, que de fato uma colocação mal feita por um candidato pode arruinar as pretensões de vitória nas urnas, mas não chega a ser fator decisivo junto ao eleitorado. Há muito de folclore nos bastidores da política quando o assunto é o Programa Eleitoral, coisa criada pelos homens de mídia, aqueles que fazem o marketing das campanhas e que querem faturar o dim-dim dos candidatos, quase sempre arrecadado junto aos doadores e que esse ano está mais difícil, o empresário está recolhido por causa da crise e com medo por causa dos escândalos da Operação Lava-Jato. 
Mas a verdade é que, em se tratando de campanha política, aparecem sempre os “magos do marketing”, artistas que se acham... Mesmo com os “artistas”, ficam todos, candidatos e assessores que não entendem “neca de catibiriba” sobre o assunto, palpitando e tirando conclusões sobre o que se deve ou não ser levado ao ar no horário obrigatório. Tá aí o primeiro problema. O que poucos percebem é que o horário é obrigatório, e isso basta para afastar o eleitor da telinha ou do companheiro de cabeceira e hoje também no carro, o velho e bom rádio. Assim, não há superprodução que faça com que o eleitor fique atento ao que o candidato b, c ou d está falando, propondo ou simplesmente xingando. O eleitor hoje, mais seletivo e preparado, graças até mesmo às campanhas educativas do governo federal e agora aos escândalos escabrosos, em sua maioria, não vota mais somente porque o candidato é bonito ou é amigo do amigo ou é parente do parente. O eleitor quer propostas consistentes, e principalmente compromisso com suas causas, mas quer um compromisso que seja palpável e que vai ser cumprido no decorrer do mandato. Essa besteira de que o horário gratuito vai decidir a eleição é “pura firula”, é invenção de marqueteiro. É evidente que não se pode também usar o espaço publicitário oferecido oficialmente com bobagens que o eleitor sabe ser enrolação, caso das grandes produções que apelam para o visual e se esquecem da proposta e da visão do candidato sobre temas que interessam de fato ao eleitor.
Na última campanha para a Prefeitura, lembro-me bem, nos programas dos candidatos que disputaram a Prefeitura de Itaúna (os mesmos nomes de hoje), a situação descrita aqui ficou evidente, quando nos deparamos com duas grandes produções, que não mostraram nenhuma proposta consistente, e duas produções medianas que optaram por uma postura mais direta junto ao eleitor. 
O fato é que ninguém quer saber do que foi feito, porque isso não é indicativo de que se vai fazer mais. E muito menos saber de promessas mirabolantes, que se sabe, não serão cumpridas. O eleitor, mais do que nunca, não quer ser passado para trás, como vem sendo por anos a fio, por exemplo, como nos últimos quatro anos, quando se prometeu mundo e fundo e se fez muito pouco. O eleitor sabe quanto custa os serviços prestados e quais foram feitos, sabe como a licitação foi feita e como o contrato foi assinado. Sabe quem fala a verdade e sabe qual candidato tem a melhor proposta, sem que para mostrá-la ele tenha que apelar para as superproduções. O que o eleitor já percebeu e começa a selecionar é que as campanhas de então em Itaúna, de um modo geral, apenas cumpriram o papel de tentar convencê-lo do que ele não quer. Desta vez, ele já sabe o que não quer. Horário Obrigatório no rádio e TV? Bobagem.