Itaúna, 19 de junho de 2018

Cadastro

26 de maio de 2018 às 07h00 - Atualizado: 09 de junho de 2018 às 10h16

Não basta ter a caneta

Vai aqui uma crítica, que considero contundente, mas sem nenhuma conotação política partidária, apenas uma demonstração de que a gravidade do momento administrativo pelo qual o município passa merece uma discussão que envolva todos os setores da sociedade organizada, e, independentemente das questões políticas, o caos administrativo já está aí instalado. Não estamos aqui “pegando no pé” pura e simplesmente e nem nos posicionando contra por questão ideológica, estamos apenas tentando chamar a atenção para o que pode se transformar em um problema de difícil solução num futuro bem próximo, quando as agruras de um passo mal dado podem custar uma longa caminhada. É evidente que o voto é teoricamente sagrado, mas é também responsável pelo reflexo do dia a dia do cidadão. Como já foi exposto aqui, temos o hábito de dar um giro pela cidade uma vez por semana, vamos até os bairros, observamos. E o que estamos vendo tem assustado, e isso nos impõe uma busca por explicações que nos convençam de que há alternativas para reverter o quadro que se configurou até o momento, mês após mês. Sem parecer que estamos criticando por criticar, sem nenhum embasamento ou conhecimento de causa, estamos afirmando que a cidade está “jogada às traças” e não há, até aqui, nenhuma demonstração do administrador que nos leve a pensar o contrário, porque a constatação é a de que não há uma preocupação ordenada nem mesmo com a simples manutenção dos logradouros públicos. O nosso São João, por exemplo, em toda a extensão que corta a cidade, está assoreado e com o leito tomado por mato, as ruas estão em estado calamitoso, o asfalto deteriorado, em determinados locais foram executados “tapa buracos”, mas com um serviço de péssima qualidade. A sujeira nas ruas, principalmente nos bairros mais distantes, é uma constante. Os lotes vagos, inclusive os que são de propriedade do município, estão tomados pelo mato e por entulhos. É uma bagunça generalizada. Na área da saúde, setor que a publicidade oficial afirma ter recebido investimentos e que funciona bem, observamos o mesmo caos, com filas de espera que levam meses, atendimentos equivocados; e na área da assistência social, é visível que os responsáveis pela pasta não conseguem resolver o principal problema, que são os mendigos instalados na nossa principal praça, ocupando monumentos e marquises de lojas, além de estarem abordando pessoas pedindo esmola e agora até mesmo tentando roubar celulares, conforme denúncias chegadas à redação. E, diante desse caos, o prefeito só sabe falar que não recebe os repasses em dia. Será que todos os problemas estão centrados nisso? Por que será que a maioria dos municípios está conseguindo manter os serviços e os salários em dia? E o mais grave, em meio a essa confusão toda, e essa inércia administrativa, o prefeito, praticamente na calada da noite, sem esclarecimentos e diálogo com os vereadores e a população, decretou um aumento de mais de 10% na passagem. O aumento na tarifa da água também está confirmado e deve ser anunciado nos próximos dias e, apesar da negativa, pode ocorrer ainda o aumento da Taxa de Lixo. A mesma taxa que o então candidato Neider usou como principal mote de campanha, assim como o valor das passagens. A conclusão, então, só pode ser uma: fomos enganados. Elegemos um mentiroso, que, ao ter a caneta em mãos, passou a fazer tudo ao contrário do prometido. Os compromissos assumidos foram esquecidos e a população passou a ser ignorada. Temos mais 2 anos e 6 meses de mandato, espera-se, e as notícias são de que o prefeito está apostando nos dois últimos anos de mandato, quando pretende fazer uma “maquiagem” na cidade. E será mesmo maquiagem, pois não há recursos para nada e não vai ter. E assim, de forma melancólica, vamos ter que aturar um governo morno, sem sal e sem horizonte, e que, todos nós julgamos, seria um dos melhores dos últimos 35 anos. Sinceramente, acho que nem com um empurrãozinho vai... P.S.: No caso das passagens do transporte coletivo urbano, a suspensão do aumento e a rediscussão dos índices estão nas mãos dos vereadores. Somente eles poderão reverter esse aumento abusivo e inconsequente imposto pelo Senhor Prefeito, sem consulta e diálogo. São os acordos, aqueles que todos nós sabemos como funcionam. Lamentável. E nós simplesmente pagamos o preço.