Itaúna, 16 de agosto de 2018

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10 de fevereiro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 24 de fevereiro de 2018 às 10h05

Na Parede

Literalmente na parede. Esta é a situação do prefeito na Câmara. Acompanho a Câmara como repórter mais ou menos há três décadas e já assisti e acompanhei de perto situações políticas, brigas por interesses de grupos ou até mesmo de toda a comunidade. As “quedas de braço”, entre o Chefe do Executivo com o Poder Legislativo sempre foram ferrenhas, mas em outros tempos buscava-se o entendimento por meio do diálogo em prol do bem comum, pois quando as divergências de opiniões se sobrepõem ao objetivo final, que é o bem da população, todos perdem, pois a cidade não avança economicamente, os serviços não funcionam, e o cidadão é quem “paga o pato”. E é isso que está acontecendo, em meio ao emaranhado em que consiste o governo de Neider. Assim, o único prejudicado é o cidadão, exatamente aquele que paga os impostos, que escolhe o seu gestor na urna e é quem deveria estar usufruindo de serviços eficientes e de uma cidade limpa, iluminada, com infraestrutura urbana impecável e um setor de saúde consistente com médicos em todos os postos de Saúde, com medicamentos e exames disponibilizados a todos.
Em nossa opinião, iniciando o segundo ano do mandato, Neider, dentre os problemas exaustivos inerentes à administração pública que incluem problemas com o funcionalismo, contratos, obras não realizadas, cobranças externas e internas, política e politicagem, além da falta de recursos, vai ter que começar a acreditar que o seu inferno astral, apenas está começando. E o primeiro sinal de que a coisa está esquentando foram os posicionamentos dos vereadores essa semana, na primeira reunião do ano. Sinceramente, em muitos anos de cobertura na Câmara não havia visto a quase unanimidade, em relação a um prefeito, diríamos, ainda em início de mandato, apesar dos 12 meses que se passaram.
A percepção é a de que Neider não consegue agradar a ninguém. Os vereadores estão exaustos e visivelmente desgastados com os posicionamentos dos homens de confiança do prefeito, que não atendem a ninguém como deveriam e que se acham os donos dos postos de serviços. A maioria dos vereadores está se sentindo excluída e desvalorizada, não vendo seus pedidos atendidos. Se acham representantes de suas comunidades, e de fato o são. Porém, é importante ressaltar que o papel de vereador não é o de intermediar obras e sim o de propor leis eficazes que obriguem o executivo a cumprir o seu papel com eficiência. Ouvi todas as queixas dos vereadores, e até acho que eles têm razão na maioria delas. Eles têm que ser ouvidos, atendidos, pois mesmo não exercendo o mandato como deveriam, são os legítimos representantes do povo.
Como uma pessoa que acredita na democracia, tenho que respeitar a opinião dos cidadãos, e essa, no momento, é de arrependimento, de ter sido enganado por uma propaganda mentirosa. Mas não posso admitir que o povo tenha cometido um equívoco de tamanha proporção, elegendo um prefeito, que até o momento, desconhece o povo e seus interesses básicos. Após 12 meses de governo, o prefeito não merece sequer uma nota 4 e se (somado à sua péssima administração, que já tem inclusive um ranço forte de corrupção), a falta de responsabilidade na lida com a coisa pública, derruba-se qualquer possibilidade de se respeitar a administração do cidadão em questão. A nota máxima é zero. Respeito o trabalho de todos, mas vou continuar cobrando transparência dos atos. Acho que tenho o direito de fazer isso como cidadão, e aí, não vai nenhuma ofensa.
Aos defensores apaixonados, interesseiros e que estão “mamando nas tetas do poder público sem mostrar eficiência e interesse”, o que posso dizer é que não tenho a intenção de prejudicar ninguém, mas o meu direito de questionar, fiscalizar, opinar, discordar e sugerir, será exercido, mesmo que as opiniões dos outros não estejam de acordo. Viva a democracia. Culê, culê, tudo é pato. Ou porco?