Itaúna, 21 de maio de 2018

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05 de maio de 2018 às 08h00 - Atualizado: 12 de maio de 2018 às 09h57

CENTRO ONCOLÓGICO

Marilda Chaves explica processo de credenciamento

Provedora falou do passo-a-passo de todo o processo de credenciamento e de outras questões sobre o Hospital Manoel Gonçalves

Na manhã da quarta-feira, 2 de maio, a provedora da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, Marilda França Chaves, acompanhada do seu gerente de Custos, Antônio Fernando Guerra, e da assessora de imprensa, Daniela Nogueira, recebeu representantes da imprensa itaunense para falar de todo o processo que culminou com o credenciamento do Centro Oncológico e das expectativas da direção do Hospital para os próximos meses. A provedora começou sua fala narrando a situação em que encontrou o processo: o prédio já estava quase pronto e o ex-provedor, Augusto Machado, havia feito uma solicitação à Prefeitura (Secretaria de Saúde) e à Superintendência de Saúde, em Divinópolis, para que fossem tomadas providências em relação à instalação do Centro. Porém, estas solicitações “nem resposta tiveram”, afirmou Marilda.
Contou ela que, em 2015, mesmo ano em que foram feitas as solicitações, “foi deflagrado o processo de credenciamento, já que a verba liberada em 2013 já havia permitido a construção do prédio”. Ao assumir a administração da Casa de Caridade, “final de 2015, início de 2016, ficamos 6 meses tomando conhecimento da situação geral, para darmos início às ações.” Foi quando, segundo a provedora, tomaram conhecimento da situação. “Liguei para a Superintendência de Saúde, em Divinópolis, e eles mostraram total desinteresse com a situação. Então fiz um ofício, o de número 187/2016, de 27 de julho, notificando a Secretaria de Saúde de Itaúna e a Superintendência de Saúde, de que tínhamos construído o prédio e que alguma coisa deveria ser feita para que ele fosse útil”. Explicou a provedora, que fez a notificação por ser um caminho jurídico, de exigir atitudes. Além dessas notificações, enviou ofício ao Ministério da Saúde, pedindo informações de como proceder para solicitar o credenciamento.
Em 2 de setembro de 2016, o Hospital recebeu a resposta de como proceder para encaminhar o credenciamento do Centro Oncológico. Esclareceu, ainda, que recebeu total apoio da Secretaria de Saúde, tanto da administração anterior quanto da atual, nas questões solicitadas, informando dados, explicitando situações, enfim, repassando as informações necessárias para o andamento do processo. Com esses passos dados, a equipe administrativa do Hospital (Marilda, Antônio Guerra e Francisco Mourão) prepararam todos os documentos necessários, que foram encaminhados para a Secretaria de Estado da Saúde, através da Secretaria Municipal da Saúde, em atenção à burocracia do setor. Destacou que todo esse processo necessitava do apoio político da Prefeitura e que o mesmo foi conseguido, sempre.

Fase estadual

Contou Marilda Chaves que a fase do processo de credenciamento junto ao Governo do Estado exigiu muito esforço. “O processo parou por um tempo, com várias exigências, o que nos obrigou a compor com vários setores, como radioterapia, que vai ser realizada no Hospital São João de Deus, em Divinópolis; exames de mamografia, centro de enfermagem e ainda queriam que implantássemos o exame de mamografia, aqui no Hospital. Tivemos de contar com o apoio do prefeito Neider e da vereadora Gláucia, para convencer o secretário de Estado da Saúde que, com a parceria que firmamos com uma clínica da cidade, não seria necessária a implantação”.
Após todo esse trabalho, o Estado aprovou as documentações e, inclusive, quantificou os valores necessários para o funcionamento do Centro, em R$ 498 mil por mês. “Esse processo, físico, foi encaminhado para o Ministério da Saúde que não o aceitou desta forma, exigindo que fosse todo digitalizado. Assumimos a tarefa e digitalizamos todos os documentos. Aconteceu, ainda, de o processo físico sumir durante a devolução (até hoje, está sumido), mas, como tínhamos cópias de tudo, digitalizamos e encaminhamos da maneira que eles solicitaram. Assim, chegamos ao credenciamento, que foi anunciado na semana passada”, disse. Completando, a provedora destacou o trabalho realizado pela funcionária Ana Mendonça, da Casa de Caridade. “Ela foi muito importante, com sua pronta resposta e atuação nos momentos em que precisamos dela, não medindo esforços para ajudar. É preciso destacar pessoas que agem assim”, destacou Marilda.

Apenas mais uma etapa

Ao fazer a narrativa de todo o processo até o credenciamento, Marilda Chaves lembrou que “esta é apenas mais uma etapa. Antes, existiu a etapa da construção do prédio, agora o credenciamento e já estamos em outra fase, que é a de iniciar o funcionamento, que depende apenas da publicação do ato e da liberação da verba necessária”, informou. Para isso, contou que conseguiu uma audiência com o ministro da Saúde, agendada pelo deputado federal Jaime Martins. Neste encontro ficou prometido que a publicação ocorreria “o mais breve possível” e que os recursos seriam alocados no orçamento da União para serem liberados ao Hospital para, assim, iniciar os serviços do Centro Oncológico.
Outra etapa deste processo foi cumprir com a exigência do Estado de montar a estrutura do Centro, equipando-o, “o que só foi possível com atuação da AVACCI que adquiriu móveis e equipamentos e os cedeu em comodato ao Hospital, que assumiu os custos com a montagem e instalação dos mesmos”. Concluindo sua explanação, Marilda afirmou que “nós tivemos que contar com várias cabeças e muitas mãos. O trabalho foi capitaneado por nós, do Hospital, mas é uma vitória da sociedade civil, do cidadão itaunense!”.
Perguntada se a Universidade de Itaúna, que tem um curso de Medicina, participou do processo em algum momento, já que se sabe da participação de empresas privadas, entidades assistenciais e até do Sindicato dos Produtores Rurais, a provedora foi lacônica: “não, não participou”.

O funcionamento do Centro Oncológico

Será realizado o tratamento de quimioterapia, atendendo pacientes com câncer, de Itaúna e das cidades da microrregião, composta ainda por Itatiaiuçu, Itaguara e Piracema. Também deverá ser atendido o público da macrorregião, que pode agregar cerca de 50 municípios. Serão atendidos, simultaneamente, 11 pacientes. Esta capacidade atende à demanda apresentada, segundo os levantamentos feitos pela AVACCI e o Hospital.
Paralelamente ao Centro, funcionará a Casa de Apoio, em parceria da AVACCI com a Comunidade Bom Pastor, onde serão atendidos pacientes e familiares, principalmente de outras cidades, que necessitarem ficar em Itaúna para o tratamento. Para esses atendimentos, segundo a provedora, os recursos a serem liberados não serão suficientes, sendo necessária a participação da sociedade civil de Itaúna. As prefeituras das cidades atendidas também serão chamadas a participar do custeio destes tratamentos.
O voluntariado será uma marca do atendimento, que já conta com algumas entidades aptas a participar, como a Casa da Amizade, Comunidade Bom Pastor e outras, em parcerias com a AVACCI, que deverá coordenar este processo do atendimento extra tratamento médico. As pessoas que queiram atuar como voluntárias individualmente devem procurar a AVACCI. Marilda Chaves destacou a necessidade de a população itaunense continuar apoiando as iniciativas da AVACCI, do Hospital e das entidades participantes. “É um trabalho de muitos, como disse anteriormente, e precisa da participação de todos”, conclamou.

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