Itaúna, 22 de julho de 2018

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28 de abril de 2018 às 07h00 - Atualizado: 05 de maio de 2018 às 09h58

Mais de R$ 1 milhão com festas. Apenas pano de fundo

Recebemos no dia 17 de abril, na redação, intimação extrajudicial, via cartório de notas, com Pedido de Direito de Resposta da Prefeitura Municipal de Itaúna, referente à nossa manchete veiculada na edição do dia 10 de fevereiro (sábado de Carnaval): “R$ 1 milhão com festas” e publicação da matéria na página 03 com o título: “Crise? Prefeitura deve muito, mas gasta R$ 1 milhão com festas. Somente com o Carnaval, gastos são superiores a meio milhão só com contratações”.
Recebemos a intimação como de praxe, analisamos o pedido, pedimos nossos advogados para analisarem, e, após conclusão, optamos por não conceder o pedido, por entendermos que o mesmo é inepto. Está mal formulado, não tem consistência jurídica e, mais que isso, contém vícios primários, levando-se em conta que quem o lavrou, pressupomos, logicamente, e o assinou é um profissional do Direito. Além disso, o pedido tem prazo expirado com base na nova Lei do Direito de Resposta (Lei 13.188/2015 – artigo 3º - 60 dias) e as justificativas não têm amparo na verdade, pois a verdade está é com o jornal, e podemos provar. Portanto, não retiramos uma palavra do que publicamos, e estamos dispostos a responder judicialmente, se for o caso, pela publicação que está bem embasada e relata a verdade sobre as festas.
É bom que fique claro que não temos nada pessoal contra os autores da iniciativa, que, em nosso entendimento, está fadada ao fracasso e seu lugar apropriado é a cesta de lixo, e lá está. Vamos lá: alega a Prefeitura que a aludida publicação foi elaborada sem conferir nenhuma possibilidade prévia de manifestação do Município, em total afronta aos dispositivos que permeiam o Código de Ética dos Jornalistas. Ledo engano do autor ou dos autores. Não ferimos nenhum dispositivo ético, por alguns motivos: embasamos nossa notícia com publicações de extratos de licitações publicados no Jornal Oficial do Município, portanto, não precisávamos buscar manifestação de ninguém. E em se tratando de ética na comunicação, tivemos o melhor professor de Ética do Brasil, detentor da Cadeira de Ética na Comunicação na UFMG, nosso amigo Doutor/Professor Anis José Leão. Se o ilustre advogado que subscreve o Pedido de Resposta quiser, temos, em nossas estantes, livros, artigos e aulas do ilustre mestre. Não ferimos a ética.
Quando alegam que “nenhum contato, protagonizado pelo referido veículo de comunicação, foi feito junto à gerência de Comunicação Social...”, é mentira. Telefonamos, sim, para a Assessoria de Imprensa. E por duas vezes. Não obtivemos resposta. No meu tempo, era Assessoria de Comunicação, e com status de Secretaria. Rebaixaram os coitados a gerentes. Também, pudera, não funciona... E tanto não funciona que não nos responderam, e só mandaram release, após o acontecimento, afirmando que os gastos com o Carnaval foram de R$ 207.218,43. Outra mentira, que podemos provar. Melhor, eles mesmos confessaram no pedido de resposta, quando admitem gastos de R$ 102.380,30 com publicidade, o que significa que os custos com o Carnaval pularam para R$ 309.598,73, e não estão incluídos aí gastos com pagamento de pessoal (mesmo que os mesmos sejam funcionários), combustível com caminhões e veículos, dentre outros. Se somados, chegam próximos à casa do meio milhão. Mas deixa pra lá. Se preciso for, vamos discutir isso na Justiça.
Para encerrar o assunto, vamos colocar aqui a nossa opinião, como sempre fazemos, pois o assunto é de interesse público, uma vez que os recursos usados são públicos, ou seja, do povo itaunense. Não afirmamos em momento algum que o Carnaval custou mais de R$ 1 milhão. Falamos em gastos de mais de R$ 1 milhão com festas em 2018. As licitações foram feitas e ponto. E quando a PMI disse que gastou R$ 207 mil, publicamos o release deles, inclusive, juntaram a nossa publicação no pedido de Direito de Resposta. Então, fizemos o que jornalisticamente deve se fazer como declina a ética. Demos a nossa opinião na verdade, mas é direito nosso.
O que podemos concluir com o malfadado pedido de resposta é o que a maioria da população já concluiu e está difundindo por todo o canto: o prefeito não consegue fazer sua administração decolar porque não tem uma equipe à altura de Itaúna. Ele juntou um bando de incompetentes e despreparados. Mais que isso, o bando não conhece os problemas da cidade e seu interesse e postura, são apenas políticos e financeiros. Em nossa opinião, o prefeito tem apenas uma saída, se não quiser amargar derrotas e desgastes sucessivos: tem que ter a coragem de desfazer das escolhas mal sucedidas. A começar pelo seu Gabinete, pela Secretaria de Governo, Assessoria de Comunicação, Obras, Regulação Urbana, dentre muitos outros cargos de primeiro e segundo escalões. É preciso montar um novo governo, porque Itaúna não merece passar pelo que está passando. É nítido para qualquer cidadão que temos um governo amador e fraco, pior que isso, centrado em mentiras. O principal motivo do desgaste galopante do governo de Neider Moreira está em uma palavra: mentira. Não se constrói nada com mentiras, muito menos uma cidade. Até aqui, o governo que aí está é centrado em mentiras, e que se acumulam. O povo já percebeu isso. A sensação da população é a de que está sendo enganada, porque ela serviu apenas como “pano de fundo” para uma eleição. Para encerrar: serão, sim, mais de R$ 1 milhão com festas em 2018. Provem que não.
PS: Ilustre Doutor Walter Gonçalves do Amaral, Vossa Excelência, quando for assinar um direito de resposta ou uma peça jurídica, mesmo que extrajudicial, junte procuração. A portaria nomeando-o Chefe de Gabinete não lhe dá o direito de representar o Município. Representam o Município, no caso, primeiramente o Prefeito Municipal e depois o Procurador Geral. Esse é o primeiro motivo de se usar a cesta de lixo, neste caso. Os outros estão, acho, bem explicados acima.