Itaúna, 19 de novembro de 2018

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20 de outubro de 2018 às 10h00 - Atualizado: 27 de outubro de 2018 às 13h26

Longe do Baixo Clero

Itaúna volta a ter representatividade política no Legislativo estadual. Pelo menos essa é a percepção inicial. A cidade elegeu Gustavo Mitre, cidadão belorizontino, com raízes nas cidades de Oliveira e Campanha e que reside em Itaúna. Ele garante que vai representar a cidade. E acreditamos que vai mesmo, pois obteve aqui 16.704 votos do total de 21.373 que o elegeu. Esperava muito mais, e falava em 25.000 votos. Mas, apertado, na rabeira, ou não, ele é deputado. E, ao que parece, o nosso deputado. Assim, cabe-nos agora analisar as possibilidades da performance do mandato de Mitre até 2022. Dizer que o moço não é jeitoso é estar sendo leviano, ele é bom de conversa, é bacharel em Direito, conhece de leis e sabe nadar na seara da política, pois conhece muito bem os corredores que levam aos gabinetes e também os bastidores sempre espinhosos da política. E, se quiser trabalhar em prol do município, vai ter o que fazer.
Em se tratando de perspectivas, o que observamos em relação à atuação do deputado por para Itaúna é que podemos nos escorar na máxima popular: “melhor com ele do que sem ninguém”, mas também, em nossa opinião, é somente isso. O fato é que Mitre tem pela frente uma responsabilidade grande para com Itaúna, pois é aqui que terá de concentrar seu trabalho para se fortalecer no cenário político, visando uma carreira, vamos dizer assim, mais solidificada nos próximos 10, 12 anos. Pela experiência que temos no meio, achamos que o “deputado itaunense” vai ter uma atuação, num primeiro momento, modesta, mas que pode surpreender pelo fato de saber transitar no meio, como já afirmamos. Mas, no momento em que a credibilidade dos políticos está em baixa e que as mudanças imposta pelas urnas vão mostrar, muito provavelmente, uma nova forma de governar e administrar a coisa pública no país e no estado, entendemos que além do conhecimento, os neófitos também terão que mostrar que querem de fato exercer o cargo com desprendimento, com espírito realmente público e principalmente com respeito ao povo para o qual estão prestando serviços como representantes legais.
É relevante para a cidade voltar a ter representatividade em nível de Estado, e mais importante ainda ter a possibilidade dessa representatividade também acontecer em nível federal, uma vez que, como quarto suplente, Marcinho Hakuna pode ter voz no PSL do quase presidente Bolsonaro. Vamos aguardar. Mas uma coisa é certa, nosso representante na Assembleia terá que mostrar para que o veio. Ou seja, terá de trabalhar com comprometimento e com a cidade num todo, sem excluir nomes, grupos políticos e/ou preferências. Sempre fomos defensores de que o trabalho no Legislativo tem que estar centrado mesmo na Legislação em todos os três níveis, no municipal, no estadual e no federal, mas no Brasil sempre se adotou a prática do fiscalizador e do “menino de recado da população”. É isso mesmo, o legislador brasileiro acaba se transformando em um “contínuo de luxo”, sendo o elo entre os prefeitos quando vereador e quando deputado, do prefeito junto ao governador e/ou ao executivo federal. Esta é a mais pura realidade. O deputado hoje não é nada mais que relações públicas dos municípios pelos quais foi eleito. É importante o seu trabalho para que os municípios possam ter voz ativa junto aos governos. Mas a realidade é essa. E assim sendo, é necessário que o nosso “relações públicas” saiba exercer a função para que possamos ter espaço. Vai saber, tenho a certeza.
Mas a situação faz lembrar uma historia que não se sabe lenda ou fato, que envolve a sucessão da cadeira de Machado de Assis, a de número 23, na ABL – Academia Brasileira de Letras, em 1908. A sucessão foi polêmica, até pela importância de Machado de Assis na fundação da ABL e pela sua competência como jornalista, contista, teatrólogo, romancista e poeta. Em meio às discussões sobre quem deveria sentar-se na cadeira 23, e após definida a escolha, em discurso, Rui Barbosa, de forma elegante, deixou transparecer que a cadeira estava ocupada sem de fato estar. Em resumo, temos representante na Assembleia?