Itaúna, 18 de março de 2019

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13 de abril de 2013 às 00h00 - Atualizado: 13 de abril de 2013 às 08h00

História da Paróquia de Sant’ Ana

Os Fundadores: o oratório e a capela

Segundo o historiador itaunense, Guaracy de Castro Nogueira, o primeiro templo religioso na região, chamada Passagem do São João Acima (1° nome de Itaúna), foi construído antes de 1975 (ano de criação da diocese de Mariana), no tempo em que a região pertencia à Diocese do Rio de Janeiro.

Tratava-se de um oratório rústico construído em 1739 pelos verdadeiros fundadores de Itaúna, os Sargento - Mor Gabriel da Silva Pereira, líder do grupo, Tomás Teixeira e Manoel Neto de Melo, casados com três irmãs, filhas do bandeirante João Lopes de Camargos, que eram muito religiosas e precisavam de um lugar para o cumprimento de seus deveres para a Igreja. Esse oratório público foi autorizado por provisão do Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei Antônio de Guadalupe, através de seu visitador diocesano.

Em 19750, Dom Frei Manoel da Cruz, bispo de Mariana, atendendo que se casara com a filha bastarda do Sargento – Mor Gabriel da Silva Pereira, de nome Francisca Silva Pereira, e ganhara como dote o terreno onde erigia o oratório e, também, o pedido dos demais moradores da Passagem do São João, da Comarca de Pitangui, concedeu licença para construir a Capela da Senhora Sant’Ana no mesmo lugar onde se achava o oratório. Essa capela foi inaugurada em 1765, quando o arraial passou a ser chamado de Povoação Nova de Sant’Ana São João Acima. Nela, celebrou a primeira missa o Padre José Teixeira de Camargo, ordenado em Mariana, nome, hoje da praça frente à Capela, filho do pioneiro Tomás Teixeira.

Em 1822, foi feita, por estas paragens, a primeira vista pastoral. Foi quando aqui esteve o Senhor Bispo Dom Frei José da santíssima Trindade que assim descreveu a Capela aqui existente: “A Capela é pequena, de sorte que a Pia Batismal não permite o seu lugar de resguardo, contudo é toda de pedra. Tem só um altar. Está muito ornada, ainda que sem indecência que escandalize e os ornamentos estão sofríveis. O seu local é sobre uma pedreira que serve de alicerce e a ela vai-se de propósito, porque fica num alto, cm meia dúzia de casas em circunferência; tendo, embaixo e na planície, o Arraial, no fim do qual passa o Rio São João que formoseia o mesmo Arraial e oferece comodidades aos habitantes, enquanto os que moram junto à Capela padecem falta de água para beber, sendo lhes necessário mandá-la buscar abaixo. Seu capelão é o padre José Bernardino de Souza, maior de 60 anos”.

De 1739 a 1765, durante mais ou menos 26 anos, no período em que existia o oratório e durou o da construção da Capela, os capelães vizinhos, principalmente o de Mateus Leme, padre Manoel de Sequeira, assistiam à gente da Passagem do São João. Depois, de 10 de outubro de 1765, data da provisão e sentença do patrimônio, início das atividades da Capela, na povoação Nova Dório São João Acima, durante 75 anos, 5 meses e 15 dias, quando se criou a paróquia pela Lei Provincial n° 209 de 7 de abril de 1841, a Capela foi administrada por capelães, como o citado José Bernardino de Siqueira. Vale à pena dizer, durante estes anos todos, foi filial subordinada à Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Pitangui, distante 40 léguas de Mariana e 120 léguas do Rio de Janeiro.         

 

Por Ana Lúcia Corradi