Itaúna, 28 de junho de 2017

Cadastro

15 de abril de 2017 às 07h00 - Atualizado: 29 de abril de 2017 às 10h22

FOLHA ENTREVISTA - Paulo de Tarso Nogueira, secretário municipal de Regulação Urbana

Paulo de Tarso Nogueira é secretário municipal de Regulação Urbana no governo municipal, filho do casal Irdevan e Cláudia Nogueira, o jovem que é formado em arquitetura pela FUMEC, de Belo Horizonte, cidade onde teve uma construtora e escritório, trabalhou para executar grandes projetos na capital e em Londrina, atuando em grandes construções verticais de alto padrão. Paulo de Tarso tem experiência também em construções na área da saúde. Está com 36 anos e não é filiado a partido político, sendo está à primeira experiência sua no serviço público. Ele é o entrevistado da semana. Confira:

FOLHA – Qual a sua avaliação destes primeiros três meses e poucos dias, na administração pública?

Paulo de Tarso – Nesses três primeiros meses, como é a minha primeira experiência no serviço público, está sendo de muitas surpresas, de desafios. Como gosto muito de Itaúna, quero deixar um trabalho que possa direcionar o desenvolvimento da cidade para daqui uns 50 anos. Encontrei o setor em uma desordem total, o Plano Diretor (PD) foi à Câmara, voltou, essas coisas...

FOLHA – O PD é polêmico, sempre tem causado discussões nas tentativas de alterá-lo. A proposta que estava na Câmara foi retornada para vocês alterarem alguns pontos... Essa nova proposta vai ser debatida, vai ser dado espaço para a comunidade e os profissionais do setor se manifestarem?

Paulo de Tarso – Como disse, antes quando assumimos, encontramos parques abandonados, policlínica com problemas... Para o PD, criamos uma comissão com engenheiros, arquitetos, pessoal do meio ambiente, do jurídico... Já convidei alguns professores da UFMG, vamos convidar os arquitetos da cidade... O PD vai ter de caminhar junto com as leis complementares. Vamos abrir a discussão sim. Ontem mesmo (terça, 11 de abril) tivemos uma reunião no Espaço Cultural com alunos de arquitetura da Universidade, participando.

FOLHA – O jornal tem recebido reclamações, principalmente de construtores da cidade, afirmando que o setor está travado, que não conseguem aprovar os projetos. Por que isto está acontecendo?

Paulo de Tarso – Tempos atrás era muito fácil para aprovar e ocorriam uma série de outros problemas, por exemplo, não tinha muito critério... Temos que pensar, a cidade estava desordenada, porque no futuro teríamos problemas se continuasse assim...

FOLHA – Profissionais da área traçam um paralelo nesta questão, no momento em que se opta por crescimento horizontalizado e se dificulta o crescimento verticalizado, pois ao se buscar a horizontalização, o custo para o município é maior, devido à estrutura que deve oferecer, de asfaltamento, saúde, segurança, educação, a estas novas áreas. Já na questão vertical a estrutura principal já está ali, já tem água, esgoto, asfalto... Qual a sua visão para este fato?

Paulo de Tarso – A expansão urbana tem que ser mais bem pensada. O Centro, hoje, já está muito urbanizado, criando muitos problemas por causa disso. Novas áreas requerem mais investimentos do setor público... O crescimento tem de ser ordenado. É por isso que estamos alterando algumas questões na hora da aprovação dos projetos. As informações básicas tem que ser mais completas. Vamos modernizar essa relação, buscar a informatização da parte documental, ser mais completo na fase inicial para evitar problemas no andamento das obras. Peço mais paciência aos construtores, que tudo vai se acertando.

FOLHA – Existem denúncias antigas quanto a problemas com um funcionário, o Juarez, que foi inclusive afastado do setor em administrações passadas, por isso. Agora, ele foi retornado para o mesmo cargo de antes, e os problemas e as reclamações voltaram. O que você tem a falar sobre isso?

Paulo de Tarso – O que sei é que ele é muito rigoroso. Não vejo esse lado dos problemas. Fiz levantamentos, o que me foi passado e que ele é sério. O que cobro, sempre, é o cumprimento do que diz a lei.

FOLHA – Há também, reclamação de que vocês estariam legislando em várias questões, exigindo o que não estaria no PD. Tem o caso, por exemplo, de exigências no pilotis (andar térreo) dos prédios. É verdade que estão ocorrendo estas exigências que não estariam na atual legislação?

Paulo de Tarso – Isso não posso responder. Chegou alguma coisa a esse respeito e vamos nos reunir hoje para saber do que se trata. Se estiver dentro da lei, se a lei fizer estas exigências... Vamos analisar, mas como disse, se estiver dentro da lei, vamos exigir.

FOLHA – Foi aprovado recentemente na Câmara, em primeira votação, e deve retornar para segunda votação, projeto de acessibilidade que condiciona o habite-se a essas exigências. Não define, na proposta, a partir de quando, de que momento, será cobrada essa acessibilidade. Isso pode trazer problemas para os prédios que já estão construídos, mas que ainda não têm o habite-se. O que você acha desta nova exigência?

Paulo de Tarso – Entendo que o que já está pronto, não tem como alterar. O que vejo é que, a partir de agora, do projeto, seja exigido. Temos o caso de uma clínica, por exemplo, já vir com a acessibilidade aos idosos. Sou favorável nos prédios públicos. Isso é necessário...

FOLHA – Você, que esteve fora uns tempos, pode ter uma visão mais ampliada, como profissional, inclusive. Como você vê a questão das praças, avenidas (muitas ainda ‘no meio do caminho’, incompletas), com vários problemas. Qual a sua visão, num todo, para estes casos?

Paulo de Tarso – Estamos buscando vários programas para dar solução a estes problemas. Tem o “Adote Um Verde”, por exemplo. Vamos dar uma modernizada na proposta. Os quatro parques, que encontramos em estado deplorável, sem utilização. Tem o caso de mais de 150 postes no bairro Veredas, estamos estudando uma maneira jurídica de retirar esse material de lá e utilizar melhor em outras áreas. No Sindimei, inaugurado recentemente, vamos procurar parcerias, com o Educare, com a Polícia Militar, para utilizar a área. Vamos rever também a questão da iluminação em vários pontos.

FOLHA – A área central tem muitos problemas, por ser mais antiga, os passeios são estreitos, por exemplo. Com a retirada da Prefeitura e do Fórum, que vão para um novo espaço, o que pode ser melhorado? Tem, inclusive um projeto do CDE, para a criação de um shopping a céu aberto... O que você pensa para a área central?

Paulo de Tarso – É pensamento meu, rever a utilização desta área central, com a mudança (da Prefeitura e do Fórum). Junto com o Audrey (gerente do trânsito), resolvemos muitos problemas de trafegabilidade no centro e em pontos específicos do município. Estamos melhorando. No centro, na Praça da Matriz, acho interessante aquela área se tornar um centro de cultura. Na Praça do Museu (onde ocorreu um problema sério, com os bancos sendo arrancados sem nosso consentimento, pois não é assim que se resolve um problema), vamos trabalhar com a revitalização do entorno, tornar o local mais agradável para as pessoas.

FOLHA – Voltando à área central, vários trechos ali podem ser fechados, com passeios amplos, priorizando o cidadão, o pedestre e não os veículos. Qual sua visão disso?

Paulo de Tarso – Temos vários projetos. Fizemos reunião com os taxistas, que hoje ocupam, acho que em torno de 27 vagas de estacionamento, para a implantação de um aplicativo, para que eles circulem pela cidade e não tenham a necessidade de ficar ali, parados, à espera de um possível cliente. Com a municipalização do trânsito, vai voltar o rotativo. Em relação aos ônibus, nos reunimos com a direção da empresa, propondo a implantação de ar condicionado, de mais conforto nos ônibus, com poltronas novas e melhores, o que vai gerar maior utilização do transporte público e diminuir o fluxo de veículos...

FOLHA – A Praça da Matriz tem um grave problema de iluminação que não foi solucionado, ainda. O que vai ser feito?
Paulo de Tarso – Estamos revendo esta questão. Vai ser criada uma gerência de iluminação, para estudarmos estas questões todas.

FOLHA – E a iluminação do trevo? Em que pé está?

Paulo de Tarso – Vamos ter uma reunião com a concessionária da rodovia. Vamos propor a troca de favores para solucionar a questão.

FOLHA – Quanto à questão do grande número de vendedores ambulantes na cidade. O que vai ser feito? Vai aumentar a fiscalização?

Paulo de Tarso – Temos a Gerência de Posturas fazendo cursos, se atualizando. Vamos fiscalizar. Estamos sentindo uma invasão de mendigos, por exemplo. Temos de aprimorar as ações neste setor...

FOLHA – Voltando à questão da área central, você conhece o projeto em parceria com o CDE, citado anteriormente?

Paulo de Tarso – Não, não conheço. Nós temos prioridades de atuação, nas áreas de saúde, educação, lazer... vamos atuar para melhorar as estruturas do município...

FOLHA – Você tem previsão de concluir a ligação da Avenida Gabriel Pereira Lima, com a São João, no Morro do Engenho, que inclusive já teria recursos disponibilizados?

Paulo de Tarso – Todos os projetos do sistema viário, estamos estudando e vamos dar solução. Inclusive, está em andamento a obra de instalação de uma rotatória, no início desta avenida. Vamos buscar melhorar o sistema.

FOLHA – Itaúna tem um problema sério, tendo ficado sem ele por um bom tempo, que são os quebra-molas. Qual a sua visão para esta questão, em particular?

Paulo de Tarso – Estamos fazendo estudos para ver onde é necessário. Pedimos um relatório para analisar o problema e detectamos a existência de 58 quebra-molas errados. Vamos ter pessoas ligadas à área para educar os motoristas, com a municipalização do trânsito. Vamos atuar neste sentido, da educação. Usar radares, etc...

FOLHA – Você citou a municipalização do trânsito por duas vezes. Como está o projeto?

Paulo de Tarso – Estamos em fase de minutar o projeto, que deve ir para a Câmara, em breve.

FOLHA – Foi realizada uma operação tapa-buracos, recentemente. Os corredores de trânsito principais da cidade precisam ter o piso refeito. Isto já está sendo discutido na administração, inclusive para a busca de recursos?

Paulo de Tarso – O que observamos é que o pessoal “jogava” um centímetro de asfalto, que não durava nada. Estamos usando 6 centímetros, como nos asfaltos recentes que fizemos (São Geraldo. Bairro Vitória, ambos já definidos em projetos da administração passada). Estamos pensando também na questão da captação pluvial. Na Jove Soares (que se transforma num cocho, para onde escorre toda a água do entorno), existem umas vigas internas que causam problemas para o escoamento. O Ramalho me explicou isso... Vamos trabalhar neste sentido.

FOLHA – Como primeira experiência no serviço público, como está sentindo o desenrolar das coisas?

Paulo de Tarso – Estou muito feliz com a oportunidade. A cidade é muito gostosa, queremos pensar Itaúna para os próximos 50 anos.

FOLHA – Alguma novidade que você poderia anunciar, para concluirmos esta entrevista?

Paulo de Tarso – Sim, estamos buscando a revitalização do mercado municipal para que ele volte a funcionar como mercado mesmo... e anunciamos que já acertamos com a Cohab a construção de 200 unidades habitacionais para Itaúna. Já acertamos com a Cohab e estamos escolhendo a área.