Itaúna, 18 de dezembro de 2017

Cadastro

12 de agosto de 2017 às 07h00 - Atualizado: 12 de agosto de 2017 às 08h43

Folha Entrevista: Lucimar Nunes Nogueira (Lucinho de Santanense)

O entrevistado da FOLHA nesta semana é o vereador Lucimar Nunes Nogueira, o Lucinho de Santanense. Ele está no seu quarto mandato, tendo sido candidato em cinco oportunidades. Da primeira vez, em 2000, pelo PSB, obteve 375 votos e só não foi eleito por 26 votos. Na eleição seguinte, também pelo PSB, foi eleito e reeleito. Depois, teve uma eleição pelo PT e, agora, novamente pelo PSB. É divorciado e pai de 1 filho. Construiu sua vida política junto ao meio esportivo, tendo sido dirigente de escolinhas de futebol, em Santanense, por 28 anos. “Passaram pelas escolinhas cerca de 10 mil atletas, nestes anos”, diz com orgulho. Atualmente, Lucinho promove duas disputas para atletas com idade acima dos 16 anos, por ano. É o Campeonato de Futebol Amador de Santanense.

FOLHA – Lucinho, o que o motivou a se candidatar, a entrar para o meio político?

Lucinho – Sempre mexi com as escolinhas de futebol e, com isso, conseguia também muita coisa para o bairro. Aí, em 2000, os pais dos meus alunos do futebol me incentivaram. Falaram comigo para eu tentar. Fui candidato e tive 375 votos, todos em Santanense. Não fui eleito por 26 votos. Aí, em 2004 tornei a me candidatar, já com mais força e consegui a eleição.

FOLHA – Você está no quarto mandato. Qual é o seu conceito sobre o Legislativo? O que pode fazer esse poder?

Lucinho – O Legislativo tem a chave nas mãos. Pode fazer muita coisa. Precisa se unir. Neste mandato, estamos devendo, mas podemos e, se Deus quiser, vamos fazer muito ainda, pois é um espaço muito importante para se conquistar as coisas para a comunidade.

FOLHA – Por que o Legislativo itaunense está devendo, em sua opinião?

Lucinho – Falta diálogo, não só entre a gente, mas com o Executivo, também. É preciso parar de fazer as coisas em grupos, em grupinhos. Lá (na Câmara) está tendo muito isso, de grupinho. É preciso parar com isso.

FOLHA – Qual análise você faz do atual prefeito?

Lucinho – De uma escala de 0 a 10 eu daria 4,5. Precisamos melhorar muita coisa. Por exemplo: usaram muito a taxa do lixo. Hoje o povo está vendo que estávamos certos quando aprovamos o seu desmembramento do IPTU. Na época mandaram cartinhas para as pessoas, na região onde mais atuo (de Santanense), falando que eu votei na taxa do lixo. O serviço era bem feito, por um preço justo, hoje estão vendo que não era como diziam...

FOLHA – Você tocou num ponto polêmico. Como você vê essa questão da terceirização do serviço do lixo?

Lucinho – Estamos olhando com carinho. Não tenho ainda uma opinião formada, estou estudando...

FOLHA – Como cidadão, como você está vendo esta terceirização?

Lucinho – O povo não quer e não vou ficar contra o povo. Quando votei na taxa do lixo, votei consciente da necessidade, o serviço era um dos melhores que já tivemos e precisava ser mantido. E como disse, concorrentes meus usaram muito isso. Agora a situação é outra, e a população não está querendo, então, temos de avaliar muito bem esse caso, se informar melhor... Não estava em Itaúna quando aconteceu à mudança, vou analisar bem, mas não vou ficar a favor de uma coisa que prejudique a população, a cidade...

FOLHA – Com quatro mandatos, você conviveu com vários presidentes do Legislativo. Que avaliação você faz do atual presidente?

Lucinho – Com todos eu tive muito diálogo, me relacionei muito bem com todos eles e estou me dando bem com o atual, também. Até o momento, só tenho o que agradecer.

FOLHA – Você já falou que está faltando diálogo entre vocês e também com o Executivo. Isso trava a cidade? O que fazer para melhorar?

Lucinho – Trava sim. Já conversei com o Diego (Alisson Diego, secretário de Governo). Falei com ele para chamar todos os vereadores, os 17, conversar com a gente e estabelecer um diálogo. A situação está fácil de resolver, é só reunir e unir o pessoal em favor da cidade.

FOLHA – Quais os principais e mais urgentes problemas de Itaúna?

Lucinho – Em primeiro lugar, a saúde. Precisa melhorar muito. Melhorou em algumas coisas, mas é necessário melhorar em muitas outras, e urgente. Outro setor é na questão da pavimentação. Nos bairros estamos razoáveis. Conseguimos recursos, no mandato passado, pavimentamos várias ruas. O ex-prefeito também liberou alguma coisa pra gente, mas a área central está precisando ser toda recapeada. É preciso recapear todo o asfalto da área central...

FOLHA – A cidade passa por momentos complicados. Mendigos pra todo lado, as ruas cheias de cachorros. Por que não se toma uma medida mais efetiva sobre esses casos?

Lucinho – Já fui acionado várias vezes para solucionar problemas em relação aos mendigos. A situação é fácil de resolver, porém precisa ser efetiva, é preciso tirá-los das ruas e encaminhar para alguma entidade que os atenda e fiscalizar os casos daqueles que não querem sair das ruas. Quanto aos cachorros, tem uma parceria com a AIDA, encaminhada. É preciso recolher os cães e levá-los para um lugar adequado. Solução tem. Precisa procurar os empresários para encontrar a solução melhor. Dependemos, Itaúna depende, muito dos empresários e é preciso fazer uma parceria boa com eles.

FOLHA – Na reunião da Câmara o assunto sobre a paralisação da obra da nova sede da Prefeitura foi abordado pelo vereador Antônio de Miranda. O dinheiro está no caixa da Prefeitura e a obra está parada. O que você acha disso?

Lucinho – Concordo com o Toinzinho (Antônio de Miranda, vereador). Conversei com um amigo e um engenheiro, outro dia e fiquei sabendo que a licitação para a conclusão daquele prédio está andando. Quando o ex-prefeito foi fazer o negócio do prédio antigo, para construir esse novo, votei favorável porque o prédio atual tem muitos problemas. Foi bem vendido. Se eu tivesse dinheiro, não teria coragem de comprar aquilo lá, aquele prédio vai ter que ser desmanchado... Chove lá dentro mais do que lá fora... E a nova Prefeitura vai trazer economia e mais conforto para o cidadão, sem falar que vai estar tudo num mesmo lugar...

FOLHA – Falando em obra parada, você tem informação que a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) está parada e que o município pode até perder os R$ 15 milhões que o Osmando (ex-prefeito) conseguiu?

Lucinho – Tenho esta informação sim. Já estamos olhando isso, não pode parar uma obra daquela...

FOLHA – Sua formação política é na área do esporte... Você considera que o meio esportivo tem progredido, as ações estão sendo eficientes?
Lucinho – Hoje estou vendo uma coisa muito boa. Todo bairro tem pelo menos um torneio society (soçaite) de futebol. Melhorou bastante nos últimos anos. No governo passado arrumamos todos os campos. Tem uma evolução muito grande, mas é preciso lembrar que nós não podemos apoiar só o futebol, temos de apoiar todas as modalidades. Hoje eu atuo em todas as áreas e em algumas coisas temos sido atendidos neste governo também.

FOLHA – Nestes quatro mandatos você tem vários projetos apresentados e aprovados. Quais os que você destacaria?

Lucinho – Realmente são vários projetos, mas têm quatro que eu destaco. O de número 65/2011, que trata da obrigatoriedade da utilização de lona cobrindo caçambas e congêneres, nos caminhões, ao trafegarem no centro da cidade. Inclusive quero destacar que ultimamente esta lei não tem sido observada pela maioria dos transportadores. Outro projeto que se transformou em lei, é o de número 10/2011, que inclusive foi copiado por diversas Câmaras do Estado, que é o que institui o programa municipal de combate e prevenção ao bulling. O projeto de número 74/2017 é mais atual e cria o Programa de Preparação para a Aposentadoria – PPA, para os servidores públicos. Essa é uma preocupação que a gente tem com os servidores que vão se aposentar e não se preparam para vivenciar esse período pós-aposentadoria. E, finalmente, o projeto 103/2017, que obriga os estabelecimentos comerciais do tipo hotéis, motéis, casas noturnas e assemelhados a divulgar, por meio de afixação de placas, os crimes sexuais, principalmente, contra crianças e adolescentes. Quero destacar, ainda, que o vereador é muito limitado nesta questão de proposição de projetos, pois a iniciativa da maioria dos temas é do Executivo.

FOLHA – Voltando à questão do lixo, a reportagem sentiu que já há um movimento para se instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do lixo, na Câmara. Você já sentiu isso também? Já foi procurado para falar sobre o assunto?

Lucinho – Procurado ainda não, mas já ouvi sobre isso nos corredores. As pessoas estão muito contrárias ao que está sendo feito, como já disse. E parece que há sim um movimento neste sentido...

FOLHA – O Neider (prefeito) fez campanha centrada na melhora da saúde. Mas as queixas são de que as coisas não estão andando. Qual a sua visão, nesta área?
Lucinho – Foi falado muito sobre a saúde (na campanha) mesmo. Eu, como vereador de rua (está sempre nas ruas, em contato com o povo, como afirmou) tenho ouvido muitas reclamações. Tá precisando melhorar muito!

FOLHA – Você já falou que é um “vereador da rua”. Qual a maneira mais fácil de ter acesso a você?

Lucinho – Estamos sempre à disposição, mas me encontrar na Câmara é difícil, pois estou sempre nas ruas, atuando para buscar solução para os problemas. Então, temos uma página no Face (Facebook). Ela é aberta e eu aceito todo mundo. Lá, no Face, atendemos a todos que nos acessam, estou presente onde sou chamado. Em três meses, já temos cerca de 3 mil seguidores na nossa página.

FOLHA – No ano que vem tem eleição e Itaúna está sem um representante, tanto na Assembleia quanto na Câmara. Você acha que é importante ter esse representante? O que é preciso para consegui-lo?

Lucinho – É muito importante sim, Para conseguir eleger nossos representantes é preciso parar com a picuinha que existe, gente lançando candidato só para atrapalhar o outro. É preciso se unir em favor da cidade, porque assim, temos condições de eleger tanto o federal quanto o estadual (deputados). E parar de abraçar candidatos de fora.

FOLHA – Em pesquisa do Instituto Tiradentes, você foi apontado como um dos três melhores vereadores de Itaúna. A que se deve esse resultado? À sua maneira de atuar, ou a um conjunto de coisas?

Lucinho – Ao meu gabinete. Em sete meses deste mandato, temos desenvolvido um trabalho em conjunto para atender à população da melhor maneira possível. Sou transparente, sei que o povo não está satisfeito nem com a Câmara nem com a Administração Municipal. Gostaria que fossem indicados os 17 vereadores, mas eles apontam três e, felizmente, fui um deles. Talvez pelo fato de estar na rua, junto das pessoas, ouvindo, participando com a população, dos problemas. Atuo na Comissão de Direitos Humanos e tenho sentido mais de perto os problemas da população. Trabalho, por exemplo, na questão do combate à criminalidade. Temos atuado para buscar alternativas para que a cidade tenha um presídio. A cadeia Pública tem capacidade para 54 presos e já teve 250, hoje está com 200. A vivência desses problemas, com as pessoas, é que me levam a ser apontado. E eu agradeço muito este reconhecimento e digo que vamos fazer de tudo para melhorar cada vez mais.

FOLHA – Para concluir, o que você tem a dizer para a população?

Lucinho – Apesar de saber que a população já perdeu a paciência, peço só mais um pouco de calma. Temos que esquecer o passado (os políticos) e passar a viver o presente e o futuro de Itaúna. Aí as coisas vão melhorar.