Itaúna, 18 de agosto de 2017

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08 de abril de 2017 às 07h00 - Atualizado: 15 de abril de 2017 às 09h57

Folha Entrevista - Alexandre Campos

Alexandre Campos é um dos representantes da nova classe política de Itaúna. Tem apenas 23 anos, porém, o jovem já tem mais experiência que alguns veteranos em idade. Em sua segunda candidatura, se elegeu vereador pelo PMDB, com 861 votos. Na primeira tentativa, pelo PSC, obteve 298 votos. Atualmente é presidente da executiva itaunense do PMDB, além de ser o (1º secretário do PMDB Jovem de Minas Gerais). Já assessorou os deputados federais Rodrigo Pacheco e Marcos Lima. É “sobrinho e afilhado” do deputado estadual Anselmo Domingues e filho de Saulo Campos (conhecido como Saulinho do PT). Alexandre cursa Engenharia Civil na UI e falou à FOLHA sobre suas experiências na política, sem se esquecer de questionar os “acordos não cumpridos”, pelo atual prefeito, a quem apoiou nas últimas eleições.

FOLHA – Faça uma avaliação destes primeiros 100 dias desta legislatura, da Câmara Municipal?

Alexandre Campos – Acho que tem alguns projetos importantes na Câmara para serem discutidos e votados, como o do Plano Diretor e este agora, que regulamenta questões da realização do Carnaval. Eu já apresentei e aprovei três projetos e tenho mais três apresentados, que já foram lidos e devem ir à discussão em breve. Temos uma Câmara experiente, mas ainda é cedo para uma avaliação.

FOLHA – Você apoiou a candidatura do prefeito Neider, e foi um dos responsáveis pelas articulações de bastidores, inclusive com o seu partido oferecendo o vice na chapa vitoriosa. Faça uma avaliação das ações da administração, nestes primeiros meses de mandato.

Alexandre Campos – Acredito que o prefeito tem as melhores das intenções, ele é uma pessoa capacitada. Porém, acredito que a formação do primeiro escalão e até da sua assessoria mais direta, não foi e não tem sido acertada.

FOLHA – A sua postura nas últimas semanas demonstra que você não aprova muita coisa que vem sendo realizada. Isto seria uma demonstração de insatisfação?

Alexandre Campos – Sim. Trabalhamos na campanha com os pilares de apresentar uma mudança na maneira de fazer política; em mudar a maneira de cobrar a taxa de lixo, por exemplo, alterando principalmente a relação com as pessoas mais carentes... E neste caso, já apresentei dois pedidos de informação e de estudo para a implantação de uma tarifa social. Mas, veja: em novembro a Prefeitura tinha 2.700 funcionários, hoje já estamos com 2.500, mais um processo seletivo no SAAE e outro na Prefeitura para vir. Daqui a pouco vamos chegar e, até ultrapassar esse total.

FOLHA – Diante disso, você quer dizer que o Neider não está cumprindo as promessas de campanha?

Alexandre Campos – Não está. Nesses primeiros 100 dias, não. Inclusive, como já disse, fiz duas cobranças, já, em relação à taxa do lixo, à mudança na maneira de cobrar, com a sugestão de implantação da tarifa social para famílias carentes, mas estou sem resposta.

FOLHA – O que estaria emperrando a máquina?

Alexandre Campos – Acho que o assessoramento dele (do prefeito) está deixando a desejar. São muitas pessoas ligadas à iniciativa privada, sem conhecimento do meio político, da coisa pública... de como devem andar as coisas... Isso pode estar atrapalhando.

FOLHA – De uma maneira sucinta, em uma rápida análise, você acha que esta Câmara (a sua composição) está no mesmo patamar das anteriores?

Alexandre Campos – Acho que não, há uma diferença, e para melhor. Tem pessoas experientes que voltaram para a Câmara, como o Tõezinho e a Gláucia, e outros vereadores experientes... O Hudson, Giordane... Enfim, um grupo bom de vereadores, que estão com as melhores intenções. Vejo que não é uma Câmara fácil para o Executivo lidar, pela experiência dos vereadores...

FOLHA – O fato de serem experientes não pode ser também um facilitador para o Executivo?

Alexandre Campos – Não, não. É preciso mais diálogo com uma Câmara assim.

FOLHA – A eleição do presidente da Câmara, o Senhor Márcio Pinto, foi resultado de um acordo amplo?

Alexandre Campos – Sim, primeiro tínhamos o Hudson e o Marcinho querendo (a Presidência). Aí o Hudson abriu mão e nós fechamos um acordo, com participação do prefeito, do vice-prefeito, dos secretários...

FOLHA – E como você avalia a atuação do presidente, até aqui?

Alexandre Campos – Ele, o Marcinho, está empenhando, querendo acertar, com a melhor das intenções, tentando desvincular a administração da Câmara, da sua amizade com o prefeito. Às vezes, escorrega, como ontem (terça-feira, 4 de abril), quando permitiu a presença do procurador-geral na Mesa, quando debatíamos proposta do Executivo.

FOLHA – Você falou sobre projetos importantes que estão na Câmara. Além do Plano Diretor, qual outro você destacaria?

Alexandre Campos – Como falei, tem esse projeto que propõe regras para o carnaval, um carnaval que já foi realizado...Sinceramente!

FOLHA – Qual a sua postura ante este projeto? (que ratifica – inclusive os gastos – os atos da Administração no Carnaval 2017)

Alexandre Campos – De antemão, sem conhecer as justificativas, sem receber as explicações conforme pediu o vereador Antônio de Miranda (Tõezinho), sou contrário. Vamos receber as informações, analisar... Mas acho que vou votar contra, pelo que entendi até aqui.

FOLHA – Na reunião de ontem (terça, 4/4) foi falado na Câmara sobre a suspensão do concurso e formação de uma comissão para analisá-lo. O concurso está, diríamos, sub judice (em julgamento). Os problemas, como teria se pronunciado o TC (Tribunal de Contas), podem ser sanados. Você concorda com a suspensão, da forma anunciada?

Alexandre Campos – Já estivemos com o Neider, eu, a vereadora Gláucia e o vereador Anselmo, acompanhados de representantes dos aprovados. Acho que deveríamos procurar sanar os problemas e não ‘levantar’ mais problemas como está se propondo. Vamos remarcar com ele (prefeito) para rediscutir esta questão. Sou a favor da formação de uma comissão para sanar os problemas, como proposto anteriormente.

FOLHA – Houve o que algumas pessoas chamaram de atropelo, por parte do presidente da Câmara, na reunião da terça-feira, 4 de abril, quando ele insistiu na presença do procurador-geral do Município, junto à mesa da Câmara, acompanhando a reunião. Qual a sua conclusão deste ato?

Alexandre Campos – Acredito que ele (o procurador) estava lá para acompanhar a discussão sobre o projeto do Carnaval (que ratifica os atos da Administração no Carnaval 2017). É um assunto polêmico e a presença do procurador-geral, não da pessoa dele, poderia inibir alguns vereadores, por isso invoquei o artigo 86 do Regimento da Câmara.

FOLHA – O fato de o presidente ter a prerrogativa de falar à hora que assim desejar, e outros problemas que têm ocorrido, estaria provocando um clima tenso na Câmara, conforme ouvimos de algumas pessoas. Você concorda com esta observação?

Alexandre Campos – Em parte sim. Mas não é só por isso, é por causa de algumas situações ligadas ao presidente, mais pelo relacionamento entre os poderes. Estão ocorrendo problemas que estão dificultando o diálogo. Tanto por parte do Executivo, quanto do Legislativo. Está havendo certo distanciamento...

FOLHA – Surgiram alguns comentários de que sua postura quase que de oposição, na Câmara, seria por causa de acordos não cumpridos pelo prefeito, inclusive envolvendo a nomeação do seu pai, Saulo Campos, para o cargo de secretário. O que você tem a dizer?

Alexandre Campos – Este fato de os acordos não terem sido cumpridos, inclusive o da nomeação do meu pai, Saulo Campos, para a Secretaria de Regulação Urbana – cargo para o qual ele tem amplas condições de exercer, pois é profissional da área e até representante da categoria na associação de classe – ocorreram mesmo. O PMDB foi atendido em parte, mas mais com pessoas ligadas ao vice-prefeito, não ao partido. Não estamos cobrando isso, muito menos atrapalhando a administração. Mas estamos atuando em uma posição de independência. Tanto eu, quanto o outro vereador do PMDB, o Giordane.


FOLHA – PMDB e PSDB são os dois grandes partidos de Itaúna e isso torna os partidos alvo de interesses. Você tem parte do comando do PMDB. Mas, dizem que já haveria um racha no partido e que o vice-prefeito estaria na outra ala, conversas de bastidores apontam para uma possível ação de ‘tomada’ do partido por ele. O que você acha disso?

Alexandre Campos – Difícil, pois o vice tem uma postura diferente de política partidária. Eu apoio o partido, e não estou filiado só para usufruir do partido. Sempre apoiamos os candidatos do partido, inclusive já estamos decididos em apoiar o deputado Rodrigo Pacheco na reeleição para deputado federal. Vamos ter eleições da executiva em agosto, decidindo no voto e acredito que o vice não tem os votos necessários para ter a maioria.

FOLHA – Você tem um “tio torto”, que é o deputado estadual Anselmo Domingues. Disse que apoia os candidatos do seu partido, ele é do PTC, você já teria o apoiado... Como fica isso na família?

Alexandre Campos – Em 2010, quando ele foi candidato, eu era do PSC. Só me filiei ao PMDB, depois. Ele é meu “tio torto” e meu padrinho, também. Mas o relacionamento é muito bom. Tento ajudar no que me for possível, mas não temos compromisso político.

FOLHA – Quais são suas pretensões. Vai seguir a carreira política?

Alexandre Campos – Tenho pretensão de concluir esse mandato, bem. Consegui até aqui coisas simples, como uma academia para a comunidade e recursos para a construção de elevadores no Hospital, no valor de R$ 250 mil. Estou conversando com os senadores Zezé Perrela (PMDB) e Anastasia (PSDB) para conseguir mais alguns benefícios para a cidade. Quero fazer um bom mandato, concluir bem e, depois, pensar pra frente.

FOLHA – Você falou em senador do PSDB. No Governo federal os partidos estão juntos, no Estado estaria ocorrendo uma aproximação...

Alexandre Campos – Sim, fala-se em uma chapa com Anastasia para governador e com Rodrigo Pacheco, para vice...

FOLHA – E aqui em Itaúna? Falam que o ex-prefeito Osmando, pode ser candidato a deputado estadual. Você e o PMDB o apoiariam?

Alexandre Campos – Sim, esta aproximação pode se refletir aqui também. Sempre tive boas conversas com o ex-prefeito. Não o apoiei por questões de partido político. Em um primeiro momento eu falo que não apoiaria a sua candidatura, mas pode vir a acontecer sim, caso haja um acordo amplo. Como disse, pratico a política partidária.

FOLHA – Diante de tudo que já foi dito aqui, que recado político e administrativo você mandaria para o Neider?

Alexandre Campos – O recado é que ele deveria fazer uma avaliação desses 100 dias, das nomeações que fez e também avaliar os principais problemas da cidade, pois dentro e fora da administração tem diferenças... Desejo sucesso a ele e digo que pode contar com o vereador Alexandre para todos os assuntos de interesse de Itaúna, da população itaunense.

FOLHA – E para o presidente da Câmara?

Alexandre Campos – Digo que teve meu apoio na eleição e teve até aqui, mas deve reavaliar a sua postura, pensar na independência que o Legislativo deve e precisa ter, para não repetir o que ocorreu ontem (terça-feira, 4 de abril).