Itaúna, 28 de novembro de 2014

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20 de abril de 2013 às 00h00 - Atualizado: 20 de abril de 2013 às 08h23

Barragem de rejeitos da MMX

Fauna e flora serão soterradas pelo lixo

Aves protegidas contra comércio internacional também estão ameaçadas

Na edição do último dia 06, a FOLHA publicou reportagem sobre os riscos oferecidos pela construção da barragem de rejeitos da MMX Mineração, no povoado de Ponta da Serra, em Itatiaiuçu, aos recursos hídricos da região. Nesta semana, ainda de acordo com o Estudo de Impacto Ambiental – EIA e o Relatório de Impacto Ambiental – Rima, elaborados a pedido da empresa para avaliar os impactos do empreendimento, o destaque são os reflexos negativos que a instalação da barragem pode trazer para a vegetação nativa e a fauna.

Segundo o item 3.3.3.2 do EIA, a medida que a barragem for sendo preenchida pelos rejeitos, que são os resíduos do processo de beneficiamento do minério, toda a cobertura vegetal será devastada, assim como as demais formas de vida ali existentes. Outro ponto crítico e que também será prejudicado serão as Áreas de Proteção Permanente (APP), que ficam a 30 metros da margem ciliar dos rios e 50 metros do entorno das nascentes, que correspondem a 21% da área total da barragem.

Já no Rima foram listados todos as espécies de plantas, incluindo árvores frutíferas e ornamentais, e de animais que serão mortos ou deixaram a região pela falta de abrigo após a construção da barragem. Com relação à vegetação, dos 1.877,04 hectares que serão consumidos pelo empreendimento, 305 hectares, cerca de 16%, são compostos de florestas estacionais, que fazem parte do ecossistema da Mata Atlântica. Além de outros 272,29 hectares que são chamados de pastos sujos, ou seja, possuem árvores isoladas, que também serão cortadas.

A barragem irá destruir 859,63 hectares de florestas e pastos; enquanto o duto de rejeitos, que transportará o material da mineradora até o povoado de Ponta da Serra, 911,92 hectares; e a pilha de rejeitos, 105,49 hectares.

Ainda no Rima, foram listados também os répteis, mamíferos, anfíbios, peixes e aves que poderão ser mortos devido ao impacto da construção da barragem. Entre os animais encontrados estão diversas espécies de sapos; marsupiais, gambás e pequenos roedores; lambaris, tilápias, piranhas, carpas e bagres. Entre as aves, foram encontradas três espécies listadas no Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção - CITES 2011: o Urubu-rei, o Araci-de-bico-branco e o Tucanuçu (foto), animais que devem ser preservadas e protegidas do comércio internacional.