Itaúna, 19 de novembro de 2018

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03 de novembro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 10 de novembro de 2018 às 09h54

Em favor da ética e do caráter

Por muitas vezes frisamos que Itaúna é uma cidade ímpar. Que aqui, como em qualquer outro lugar mundo afora, existem questiúnculas que, às vezes, não são muito bem explicadas e que acabam por comprometer posicionamentos administrativos e políticos que poderiam trazer benefícios para a comunidade num todo. Infelizmente, além de ímpar, Itaúna, apesar do visível crescimento, do elevado nível cultural, político e acadêmico de grande parcela da população, não passa de um povoado encravado no interior das Minas Gerais. E fica fácil mostrar e provar isso, pois as “picuinhas” políticas, o coronelismo desacerbado dos que estão não poder ou brigam para mantê-lo evidenciam isso. E, exatamente por causa destas questões, há muitos anos, pelo menos há três décadas, somos críticos das nossas gestões públicas que, rotineiramente, com maior ou menor expressão, são geridas como se fossem negócios particulares. Alguns casos aqui na terrinha de Borba Gato são famosos e de domínio público, como o da Fundação Universidade Itaúna (elevada faz alguns anos ao status de instituição de um dono só), que foi surrupiada na calada da noite por um “grupinho”, mesmo com as constantes denúncias de irregularidades, expostas no passado, inclusive na Justiça. Mas isto é passado, pois a cidade acomodou-se.
Infelizmente, Itaúna é ímpar. E, assim sendo, as coisas acontecem de forma não muito “benta” e as pessoas assistem passivamente e os escalabros administrativos e antiéticos vão prosseguindo anos a fio. Mas existem atitudes antiéticas que precisam ser levadas ao conhecimento público para que a sociedade saiba posicionar-se quando seus direitos forem cerceados graças aos devaneios de alguns, em nossa opinião, esquizofrênicos que pensam que o poder lhes dá o direito de prejudicar pessoas simples, que estão apenas lutando por um lugar ao sol. Qualquer cidadão tem o direito de reivindicar declarações, certidões e documentos públicos e de escolher como se posicionar. Qualquer negativa que venha de dirigente de instituição pública ou mesmo privada ou de qualquer órgão das administrações, direta e indireta, deve ser denunciada. Esta é a única maneira de coibir os abusos que estão sendo cometidos por gestores públicos em Itaúna, que se acham os donos das repartições públicas e das instituições que foram erguidas com dinheiro público e com doações de itaunenses.
Além das ações incautas, os homens investidos em cargos públicos por meio do voto, da escolha de confiança ou por compromisso político não podem confundir as diferenças pessoais com as diferenças da vida pública e política, como vem sendo demonstrado constantemente em atitudes absurdas, autoritárias e até ilegais, que já suplantam as leis, o direito constitucional e, mais que isso, o direito de exercer a cidadania. É inadmissível o que está fazendo o chefe de gabinete do senhor prefeito, exercendo o terror, chantageando funcionários públicos que precisam “ganhar o pão de cada dia” e que, pelo fato de terem sido “indicadas” por vereadores, agora podem pagar o preço, caso o seu “padrinho” não faça o que o prefeito quer, votando em seu candidato predileto para a eleição da presidência da Câmara. É absurdo, antiético, mesquinho e de uma covardia doentia. Vão alegar que é a prática no jogo político do toma lá dá cá. E isto ainda expõe mais as escolhas políticas erradas e escancara a falta de preparo dos que estão exercendo o poder e dos que detêm cargo público por indicação de confiança, caso do Chefe de Gabinete do prefeito.
O que podemos sugerir aos que estão sendo pressionados, independente de qualquer questão política e/ou social, é que todos tenham a coragem de mostrar a cara, denunciando não só a imprensa, mas principalmente a Justiça, mesmo que alguns “poderosos” transitem com desenvoltura pelos corredores dos Fóruns. Não sabemos se de fato eles têm trânsito, mas pelo menos arrotam isto nos corredores dos prédios públicos do Executivo e do Legislativo e nas majestosas salas dos poderes constituídos. Já chega. É hora do basta e principalmente de se erguer a bandeira em favor da verdade, da ética do meio político, anticorrupção e em favor do caráter dos homens públicos. As “falcatruas” propostas dentro dos gabinetes precisam chegar ao conhecimento do cidadão comum.