Itaúna, 21 de maio de 2018

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13 de janeiro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 20 de janeiro de 2018 às 10h27

É privada e tem que pagar

A Universidade de Itaúna é mantida por uma fundação privada e tem que pagar pelos serviços “públicos”. Essa é minha opinião. Ela já recebeu ao longo dos seus 53 anos de fundação, incentivos de monta, e que vieram dos cofres públicos federal, estadual e principalmente do municipal. Então, hoje, com um faturamento invejável, e dizem, com milhões em caixa, ela não tem que ser beneficiada em nada, muito menos com serviços prestados pelo município. O assunto é polêmico e vai, com certeza, ser discutido na Justiça, se não houver um acordo entre a “magnificência” e o prefeito. E é possível que esse acordo ocorra, se o reitor não “trepar nas tamancas”, como lhe é peculiar.
Mas vamos aos fatos. As informações são de que a Universidade de Itaúna nunca pagou pelos serviços de manutenção de iluminação no Campus Universitário. Consta que a instituição já foi notificada pela prefeitura e que o assunto deve ser discutido em breve entre seus representantes, juntamente com os da prefeitura e Cemig. Apuramos que o município, com base em resolução da Aneel, concluiu que a Universidade vai se encaixar no entendimento de que os condomínios fechados devem pagar pelos serviços de iluminação em suas vias. O campus da UIT é fechado, tem portaria e seu acesso é controlado, portanto é particular. O assunto é de fato polêmico, mas no caso da UIT, concordamos que a cobrança deve ser feita e a Universidade deve pagar pelos serviços, pois até hoje, ao que parece, quem está pagando a conta é o povo itaunense, como sempre. Pois quando o assunto é a Universidade, que em meu precário entendimento, é mesmo particular e não faz o papel de filantrópica, objetivo primeiro quando de sua fundação em 26 de novembro de 1965, o povo é quem “paga o pato”.
E assim, para justificar nossa opinião, podemos afirmar que a nossa hoje grande Universidade só existe por causa de iniciativa de um grupo que queria fazer economia e pelo desprendimento e dedicação de uns poucos abnegados que pensavam antes na cidade, seu povo e seu progresso. Mas isso é para justificar a questão dos serviços públicos, não vem ao caso aqui. O fato é que o cidadão itaunense continua pagando por serviços utilizados pela Universidade, que arrecada milhões mensalmente com seus cursos, apesar de já estar sofrendo os efeitos da modernidade do ensino universitário no Brasil, que oferece o modelo à distância para os cursos, digamos, convencionais, assim, a UIT, já não consegue formar turmas para vários deles. Esse ano, segundo informações extraoficiais, sequer conseguiu formar turma para o curso de Direito. Se verdade, a tendência é piorar.
Mas vamos ao assunto da iluminação das vias internas do Campus Universitário. Em minha opinião, se os serviços não forem pagos, se deve pedir na Justiça a abertura total do campus após projeto de arruamento das vias principais, que devem ser nomeadas, como todas as vias públicas do município. Aliás, defendo neste caso, que as duas principais vias do campus recebam os nomes dos dois homens que mais lutaram para a concretização do “sonho da Universidade de Itaúna”: Dr. Guarcy de Castro Nogueira, reitor desde a sua fundação até 1983. E Dr. Miguel Augusto Gonçalves de Souza, então secretário de Estado da Casa Civil, que conseguiu do governador à época, Magalhães Pinto, a autorização para a sua criação. Além dos nomes nas vias que devem se tornar públicas, defendo também que no campus seja erguido um mausoléu para abrigar os restos mortais dos dois grandes itaunenses. E só dos dois. Ponto.
Quanto à possível proposta já alinhavada pelo prefeito Neider, de que a Universidade assuma a iluminação dos trevos da MG 050 e 431 até a entrada da cidade pela Rua Silva Jardim, quitando a dívida que o município entende ter a Universidade para com os cidadãos itaunenses, pelos serviços prestados durante anos no campus, acho razoável, mas é preciso muita discussão, inclusive na Câmara Municipal, pois, os valores precisam ser levantados e tornados públicos para que as avaliações sejam feitas. Cabe-nos aguardar os acontecimentos e o assunto deve ser motivo de polêmica, pois a pendenga é contraditória e não há ainda consolidação jurídica sobre o tema. Mas que a UIT tem que pagar, em minha opinião, tem. Ou então, que ela abra as suas portas para a cidade e seu povo. Como já afirmei em outras oportunidades, acho que qualquer assunto que envolva a Universidade de Itaúna deve ser debatido em praça pública com todos itaunenses, que são seus verdadeiros donos, e que deveriam exigir a sua participação como instituição de ensino e filantrópica que muito recebeu e que agora deve retribuir em forma de prestação de serviços de forma ampla. E antes que falem que ela presta serviços jurídicos, de fisioterapia, odontológicos... Cabe esclarecer: ela não presta esses serviços, seus alunos precisam estagiar. É diferente. Fazer filantropia seria colocar à disposição do itaunense recursos para que o atendimento à sua saúde pudesse ser diferenciado, por exemplo. Então, repito: parabéns a todos que fizeram da Universidade de Itaúna, uma grande universidade, principalmente ao povo itaunense.