Itaúna, 18 de dezembro de 2018

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14 de abril de 2018 às 07h00 - Atualizado: 21 de abril de 2018 às 09h02

É preciso, primeiro, admitir. Ou se incorre ao risco de não saber o que o outro pensa.

A semana não foi fácil para o nosso prefeito. Recebeu a notícia de uma multa por causa de problemas com os aterros sanitário e controlado, viu os vereadores não comungando com suas posições em relação ao parcelamento do ITBI e viu a sua atitude em relação ao projeto do vereador Márcio Hakuna, relativo ao transporte coletivo urbano, que opera sem trocador, ser considerada uma medida contra o usuário do transporte, ou seja, contra a parcela mais pobre da população, que é quem depende dele. Como não bastassem esses problemas, o prefeito resolveu reunir seus funcionários de confiança, os comissionados, para dar, vamos dizer, uma “injeção de ânimo” nos mesmos, expondo os problemas vividos pelas prefeituras Brasil afora, com a crise que assolou o país nos últimos anos e a falência dos governos estaduais que não fazem os repasses com regularidade, obrigando os prefeitos a literalmente “rebolarem” para manter os serviços e salários em dia.
Na reunião, acontecida na quarta-feira, no Teatro Sílvio de Matos, o prefeito falou por cerca de 40 minutos e, dentre as lamúrias, promessas e o vangloriar de que está fazendo o certo, se mostrou, mais uma vez, que está fora do contexto, ou pelo menos não procura se informar devidamente como o cidadão Itaunense está fazendo a leitura do seu governo até aqui. A verdade é a de que em seus discursos o prefeito explana uma Itaúna sem problemas. Com os serviços de saúde funcionando em sua plenitude, as ações na assistência social sendo efetivadas diariamente, com as estradas rurais em condições nunca vistas, dentre outras muitas áreas de ação... Porém, a realidade mostra outra coisa e o povo que utiliza os serviços todos os dias não consegue enxergar essa realidade vivida pelo alcaide.
Ele anunciou essa semana, com solenidade de assinatura no gabinete, convênio com o Banco do Brasil (empréstimo), para aquisição de maquinário para o que ele denominou reestruturação do Canteiro de Obras. Vamos lá: primeiramente, é financiamento, então está endividando mais o município; e, em segundo, as mazelas existentes no Canteiro não vão permitir uma restruturação. Um ex-funcionário do Canteiro e um terceirizado nos confidenciaram que lá existem máquinas praticamente novas, com dois ou três anos de aquisição, e que estão abandonadas. Afirmaram que com poucos recursos é possível coloca-las para funcionar, mas os terceirizados não deixam isso acontecer, pois a pretensão do prefeito acaba com “as tetas” que a muito persistem por lá, inclusive nesse governo, como já denunciamos em outras oportunidades, como a questão das peças para veículos particulares.
Chamou a nossa atenção as afirmativas do prefeito em relação à construção da ETE e do novo Centro Administrativo. Quem não conhece a realidade local e estivesse presente na reunião sairia de lá com a sensação de que as duas obras são iniciativas dele e duas grandes ações do seu governo. Afirmou o prefeito que já houve avanços extraordinários nesses um ano de quatro meses, que seu governo já está avançando e que as perspectivas para o próximo ano são muito boas. Reafirmou que vai começar a construir o Centro Administrativo e que vai aglutinar serviços em um só prédio, que na opinião dele e de praticamente todos os itaunenses vai melhorar substancialmente a prestação dos serviços. A outra afirmativa do prefeito que chama a atenção é em relação à construção da Estação de Tratamento de Esgoto – ETE. Que ele considera a grande obra de seu governo. Não entendi. A construção da ETE é uma ação de anos na busca de recursos, na confecção de projetos. É uma obra de, no mínimo, três governos. Vai ser finalizada no seu, é verdade. Neider afirmou que o objetivo maior do poder público é oferecer qualidade de vida para a população e que isso está sendo buscado. Esperamos que sim. É de fato esse o único objetivo de uma administração pública. Mas se ele quer mesmo concretizar o que ele vem afirmando, primeiramente, é preciso que ele busque consentir uma abertura para que os objetivos se transformem em realidade. Não é possível fazer sem ouvir, interagir ou admitir que outros podem ter opiniões e posicionamentos que contribuam para os objetivos maiores. E ai se inclui o Legislativo, o Judiciário, o terceiro setor e as lideranças comunitárias. Até aqui é um governo de uma opinião só. É preciso primeiro admitir isso.