Itaúna, 16 de agosto de 2018

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09 de junho de 2018 às 07h00 - Atualizado: 16 de junho de 2018 às 10h49

É preciso dar o pão e circo. Esqueceram do pão, mas do circo...

Sinceramente, confesso-me um pouco sem saber como agir quando o assunto é a ação da atual administração municipal capitaneada pelo ex-deputado Neider Moreira. As ações, determinações e/ou decisões advindas do governo surpreendem cada vez mais e nos deixam pensativos, pois não sabemos se a população em sua maioria está decepcionada, revoltada ou indiferente, porque as lamúrias são constantes, e as ações desastradas, inadvertidas e controversas também não param por parte do governo.
O fato é que passamos a semana com os olhos apontados para a leitura de noticias, opiniões, declarações e justificativas que envolvem os governos federal e estadual, o judiciário e o legislativo federal, com atos desastrados em relação à greve dos caminhoneiros, regulação de fretes e novas ameaças de paralização. E chega-nos a notícia de que em Itaúna, além das denúncias constantes que envolvem a administração municipal, com a contratação de empresas de assessoria, licitações não muito bentas, e que já são de conhecimento da população, agora resolveram investir no aliciamento de maiores, que são vacinados e donos de seus narizes, aliás, narizes estes de Pinóquio, porque atualmente aqui, como em todo o Brasil, é raro não achar um político que não seja portador da síndrome da mentira.
Consta da informação de que, sem perspectiva para a realização de um governo que consiga atender as necessidades do povo, que quer ver no mínimo a manutenção dos serviços essenciais, a manutenção dos prédios públicos e lisura nos atos administrativos, o prefeito, visivelmente já desgastado, e, diríamos, sem condições até mesmo de aparecer em público, não está preocupado em melhorar a sua performance. E, sem consultar a população, ou pelo menos discutir as questões mais delicadas, como os aumentos da água, da passagem, dentre outras, está cada vez mais enfurnado em seu casulo. O que podemos perceber é que, ao seu estilo, Neider não quer saber, pelo menos por enquanto, o que o povo está pensando, dizem os mais próximos que ele espera pelo novo ano para então tentar imprimir um governo de ações que possam agradar o povo, para assim reverter o seu desgaste. A intenção é fazer um governo de 24 meses, com obras que transmitam um ar de “maquiagem” à cidade, o que pode fazer com que o povo mude de ideia quanto à eficiência do seu governo. Temos nossas dúvidas e achamos que a população já não acredita em “maquiagem” e quer mesmo é eficiência, mais constante e palpável.
E se as coisas não estão boas no prédio da Praça, lá no prédio da Avenida Getúlio Vargas podem piorar se os vereadores não se posicionarem. Teoricamente, o prefeito tem o apoio da maioria dos vereadores, mas os desgastes já começam a mexer com os que estão insatisfeitos, e isso pode mudar o perfil da composição no Plenário. Por exemplo, o caso em aberto do aumento da passagem do transporte coletivo urbano, que já gerou a criação de uma Comissão Especial e tem um decreto de pedido de suspensão em tramitação sendo contido com manobras capitaneadas pelo líder do prefeito, pode ser um dos motivos para o início do isolamento de Neider. O vereador, que já não tem os seus pedidos aceitos pelos secretários, que se sente ignorado pelo prefeito e que serve apenas como moeda de troca, e que depende totalmente do morador do bairro para se eleger e reeleger, já começa pesar as coisas e rever seus posicionamentos. E já estão concluindo que é melhor ficar ao lado do povo. Temos a certeza, por exemplo, que se o pedido de suspensão do aumento for a Plenário, o que ainda é uma incógnita, fatalmente será aprovado pela maioria. Pois os vereadores, desta vez, só têm uma opção: ficar ao lado do povo, que está indignado. E é bom lembrá-los que há uma insatisfação com outros aumentos, como o da água.
Consta que um corneteiro já vem tentando de várias formas uma aproximação com pelo menos dois vereadores, fazendo propostas que podem ser consideradas, no mínimo, indecorosas para quem tem brio e pretende manter a sua credibilidade eleitoral. Mas como à noite todos os gatos são pardos e em política se vê até mesmo elefante voando, não duvido de nada. O lamentável é constatar que pessoas eleitas para defender o povo prefiram se locupletar com a fatia do bolo que está sendo distribuída com desigualdade: de um lado uns poucos que ficam com a fatia gorda e do outros os milhares que não têm creches adequadas para os filhos, postos de saúde com médicos e medicamentos para a família, uma assistência social digna, escolas com prédios que possam ser usados sem risco, obras importantes, ruas em condições de tráfego e lazer e cultura. Se bem que lazer, ou melhor, circo, estão oferecendo. Neste fim de semana um picadeiro gigante foi montado em nossa principal praça. É a velha máxima: “É preciso dar o pão e também o circo!...”. Do pão esqueceram, mas do circo...