Itaúna, 21 de setembro de 2017

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05 de agosto de 2017 às 08h00 - Atualizado: 12 de agosto de 2017 às 08h43

É de provocar vômito

A baixaria e a hipocrisia estão em moda. Melhor, sempre estiveram, mas agora inauguraram um novo estilo e na mais alta esfera do parlamento: no Congresso Nacional. E entre pequenos recessos, o cidadão comum, o trabalhador, vai assistindo os políticos brasileiros beirarem à sarjeta. Um ex-presidente da República se prestar ao papel que o Senhor Luiz Inácio Lula da Silva está se prestando, só mesmo no Brasil. Ele já deveria estar na cadeia. E ver um ex-metalúrgico e sindicalista, que chegou a presidente se revelar um corrupto, um ladrão comum, e assistir a bate-bocas entre homens que deveriam estar preservando a ética, a honestidade e as leis maiores desse país, é de se lamentar. E muito.
A postura dos nossos congressistas diante dos últimos acontecimentos, deixa o nosso parlamento totalmente à berlinda, pois o brasileiro já percebeu que todos que ali estão, brigam por eles mesmos, individualmente ou através de seus grupos, que jogam com interesses de momento e de futuro. Por detrás da briga visível, está em andamento uma briga surda nos ares palacianos de Brasília, que interessa a poucos. Apenas serve aos políticos que querem perpetuar o poder em suas bases e que para isso, precisam segurar os caciques para que os mesmos obtenham vitórias policiais para que os “brigões” se beneficiem delas.
O nível a que chegaram às discussões e a postura diante da votação da última quarta-feira, quando estava em jogo o mandato do presidente Temer, deixam evidente que independe do lugar e das condições acadêmicas e financeiras, quando se está em jogo o interesse, o poder. Para quem estava acostumado, vez ou outra, a assistir baixaria no parlamento da China ou em Pyongyang, divulgadas pelo Jornal Nacional, agora pode assistir a baixaria com detalhes, nas tevês abertas e nas fechadas, ou nos próprios canais do Congresso, TV Senado e TV Câmara. Aí nos vem a pergunta: para quê o Congresso Nacional? Mas outra indagação vem, e seguida de uma conclusão: sem ele a democracia estaria fadada ao fracasso. Será?
E as coisas não são diferentes no restante do país, quando o assunto é política e políticos, nas Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais e Prefeituras. O nível é o mesmo. Na nossa querida Itaúna, esta semana, o prefeito eleito por uma esmagadora maioria de votos, protagonizou o que podemos chamar de pouca vergonha, de falta de bom senso. Aqui se pode empregar a máxima do personagem do saudoso Chico Anísio: “o povo que se exploda, eu quero é me arrumar...”. Nosso amigo Dr. Neider Moreira, teve a petulância de encaminhar à Câmara Municipal um projeto de Lei criando o 13º salário para ele, o vice-prefeito e secretários de governo, além de diretores de autarquias. É uma pouca vergonha, e em qualquer momento, mas com agravante, pois nesse momento todos passam por dificuldades, a Prefeitura não tem um tostão em seus cofres e o salário do funcionalismo já começa a ser pago com atraso. E a alegação de Neider, feita nos bastidores, de que os comentários e a postura dos vereadores são de hipocrisia, pois os mesmos percebem o 13º, não se justifica, pois uma pouca vergonha não justifica a outra.
Outro absurdo já publicado pela FOLHA nas últimas edições e que tem sequência nessa edição é a terceirização dos serviços do lixo. É inadmissível que um serviço que estava sendo prestado pelo município seja entregue para gente de fora, que vai levar o dinheiro para outras praças. Bem ou mal o dinheiro gasto com os serviços do lixo estava circulando em nossas lojas, em nossas farmácias e nos nossos bares. O cidadão engoliu goela abaixo a “taxa do lixo”, instituída pelo governo anterior, admitindo que ela fosse para bancar o lixo que estava municipalizado, e agora vê o seu dinheiro suado, ser levado de Itaúna, porque o atual prefeito, além de não cumprir a sua palavra revisando a taxa, ainda a reajustou, assim como triplicou o valor gasto com o lixo, e agora permite, para cumprir compromissos, que o dinheiro do cidadão seja levado de Itaúna. É inadmissível e a Câmara, assim como o MP têm de tomar providências, sob a pena de estarem condizentes com esse absurdo, com essa farra com o dinheiro público.
Além do já citado, há de se levar em conta que esse governo que está apenas no seu 8º mês, contrata assessoria por preços exorbitantes, que pratica o nepotismo sem constrangimento e que peca por ações impensadas, agora permite que forasteiros usufruam do dinheiro público.
Hoje não há diferença entre as constantes baixarias exibidas nos poderes constituídos no Brasil, seja no Supremo Tribunal Federal, no Senado, Câmara Federal ou nas Prefeituras, incluindo aí a de Itaúna. Em todas as esferas a uma coisa se destaca: a falta de respeito dos que estão no poder para com o cidadão. É a velha máxima: quem quer respeito, que se dê o respeito.