Itaúna, 20 de novembro de 2017

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12 de agosto de 2017 às 07h00 - Atualizado: 19 de agosto de 2017 às 08h44

Assento no Conselho Comunitário

Itaúna espera muito mais que isso

A Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira empossou ontem três novos membros no Conselho Comunitário da Fundação. O cidadão Samuel Herculano Nicomedes, engenheiro arquiteto, empresário da construção civil, um apaixonado por Itaúna e suas causas; a Fundação Universidade Itaúna – UIT e a Associação de Voluntários no Apoio ao Combate do Câncer em Itaúna – AVACCI. Não há outra manifestação a ser feita a não ser o uso da expressão: parabéns. Por inúmeras vezes já debatemos, aqui mesmo, a situação do Hospital Manoel Gonçalves, e dessa vez não será diferente. É de grande importância a participação do Conselho Comunitário da Casa de Caridade nos destinos do Hospital Manoel Gonçalves, e tanto o é, que as principais decisões passam por ele. Mas um novo membro do Conselho chama a atenção: a Fundação Universidade de Itaúna. Afirmamos isso porque nas duas últimas décadas os debates em torno do relacionamento Hospital e Universidade têm sido de confronto, e os interesses da UIT sempre estão acima dos da comunidade. E isso parece ter se confirmado no discurso do reitor ‘ad eterno’ na reunião de posse na quinta-feira, quando o mesmo afirmou que os objetivos da Universidade não podem se confundir, sob a pena da UIT sofrer as consequências financeiras.
Não concordamos, porque as duas instituições são dos itaunenses. O Hospital foi doado por um empresário, que se transformou em benemérito e a Universidade construída com recursos públicos municipais, ou seja, com o dinheiro do povo. Então, o que mais interessa é que a instituição que pertence a todo itaunense, fruto de uma doação ao povo, continue prestando os serviços de atendimento à saúde como vem fazendo desde a sua fundação, em 1920. É preciso ficar bem claro que o Hospital Manoel Gonçalves é do povo e nele esse povo tem que ser recebido de portas abertas quando precisar de socorro médico. Se mudar de rumo, o fiscal nato da fundação, que estava na reunião do Conselho na quinta-feira, uma presença rara, deve ser acionado. E continuamos com a posição já colocada em editoriais anteriores: seria salutar para a instituição mais importante para o itaunense que uma parceria com a Universidade de Itaúna fosse efetivada, mas sem que a administração fosse entregue à Universidade. E achamos que, como a segunda mais importante instituição de Itaúna, a Universidade tem o dever de ajudar a comunidade, colaborando, sem pedir nada em troca, no que tange principalmente a recursos. Pode sim usufruir, utilizando o Hospital como escola, como já o faz, mas sem interferir administrativamente na Instituição. E repetimos também, que isso não seria problema para a Fundação Universidade de Itaúna, pois a Universidade, em minha opinião, é uma máquina de fazer dinheiro.
E mais, com um acordo de benefício mútuo, por um lado a cidade e o itaunense ganhariam, pois, com os cofres abarrotados, a Universidade de Itaúna fundada e construída pelos itaunenses, que são seus legítimos donos, como já frisamos no parágrafo anterior, passaria a prestar de verdade serviços aos mesmos, como deveria ser desde o início, e recursos para o Hospital não iriam faltar, sua dívida seria paga e o futuro da instituição estaria garantido.
Aliás, não custa perguntar: alguém consegue explicar o porquê de não se unir forças para oferecer um serviço de melhor qualidade ao usuário do sistema de saúde em Itaúna? Sabemos que há disputas políticas quando o assunto é o Hospital Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, mas isso tem que ter fim, em prol do itaunense. Repetimos por diversas vezes que é nosso único hospital e por ele passam ricos, remediados e pobres. E não há alternativa. E que entre todas as discussões para se resolver os problemas de saúde pública em Itaúna envolvendo o município e o Hospital, se inclua a Universidade de Itaúna, que tem uma dívida impagável para com o Município, ou seja, com o itaunense, que doou recursos para que ela se tornasse uma realidade. E se hoje o é, é porque o itaunense contribuiu muito para isso. É hora então de se dar o retorno. Lá os cofres estão abarrotados e quem deve usufruir disso é o itaunense. Investir no Hospital sem impor condições administrativas é obrigação da Universidade, não é favor. A discussão em torno do Hospital, passando pela Universidade de Itaúna, deve ser em alto nível, sem paixões partidárias e ideológicas e com desprendimento, afinal, todos - sem exceção alguma - dependem de atendimento à saúde e é lá que vamos encontrar o primeiro atendimento. Então, que impere o bom senso, mesmo que o último discurso enfadonho do reitor ‘ad eterno’, não indique esse caminho.