Itaúna, 13 de dezembro de 2018

Cadastro

08 de setembro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 15 de setembro de 2018 às 10h54

1300 Não é apenas um número

Uma das nossas colaboradoras, jornalista observadora, perguntoume na quarta-feira se eu iria fazer um editorial para frisar nossa edição de número 1.300. Na hora disse que não havia pensado nisso. Mas, a partir daí, comecei a pensar, não no editorial em si, mas na luta diária para colocar o jornal “na rua”, vamos assim dizer. Sempre defendi que as pessoas devem, profissionalmente, fazer o que gostam e trabalhar com o que dá prazer. Esse é o nosso caso. Desde muito cedo, com 13 anos, em 1973, começamos na redação e oficinas do jornal FOLHA DO OESTE, do saudoso Sebastião Nogueira Gomide, o Piu. Ali, acompanhado do jornalista Célio Silva, comecei a aprender o ofício. Tomei gosto e aqui estou fechando a edição de número 1.300 da FOLHA DO POVO, que encampou a Folha do Oeste, extinta em 1996. Já se foram 22 anos, e estamos aqui com o nosso olhar sob a cidade, discutindo os posicionamentos políticos, levando as notícias até o leitor, as boas e também as ruins. Sempre tentamos ser fiéis aos fatos, mas nos reservamos o direito de ter opinião. E elas são levadas até o leitor nos editoriais, que às vezes não são bem aceitos, mas a intenção é essa, abrir a discussão em torno dos temas que são relevantes para a comunidade. Quando chegamos à edição número 1.000, publicamos editorial em que destacamos as dificuldades de se editar um jornal no interior. Uma luta diária em todos os sentidos, com dificuldades múltiplas. Faltam recursos e sobram amolações. Mas somos perseverantes e encaramos isso como uma missão, pois somos os guardiões da população, mesmo que muitos políticos não concordem com isso. No dia 11 de agosto de 2012, quando da publicação da edição número 1.000, nosso editorial teve o seguinte título: “A FOLHA é 1.000 e eu um malabarista”. Transcrevo aqui alguns trechos do editorial, porque nestes 6 anos nada mudou, ele, quase que na totalidade, é atual e desnuda nossas agruras diárias: E foi sempre sob muita pressão. Agora mais ainda. Além dos entreveros pertinentes ao jornalismo, convivemos com a pressão diária do dinheiro, sempre escasso por causa dos nossos posicionamentos jornalísticos e políticos, dos quais não abrimos mão. E lá vem pressão! Mas pelo menos estamos trabalhando no fechamento da nossa edição de número 1.300, e isso nos leva a refletir sobre fazer jornalismo no interior, “uma cachaça”, um vício, do qual não conseguimos desvencilhar. Como já afirmamos, são anos a fio, observando, interpretando, opinando sobre tudo o que diz respeito aos munícipes e ao interesse coletivo. Em nossa opinião, jornal tem que ter compromisso é com a notícia e com o leitor, e com mais ninguém. É assim que deve ser. Por isso, ao sermos perguntados sobre a independência da imprensa, sempre respondemos que isso é balela, coisa inventada, porque não há como existir independência, se o fato tem mais de uma versão, de uma interpretação, e as opiniões são plurais. É por isso também que escolhemos como slogan da FOLHA a frase: “Jornal tem que ter opinião”. É simples, não há como ficar “em cima do muro”, nossa obrigação, como jornalistas, é a de levar a notícia como ela é, e opinarmos sobre ela. Assim, derrubamos a tal independência hipócrita propalada aos quatro cantos. Uma bobagem. O jornalismo é e deve ser feito com opinião, com responsabilidade e com independência sim, mas não essa tão defendida, mas com a que propicia ao jornalista opinar e se posicionar, deixando para o leitor a liberdade de interpretação. Fazemos jornalismo com o direito de ter opinião. Chegamos à edição número 1.300 defendendo o que acreditamos estar correto e o que é melhor para a nossa Itaúna. Nos dois anos de Folha do Oeste e nos 22 anos de FOLHA DO POVO, já fomos taxados de pertencermos a este ou aquele político, mas podemos afirmar que a maioria já citada passou e o jornal está aí ocupando o seu devido lugar. Como fundador e editor desta FOLHA, posso garantir que somos o mais independente dos jornais itaunenses. E, mais que isso, muito mais importante que ser “independente” é poder afirmar que nossa liberdade está baseada na verdade e não na interpretação daqueles que não conseguem dar um passo sem a sombra de alguém. Sob pressão, sem dinheiro, mas com muita garra, nos orgulhamos de poder falar e escrever o que acreditamos ser a verdade. A FOLHA é 1.300. Eu? Apenas um “malabarista”