Itaúna, 17 de dezembro de 2018

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07 de abril de 2018 às 07h00 - Atualizado: 14 de abril de 2018 às 10h32

“Qualquer semelhança é mera coincidência” O Circo

É preciso urgência na aprovação da revisão, em andamento, do Regimento Interno da Câmara Municipal de Itaúna. E isso ficou evidenciado na última reunião. Nos últimos meses as Moções de Aplausos tem sido frequentes, e a revelia do Regimento Interno, que determina o rito das Reuniões Ordinárias. As solenidades de entrega das moções tem transformado o rito das reuniões, de forma a tirar a seriedade necessária das mesmas. Na terça-feira, por exemplo, o plenário no expediente denominado “Pequeno Expediente”, quando o vereador tem a palavra para informar, questionar ou esclarecer alguma questão, foi ocupado pelas Misses e o Mister Itaúna, para receberem congratulações dos vereadores. Vestidas a caráter, e por sinal, lindíssimas, a representante da cidade em 2017 e a representante 2018, acompanhada do representante da beleza masculina itaunense, receberam o diploma simbólico, sob aplauso da plateia, grande parte dela, presente apenas por causa da pequena solenidade. Pouco antes, o plenário havia recebido também os comandantes do Tiro de Guerra, que acompanhavam um funcionário que acabara de aposentar, e foi receber as congratulações proposta por um vereador, pelos relevantes serviços prestados ao exército brasileiro.
Ao longo do ano as sessões plenárias ordinárias têm sido interrompidas para as condecorações mais diversas, atletas que destacam em competições, artistas, membros da sociedade civil que prestam algum serviço social, entre outras... Concordo que é importante a congratulação aos cidadãos que por algum motivo, elevam o nome do município ou que se sobressaem em suas atividades, mas o bom senso dos vereadores deve imperar, pois, a banalização da congratulação com fins políticos, pode, por exemplo, acabar com sua importância para quem recebe. É preciso, com urgência, que as congratulações sejam “peneiradas” e sejam entregues em sessão solene, especifica para isso, como sempre ocorre todo ano, em um teatro e não no plenário em sessão onde se discute projetos de lei, assuntos sérios que envolvem o dia a dia do munícipe. Nada contra os que estão sendo homenageados, pelo contrário, repito, é relevante homenagear os que elevam o nome do município, mas as Reuniões Ordinárias não podem ser transformadas em show businees, simplesmente porque alguém, ou algum vereador, achou que o jogador de futebol, o tenista ou o atleta do taekwondo ganhou prêmio, seja ele em nível nacional ou internacional, ou ainda porque moças bonitas, lindíssimas, representam a cidade em concurso de beleza. Ou simplesmente porque alguém executou seus serviços de forma brilhante. Não pode. Os representantes do povo devem, e com urgência, promover de forma sensata, a revisão do Regimento Interno, observando as questões de relevância para a população e sem interesses políticos partidários. Surpreende-me, por exemplo, que vereadores queiram que as sessões Ordinárias sejam abertas com a reza da oração que Deus nos ensinou: o Pai Nosso, e que o Evangelho seja lido. Hoje é assim, mas não deveria. Sou Católico, Apostólico e Romano, mas temos os Espíritas, Umbandistas, Judeus, os ateus... Os Poderes constituídos devem ter postura agnóstica. E isso basta para que o Regimento Interno da Câmara Municipal não contemple predileções religiosas e/ou de gênero ou partidárias. Muito menos interesses políticos partidários.
Em síntese, o que venho assistindo nas reuniões da Câmara nos últimos meses contraria a Lei Maior e expõe a falta de seriedade e de conhecimento jurídico e sociológico dos que compõe o Poder Legislativo. Sempre expressei em momentos de seriedade ou na brincadeira, que as reuniões da Câmara, na maioria das vezes, se transformam em verdadeiro circo. O plenário pode ser comparado, tranquilamente, com um picadeiro... Depois da reunião da última terça-feira, posso afirmar: é um circo. Melhor, posso usar a velha expressão jocosa: “Se cercar vira hospício, se cobrir vira circo”. A escolha é exclusivamente sua, e começa quando você vai à urna de quatro em quatro anos. Fique à vontade para optar: hospício ou circo. Os “artistas” podem até mudar, mas com máscaras ou camisa de força, sempre serão a sua cara.