Itaúna, 26 de abril de 2018

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17 de março de 2018 às 07h00 - Atualizado: 17 de março de 2018 às 10h20

“A máfia do reboque”

Matérias publicadas nas edições da FOLHA dos dias 9 e 16 de abril de 2016, que tratavam do número excessivo de reboques de veículos nas ruas do Centro, acabaram por levar a empresa A&F Auto Socorro Ltda. a questionar na Justiça, o Jornal e seu editor. À época, em matéria veiculada na primeira página da edição do dia 9, o jornal reproduziu reclamações de leitores sobre o número excessivo de reboques. E uma semana após, na outra edição, mais uma vez as reclamações foram o destaque e nova matéria foi publicada com foco no número de remoções efetuadas pelos reboques entre os meses de janeiro e março, que chegaram a 200 veículos. E mais uma vez foi levantada pelos leitores a desconfiança de que o número elevado de reboques, já àquela época, estava gerando a desconfiança de um possível “esquema” montado entre as polícias Militar e Civil e o proprietário do então novo pátio, recentemente credenciado, para gerar renda. O interessante é que passados dois anos, as reclamações persistem, apesar dos atores nas autuações de trânsito, serem outros.
Na edição do dia 3 de março, há 15 dias, publicamos as reclamações chegadas ao jornal, onde a atuação de um policial foi alvo de muitas queixas. Temos fotos e vídeo. O resultado final da publicação foi uma possível retaliação do policial ao editor do jornal, no caso, o autor deste editorial, que foi multado por estacionamento irregular em frente a sua casa, em uma rua sem saída, que evidentemente só tem trânsito local. Então, pressupõe-se que o policial citado na reportagem foi até lá apenas para retaliar contra esse jornalista. É verdade que o local em que eu estava estacionado tem dois “taxões” (que por coincidência, foi eu que pedi à prefeitura para colocar), mas a faixa é branca e, não é porta de garagem e a mão de direção é a correta. Mas multa feita e recurso também. Então ponto final. Ele, o policial alvo das reclamações, e mais um companheiro, porém, não observaram que estacionaram a viatura policial na contramão de direção. Ou seja, eles podem infringir as leis. Podem?
Mas vamos ao que interessa: após duas audiências, a ação da empresa de reboques foi julgada improcedente e após dois anos as reclamações dos cidadãos persistem em relação ao excesso de remoção, à falta de educação e a postura inadequada por parte de pelo menos um policial, que, antes de agir com gritos, precisa lembrar que ele é um agente público e precisa ter postura para lidar com o público, sabendo inclusive, receber e lidar com as críticas, que são naturais. Não é gritando “apaga esse vídeo, você está me filmando”, que ele vai conquistar a simpatia dos cidadãos que pagam o seu salário, e que podem naturalmente filmar ou fotografar a polícia em ação e em qualquer lugar. Não é crime. Se o cidadão pode, imagina a imprensa.
Voltemos à ação judicial. Achamos que a decisão da Justiça foi natural, pois o Jornal apenas foi interlocutor das queixas do cidadão itaunense, como bem destacou a juíza. E achamos que o cidadão que paga impostos e taxas, tem o direito de desconfiar, questionar e até mesmo afirmar que se sente lesado por um excesso de multas e ações de trânsito numa cidade onde o trânsito ainda é muito desorganizado, não tem critérios de estacionamentos e sinalizações. Enfim, para agir como estão agindo, primeiramente a Prefeitura deveria cuidar de organizar o trânsito de forma clara, o que até o momento não ocorreu, apesar dos esforços, que são reconhecidos. Agora, além de interlocutores do cidadão, somos também cidadãos e temos o direito de ter nossas opiniões, e essas são de que há motivos sim para se desconfiar de um acordão entre as polícias e as empresas de reboque. As ações dos agentes de trânsito são sintomáticas e seletivas. Essa é a nossa opinião. Queremos deixar claro que estamos susceptíveis às multas e sempre as pagamos quando cometemos as infrações. E que também achamos naturais as ações judiciais contra o Jornal e a nossa pessoa enquanto jornalista. Sempre as respondemos com tranquilidade, por ter a certeza de que estamos cumprindo o nosso papel de interlocutores da população. Somos passíveis de erros, como qualquer outro profissional, como também os são, os agentes de trânsito, delegados e outras autoridades. Por fim, queremos parabenizar e declarar nossa confiança em nossos advogados, com destaque para a Dra. Maria Helena Pereira. E reafirmar que publicaremos o que acharmos ser abusivo, e estar errado, mesmo que exista uma “Máfia”, em setores públicos da nossa sociedade.