Itaúna, 22 de outubro de 2018

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08 de setembro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 29 de setembro de 2018 às 13h08

VOZ DE SAUDADE UMA HOMENAGEM A NYCIA D’ÁURIA

E Itaúna - mais uma vez - se empobrece no cenário artístico e cultural. Ao cair da tarde, já em meio ao crepúsculo, depositamos no Cemitério São José (o cemitério central) Nycia d’Áuria. A nossa eterna Dama da Música! Nycia d’Áuria... Grande mulher. Grande mãe. Grande artista das barrancas de Sant’ana.. .Abraçado a um velho amigo, entre lágrimas e difusas emoções, viajamos em nossas memórias comuns e na História de nossa cidade. História da Música Itaunense.
Quantas missas, procissões, solenidades, Semanas Santas, Festa da Padroeira que ela não esteve ali, presente a tirar melodiosos e harmônicos sons do órgão da veneranda Igreja Matriz de Sant’Ana e a comandar o vetusto Côro João XXIII. Ela fez parte da minha História; foram 11 anos tocando nas formaturas da Universidade de Itaúna. Ou seja, 22 formaturas finalizadas com o eterno “Amigos para sempre’! Quantas “Ave Marias” de Gounod entoei com ela ao órgão para as noivas emocionadas subirem pela nave da Matriz! Foram muitas e muitas bodas que fizemos juntos... Itaúna, Mateus Leme, Itatiaiuçu, Divinópolis e Beagá... Quantas noivas - cheias de sonhos e com os olhos brilhando de esperanças - nós não atendemos e ajudamos a casar...
Os ensaios em sua casa, eram uma história à parte! Sempre um prato gostoso, uma carne deliciosa, uma massa, tudo preparado com muito esmero e carinho... O vinho, eu levava. Lá vai a Nycia d’Áuria com um pedaço de nossas histórias - eu, Pe. Rodrigo Botelho, João César com seu vilolino, Marcinho com sua flauta transversal... Ela sempre alegre, com seu gênio esparramado...
Hoje o piano se calou e chorou silêncio pela suas teclas... Ah, Itaúna empobrecida! Lá se foi a dona Nycia: e subiu cantando... E ali, à beira túmulo, mirando o Morro do Bonfim, cantei o nosso “Amigos para sempre!” - voz embargada e apertada na garganta. Para sempre mesmo... Tínhamos uma grande sintonia... Alcei a vista e contemplei o túmulo da Dunga... Ahhh, hoje tem cantoria no Céu! Beijo Nycia!
Prepara o ensaio que um dia vou aí - cantar com vocês novamente!


**Bacharel em Direito / Licenciado em História pela UNIVERSIDADE DE ITAÚNA
Historiador/ Escritor/ Membro Fundador da ACADEMIA ITAUNENSE DE LETRAS/
Autor de “Crônicas Barranqueiras” e coautor de “Essências”, “Olhares Múltiplos” e
“O que a vida quer da gente é coragem”/
Diretor da E.E. “Prof. Gilka Drumond de Faria”
Cidadão Honorário de Itaúna

Prof. Luiz Mascarenhas - Réquiem para o Padre Nilo

ITAÚNA amanheceu mais pobre em seu cenário humano na manhã cinzenta do sábado, dia 12 de março do corrente ano. Partia para a eternidade o nosso tão querido Pe. Nilo.
Deixo aqui, a minha pequena contribuição sobre a Vida deste homem, com quem convivi desde a minha infância. Lembro-me bem da calça adidas, com as três listras, a camisa de malha branca, os tênis e um fusquinha que não me lembro bem a cor.
Todos os alunos postos em fila na linha vermelha da quadra e em silêncio. Seis horas da manhã. O relógio da Matriz de Sant’ana ecoava por toda a Itaúna a sua primeira badalada. E ele começava sua aula de Educação Física: “o anjo do Senhor anunciou a Maria...”
Nilo Caetano Pinto nasceu no distrito de Antônio dos Santos, em Caeté, Minas Gerais, em 24 de março de 1930. Era o filho mais velho de Carlito Caetano Pinto e Antônia Luiza Dinis e teve mais seis irmãos. Órfão de pai aos 11 anos, começou a trabalhar para ajudar em casa, sem deixar de lado os estudos, que seguiu até graduar-se em Educação Física pela UFMG.
Chegou em nossas barrancas ( graças a uma indicação do Cel. José Lázaro Guimarães- cunhado do Dr. Guaracy), já casado com Florescena Diniz Guimarães Pinto e tiveram teve oito filhos, dos quais conheceu 12 netos e um bisneto.
O nosso então Prof. Nilo lecionou na Escola Normal, a Escola Estadual de Itaúna, por 34 anos, como professor e vice-diretor. No Colégio Santa’Ana ficou durante 26 anos.
Nilo sempre foi um homem de Fé. Sempre engajado nos movimentos da Igreja. Ajudava com sua Família na Igreja da Piedade e na comunidade Sagrada Família do Bairro Cerqueira Lima, pois residia naquela região.
Em 1982, dona Florescena, sua esposa, veio a falecer. E aos 52 anos, ainda criando os filhos, resolveu dizer sim ao chamado desse Deus. Assim sendo, encaminhou-lhe Dom Cristiano Penna para a Faculdade de Teologia, da PUC Minas, em Belo Horizonte. Foi ordenado padre por Dom José Belvino do Nascimento, aqui em Itaúna no ano de 1990, no Poliesportivo JK.
Muitos o chamavam de “o homem dos 7 sacramentos”. Para nós católicos, os sacramentos são sinais visíveis da graça de Deus. São veículos dessa graça. E a maioria dos homens parte deste mundo com 6 sacramentos; pois ou se tem o sacramento do matrimônio ou o da Ordem ( que confere o sacerdócio católico).
Pois bem. O nosso Pe. Nilo partiu daqui na plenitude da graça! Com todos os 7 sacramentos! O último foi-lhe ministrado no leito do hospital, a unção dos enfermos, que o preparou para ir de encontro a Deus.
Em meio a tantas crises; eis o exemplo de Padre Nilo para nós. Exemplo de pai, de padre, de fidelidade, à Deus, à sua Palavra sobretudo. Enquanto esposo, honrou plenamente seu casamento sendo-lhe fiel até a morte de sua esposa. Enquanto padre, honrou plenamente o seu sacerdócio, sendo-lhe eternamente fiel. Enquanto homem, honrou plenamente a espécie humana, sendo humano com os humanos!
Descanse em Paz meu Pe. Nilo. Recebe agora a coroa da Justiça, a qual o Senhor, Justo Juiz, lhe deu naquele dia!
Misture sua luz a das estrelas...cintile quando o dia clarear.
Réquiem aeternam dona eis Domine, et lux perpetua luceat eis.

*paroquiano de Sant’ana

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