Itaúna, 22 de julho de 2018

Cadastro

27 de janeiro de 2018 às 07h00 - Atualizado: 24 de fevereiro de 2018 às 10h05

Uma História da Arte em Itaúna Centro de Arte e Artesanato “Yara Tupinambá”

Itaúna é um celeiro das artes! E rememoramos, nestes tempos, as vitórias e importantes conquistas do CENTRO DE ARTE E ARTESANATO “YARA TUPINAMBÁ”. Essa longa jornada, começou em 1981, com a fundação da ASSOCIAÇÃO DE ARTESANATO DO CENTRO SOCIAL URBANO DE ITAÚNA. Foi uma longa trajetória – de altos e baixos - como toda empreitada humana - e que contou com a determinação e empenho de artesãs de nossa terra - que ora rememoramos – por ser de inteira justiça: Constância Menezes Vilela Mourão, Aparecida Maria Weikeina, Oni Maria de Jesus Gaia, Diná Maria de Andrade, Constância Divina de Faria, Vicentina Alves Corina, Cordolira Ferreira Quintão... A estas, somaram-se outras tantas que conseguiram superar as dificuldades com muita criatividade, habilidade e trabalho.
Esta caminhada seguiu árdua e profícua até o ano 2000, quando, às já mencionadas, se juntaram outros artistas de nossa cidade, como: Dagmar de Lourdes Barbosa Soares, Maria Lúcia Rocha Oliveira Amaral, José Augusto Alves, Maria de Fátima Quadros; que com o apoio da Prefeitura Municipal, inauguraram o CENTRO DE ARTE E ARTESANATO “YARA TUPINAMBÁ – lançando novas ideias e agregando novos valores ao trabalho que já vinha sendo realizado e foram assim, conquistando seu espaço no cenário cultural de nossa cidade. Aqui um outro nome se faz mister citar e dar-lhe sua devida importância: YARA TUPINAMBÁ.
Esta mineira de Montes Claros, que estudou com Alberto da Veiga Guignard e Goeldi e foi bolsista do Pratt Institute, New York; tendo sido ainda professora de gravura da Escola Guignard e da Universidade Federal de Minas Gerais e diretora da Escola de Belas Artes da UFMG; com inúmeras condecorações e aquilatadas premiações; mencionada como referência de artista em dezenas de obras sérias sobre a arte e com inúmeros livros publicados, que tratam de sua arte e outros tantos com suas preciosas gravuras; de alto e reconhecido valor; com ainda uma centena de painéis belíssimos espalhados pelo território nacional e tendo participado de grandes e importantes exposições nacionais e internacionais. E tudo isso, muito nos envaidece e orgulha também, porque sua história se liga à nossa Itaúna, tendo aqui vivido parte de sua infância/adolescência, residindo na outrora encantadora Casa do Engenheiro. Queremos crer que as águas do São João e ares destas barrancas de Sant’anna ajudaram na fertilização e inspiração desta grande artista!
Feita a devida justiça, falemos de outro artista, que desde o ano de 2005 preside a ASSOCIAÇÃO DE ARTE E ARTESANATO DO CENTRO SOCIAL URBANO – CENTRO DE ARTE E ARTESANATO YARA TUPINAMBÁ: Gláucio Bustamante.
Graças ao seu competente trabalho, que buscou apresentar à Secretaria de Estado da Cultura, um projeto que se adequasse às exigências legais e que hoje comemoramos – com júbilo - a sua 10ª edição! Até aqui foram ministradas 760 oficinas e beneficiadas 3.803 pessoas (entre crianças, jovens, adultos e terceira idade); não se restringindo a nossa Itaúna, mas envolvendo diversas cidades do centro-oeste mineiro.
Necessário se fazer justiça e dar o devido reconhecimento a quem faz. A quem realiza. Gláucio Bustamante tem realizado e muito no campo da cultura, das artes em nossa cidade: sem holofotes – ao contrário - com muita dedicação silenciosa, humildade e determinação; o que faz a autenticidade de seu trabalho em nossa barrancas de Sant’anna do São João Acima!
Agora, uma revista, um compêndio está sendo gratuitamente distribuído ao povo de Itaúna; com a essa longa história e registrando as muitas oficinas e abnegados professores; grandes artistas de nossa Itaúna como: Levy Vargas Filho, Heli Herculano de Morais, Arlane Dias Duarte de Souza Chaves, Neolandes Aparecida Silva Ferreira Magela, Marilene Ferreira Rabelo, Alvimar Alves de Souza, Fabiana Coutinho Nogueira Mourão, Aline Narcisa de Oliveira e Nogueira, Beatriz Josefina Arena, Rosa Amélia Nogueira Fonseca, Olívia Almeida da Silva, Constância Divina de Faria, Flordeliz Nogueira Ferreira, Cleonice Ferreira, Beatriz Francisca Mundim Pinto, Emilene Rodrigues Ferreira, Sônia Moreira de Oliveira, Ana Maria de Oliveira e Silva, Sônia Moreira de Oliveira, Marilene Clara Fonseca, do Centro de Arte e Artesanato “YARA TUPINAMBÁ”; como sendo um marco festivo das vitórias e conquistas desses muitos artistas de nossa querida terra! A estes, a tantos outros do passado das barrancas de Sant’anna do rio São João, aqui fica registrado a eterna gratidão e loas pelos serviços e efervescências da Arte!
“A arte existe porque a vida não basta” Ferreira Gullar

*Bacharel em Direito / Licenciado em História pela UNIVERSIDADE DE ITAÚNA. Historiador/ Escritor/ Membro fundador da ACADEMIA ITAUNENSE DE LETRAS/ Autor de “Crônicas Barranqueiras” e coautor de “Essências” e “Olhares Múltiplos”/ Diretor da E.E. “Prof. Gilka Drumond de Faria” Cidadão Honorário de Itaúna

Prof. Luiz Mascarenhas - Réquiem para o Padre Nilo

ITAÚNA amanheceu mais pobre em seu cenário humano na manhã cinzenta do sábado, dia 12 de março do corrente ano. Partia para a eternidade o nosso tão querido Pe. Nilo.
Deixo aqui, a minha pequena contribuição sobre a Vida deste homem, com quem convivi desde a minha infância. Lembro-me bem da calça adidas, com as três listras, a camisa de malha branca, os tênis e um fusquinha que não me lembro bem a cor.
Todos os alunos postos em fila na linha vermelha da quadra e em silêncio. Seis horas da manhã. O relógio da Matriz de Sant’ana ecoava por toda a Itaúna a sua primeira badalada. E ele começava sua aula de Educação Física: “o anjo do Senhor anunciou a Maria...”
Nilo Caetano Pinto nasceu no distrito de Antônio dos Santos, em Caeté, Minas Gerais, em 24 de março de 1930. Era o filho mais velho de Carlito Caetano Pinto e Antônia Luiza Dinis e teve mais seis irmãos. Órfão de pai aos 11 anos, começou a trabalhar para ajudar em casa, sem deixar de lado os estudos, que seguiu até graduar-se em Educação Física pela UFMG.
Chegou em nossas barrancas ( graças a uma indicação do Cel. José Lázaro Guimarães- cunhado do Dr. Guaracy), já casado com Florescena Diniz Guimarães Pinto e tiveram teve oito filhos, dos quais conheceu 12 netos e um bisneto.
O nosso então Prof. Nilo lecionou na Escola Normal, a Escola Estadual de Itaúna, por 34 anos, como professor e vice-diretor. No Colégio Santa’Ana ficou durante 26 anos.
Nilo sempre foi um homem de Fé. Sempre engajado nos movimentos da Igreja. Ajudava com sua Família na Igreja da Piedade e na comunidade Sagrada Família do Bairro Cerqueira Lima, pois residia naquela região.
Em 1982, dona Florescena, sua esposa, veio a falecer. E aos 52 anos, ainda criando os filhos, resolveu dizer sim ao chamado desse Deus. Assim sendo, encaminhou-lhe Dom Cristiano Penna para a Faculdade de Teologia, da PUC Minas, em Belo Horizonte. Foi ordenado padre por Dom José Belvino do Nascimento, aqui em Itaúna no ano de 1990, no Poliesportivo JK.
Muitos o chamavam de “o homem dos 7 sacramentos”. Para nós católicos, os sacramentos são sinais visíveis da graça de Deus. São veículos dessa graça. E a maioria dos homens parte deste mundo com 6 sacramentos; pois ou se tem o sacramento do matrimônio ou o da Ordem ( que confere o sacerdócio católico).
Pois bem. O nosso Pe. Nilo partiu daqui na plenitude da graça! Com todos os 7 sacramentos! O último foi-lhe ministrado no leito do hospital, a unção dos enfermos, que o preparou para ir de encontro a Deus.
Em meio a tantas crises; eis o exemplo de Padre Nilo para nós. Exemplo de pai, de padre, de fidelidade, à Deus, à sua Palavra sobretudo. Enquanto esposo, honrou plenamente seu casamento sendo-lhe fiel até a morte de sua esposa. Enquanto padre, honrou plenamente o seu sacerdócio, sendo-lhe eternamente fiel. Enquanto homem, honrou plenamente a espécie humana, sendo humano com os humanos!
Descanse em Paz meu Pe. Nilo. Recebe agora a coroa da Justiça, a qual o Senhor, Justo Juiz, lhe deu naquele dia!
Misture sua luz a das estrelas...cintile quando o dia clarear.
Réquiem aeternam dona eis Domine, et lux perpetua luceat eis.

*paroquiano de Sant’ana

Colunas recentes de Prof. Luiz Mascarenhas - Réquiem para o Padre Nilo