Itaúna, 14 de dezembro de 2017

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15 de abril de 2017 às 07h00 - Atualizado: 19 de maio de 2017 às 17h08

Reitor falsificou assinatura do pai para avalizar terreno do campus

Os planejadores de universidades consideram necessária uma área de dois milhões de metros quadrados para um campus para vinte mil alunos. Esse é o número que pode ser alcançado no futuro pela Universidade de Itaúna, que não nasceu para ser uma instituição acanhada, mas para ter lugar de destaque no ensino superior brasileiro. O reitor pioneiro Guaracy de Castro Nogueira, com sua visão olímpica, lutou com denodo para conseguir – e conseguiu – área de terreno maior que a superfície do Principado de Mônaco, com frente para a rodovia MG 431, contígua ao trevo de Pará de Minas.
O primeiro terreno da Universidade foi o do Campus Vermelho, adquirido com muita dificuldade com a receita da única faculdade então superavitária, a Faculdade de Direito. As outras faculdades eram deficitárias, exceto a de Ciências Econômicas, que também não era lá essas coisas, pois andava na corda bamba orçamentária. Em l966, ano inicial, o déficit que mais atormentava era o da Faculdade de Enfermagem, que foi fechada por pressão do Conselho Federal de Enfermagem, que não admitiu uma escola superior de enfermeiros sem a retaguarda de um hospital universitário.
O segundo terreno foi à gleba original do atual campus, adquirida de Telmo Túlio Gonçalves de Sousa, com a ajuda do município, na gestão do prefeito Antônio Dornas de Lima. Mais adiante se verá que o Município de Itaúna, na medida de suas posses, apoiou a consolidação da Universidade, desde a administração do prefeito Milton de Oliveira Penido. O prefeito William Leão doou à instituição a área onde funcionou a Reitoria e hoje está instalada em comodato a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Turismo.
De passagem, anota-se a situação peculiar do lote do Diretório Central dos Estudantes, que está abandonado na rua Silva Jardim. O terreno está registrado em nome da pessoa jurídica do órgão de representação dos estudantes.
O primeiro prédio do Campus Verde, onde hoje funciona a Faculdade de Odontologia, teve sua construção iniciada e quase concluída na gestão do reitor Guaracy de Castro Nogueira, que antes implantou infraestrutura, como rede viária básica e rede de esgoto, rede de energia elétrica e arborização.
Para planejar uma universidade para matrícula de até vinte mil alunos, era necessário garantir dois milhões de metros quadrados para o campus. O Estado de Minas Gerais assumiu o compromisso de doar à Universidade a área que faltava, de um milhão de metros quadrados. Apenas para registro, explica-se a tentativa de desapropriação do terreno, mas com iniciativa frustrada em razão do elevado preço da avaliação. Além disso, os técnicos entenderam que a área era inadequada por ser cortada ao meio pela rodovia MG 431.
Sem perder tempo, o reitor Guaracy de Castro Nogueira entrou em negociações com o proprietário de uma gleba contígua, de Genaro Alves Pereira. Quando se soube que o pagamento seria de responsabilidade do Estado, com justa razão, o vendedor disse que só assinaria a escritura de compra e venda com o dinheiro no bolso. O Estado pedira prazo de duas semanas. Para superar o impasse o reitor propôs a emissão de uma nota promissória vencível quinze dias depois. O vendedor concordou desde que a letra fosse avalizada por quem tivesse pano pra manga.
Guaracy então perguntou a Genaro se servia para avalista o pai do dele, Guarany Nogueira, um dos maiores acionistas da Companhia Tecidos Santanense e da Itaunense. Fechado o negócio, só faltava uma coisa: a concordância do Guarany, que nunca ficou sabendo da trama. Guaracy falsificou a assinatura do pai, o Estado honrou a palavra e a Universidade completou a maior área de campus das fundações estaduais de então.

José Waldemar Teixeira de Mello - Minas Gerais & coisas mais

"Farei com a pena o que Bonaparte fez com a espada" (Balzac).

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