Itaúna, 22 de agosto de 2017

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18 de março de 2017 às 07h00 - Atualizado: 29 de abril de 2017 às 11h03

Que merda é essa?

Essa semana tivemos no Hospital Manoel Gonçalves, em contato com a direção do nosocômio, na busca de informações sobre o dia a dia daquela que é a instituição filantrópica mais importante da cidade. Somos, todos os itaunenses, sabedores dos graves e crônicos problemas financeiros vividos pelo Hospital Manoel Gonçalves ao longo de sua existência e principalmente nas últimas décadas, e isso aflige uma grande parcela da população, pois, é nosso único hospital, e lá, como já afirmamos por mais de uma vez, todos, independente de condição social ou financeira, terão seu primeiro atendimento. A direção da Casa de Caridade nos explicou que a situação melhorou um pouco e o déficit que girava em torno de R$ 500 mil/mês, hoje caiu e está na casa dos R$ 170 mil. Mas há uma dívida que vem sendo administrada, que gira em torno dos R$ 5 milhões e que gera juros diários.
Perguntamos em que pé estavam às negociações para que o Pronto-Socorro Municipal passe para as mãos do Hospital e obtivemos uma resposta que nos deixou apreensivos. A resposta da direção veio em dois ofícios. Um encaminhado pela provedoria do Hospital à Prefeitura, ao secretário de Saúde, e outro do secretário, respondendo. O Hospital fez proposta de R$ 1 milhão, 150 mil, para que possa gerir o Pronto-Socorro e a Prefeitura respondeu que pode pagar, no máximo, R$ 950 mil. A diferença, que considero pouca, foi motivo para que as negociações entre as partes fossem suspensas, conforme comunicou o secretário da Saúde, Fernando Meira de Faria. Em entrevista na página 7, o secretário afirma que não pode assumir um aporte que não pode cumprir, e a direção do Hospital diz que o valor proposto é mesmo para sobrar para que recursos possam ser investidos na amortização da dívida da instituição. O secretário ainda argumenta que recursos do Programa Rede Resposta, que está sendo regularizado, e que é uma verba hospitalar, serão cerca de R$ 200 mil/mês de repasse o que cobre a diferença da proposta. Mas aí, há de convir o secretário, não vai sobrar recurso para abater na dívida.
Diante da suspensão das negociações, não nos restou recordar a postura firme do nosso prefeito, que quero antecipar, é muito bem intencionado, de que a Saúde e o Hospital Manoel Gonçalves seriam prioridades em seu governo, quando eleito. Durante anos ouvimos isso. E por isso, queremos acreditar que o saneamento do Hospital será mesmo prioridade máxima. E assim pensando, entendemos que todos os esforços para que as parcerias possam dar certo, devem ser implementados com rapidez, lucidez e sem restrições. O que interessa é que a população tenha a certeza que os serviços no Pronto-Socorro e no Hospital, num todo, podem melhorar e serem satisfatórios. Entendemos que as negociações não podem ser deixadas de lado apenas porque há uma divergência de valores, que por sinal é pequeno, levando-se em conta o valor dos serviços prestados e a necessidade dos mesmos. E considerando ainda as possibilidades de manobras orçamentárias dentro da rubrica da Saúde. Na verdade, não é tão difícil provirem mais recursos para que o atendimento no Pronto-Socorro seja melhorado e o Hospital possa respirar financeiramente. Entendemos que a administração do HPS pelo Hospital possa trazer melhoras substanciais, pois ali se lida diretamente com atendimento médico, ao passo em que a Prefeitura gere, de longe, e tem mais dificuldade de fiscalizar a oferta e a execução dos serviços.
Portanto, o que importa é o atendimento à população, e sacrifícios devem e terão que ser feitos pelos nossos gestores municipais, que apregoaram anos a fio que o Hospital Manoel Gonçalves precisa ser visto de forma diferente pelo poder público municipal. Diríamos também que pelos empresários endinheirados e pela direção da Universidade de Itaúna. O fato é que agora os que estão no poder, são médicos, conhecem de perto os problemas da área de Saúde em Itaúna e mais que isso, conhecem também e muito de perto, os problemas enfrentados pelo Hospital Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, que por anos a fio vem sendo vítima de administrações que não tinham uma visão da importância dele para Itaúna, e porque não, para a região. Citamos como exemplo a administração Eugênio Pinto, que por 8 anos relegou o Hospital a segundo plano, não mantendo repasses em dia e não dialogando com o Conselho na busca de soluções. O momento é o de cumprir as promessas, e dessa promessa de resolver o problema do Hospital Manoel Gonçalves num todo e de mudar e humanizar o atendimento no Pronto-Socorro, aqui chamado de Plantão 24 Horas somos testemunhas ocular. Afirmamos tranquilamente que o hoje prefeito Neider, prometeu priorizar isso, ou melhor, prometeu resolver. E temos motivos para acreditar que vai, apesar da postura contida do secretário Fernando, que tem formação em Gestão da Saúde e demonstrou frieza ao discutir o tema Hospital. Mas são só impressões... A esperança é a última que morre, não é assim?

P.S. Antes que alguém questione ou “torça o nariz”, por causa da palavra usada no título do Editorial, esclareço que o Dicionário Aurélio, assim define entre outras, a palavra merda como: porcaria, covardia e tem designativo de repulsão. Portanto, ela encaixa como uma luva ao texto. Em minha opinião.

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