Itaúna, 22 de agosto de 2017

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10 de junho de 2017 às 07h00 - Atualizado: 08 de julho de 2017 às 09h46

Que cidade é essa?

Na terça-feira, 06, comumente fiz o que faço há cerca de 35 anos: compareci à Câmara Municipal para acompanhar mais uma reunião ordinária naquela Casa de Leis, ou que pelo menos deveria ser, com presença de plateia razoável. Estranhou-me a presença do vice-prefeito e do secretário Élvio Marques, titular na pasta da Assistência Social, e presente ainda o secretário Gustavo Dornas, que foi convocado para falar sobre os trabalhos na pasta dos Esportes, e principalmente sobre a praça de esportes do bairro Garcias. Na Ordem do Dia um projeto de interesse do médico e secretário Élvio Marques, que trata da criação do Conselho Antidrogas e Álcool. Feita a leitura e autorizada a discussão, começaram as surpresas. Não é que os vereadores, praticamente todos, partiram para a “babação”, e passaram a tecer elogios ao secretário Élvio, frente à pasta municipal. Mas foram tantos os elogios que, sinceramente, cheguei à conclusão que estou morando em outra cidade porque não consigo enxergar o que os ilustres vereadores estão enxergando. A maioria afirmou que o trabalho desenvolvido à frente da Secretaria de Assistência Social é o melhor já visto em Itaúna, outro disse que há muitos anos não se via um secretário à frente da pasta como Élvio e, blá, blá, blá, blá, blá, blá...
Não tenho absolutamente nada contra o Dr. Élvio, pelo contrário sempre achei o filho do Dirson, uma pessoa preocupada com Itaúna e com certos sonhos políticos que não se concretizaram, em minha opinião, pelo gênio forte, que não permite ao Élvio a ter, digamos, “jogo de cintura” para exercer a política. Mas, é ótima pessoa, trabalhador, e sou prova disso, fecha o consultório somente depois das 19 horas e sempre atende com o coração, para cuidar do coração. Mas como secretário de Assistência Social, motivo das “babações” dos nobres edis, não consigo enxergar nada palpável. E afirmo isso com tranquilidade, pois estão à vista de qualquer itaunense, as situações sociais de risco. A cidade nunca conviveu com tantos andarilhos, pedintes e moradores de rua. E podemos afirmar que não há uma ação programada e de eficácia sendo executada. Na Praça da Matriz, especificamente no monumento dedicado ao Dr. Augusto Gonçalves, que dá nome ao logradouro, alguns homens residem, isto mesmo, residem. Tem vassoura, fogareiro, cobertores e até um cachorrinho. E pior, fazem um dos canteiros da praça de banheiro, acrescente aí o coreto que literalmente virou um flat. Um absurdo que já perdura há meses e não há uma ação contundente da pasta da Assistência Social, tão elogiada pelos vereadores míopes, com certeza. Na Praça do José Flávio de Carvalho, desde o ano passado homens consomem drogas, bebem cachaça e depois dormem nos jardins, especificamente atrás da banca de madeira (loja né?) que tem no local. Ninguém faz nada, somente os vizinhos reclamam. Ao que parece já cansaram. Na pracinha que fica no entroncamento da Avenida São João, com Rua Ari Barroso, próximo ao Posto São Paulo, mais uma turma de mendigos faz do gramado uma “área de camping”, inclusive no decorrer do dia, próximo à rodoviária é comum ver vários homens e mulheres bebendo cachaça e consumindo drogas e pedindo esmolas no sinal da Rua Cel. João de Cerqueira Lima. E não pode ser esquecido que o prédio abandonado e em ruínas do Mercado Municipal, também serve de moradia e esconderijo para os moradores de rua.
Fica a pergunta: onde estão as ações dignas de aplausos e elogios deflagradas pelo secretário Élvio Marques frente à pasta da Assistência Social? Não existem. Então não há motivos para aplausos e elogios, digo “babação”. Fazer encontrão da 3ª Idade, que convenhamos já faz parte do calendário da cidade e ou aprovar projeto que cria Conselhos e ainda promover simpósios, não são ações que resolvem os problemas que são corriqueiros e que incomodam a população. E há que frisar que não há sequer um planejamento, pelo menos que seja de conhecimento público. Conclusão: a cidade em que moro é outra. Que cidade é essa que tem o melhor secretário de Assistência Social dos últimos 20 anos? Os vereadores especialistas em amaciar ego alheio, podem me responder. Ao trabalho gente, sinceramente.

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