Itaúna, 15 de novembro de 2018

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03 de fevereiro de 2018 às 08h00 - Atualizado: 03 de março de 2018 às 09h57

Prof. Marco Elísio – menino do dedo verde e da mente cor de rosa

Na literatura francesa, temos “O MENINO DO DEDO VERDE” - Tistou les pouces verts - escrito por Maurice Druon em 1957. Tistu, desde pequeno era especial, de um modo que ninguém sabia, nem ele mesmo. Seu primeiro professor descobriu que ele tinha o polegar verde, isso significava que aonde ele colocasse o polegar iriam nascer flores, pois em cada canto do mundo há sementes, só esperando que um menino especial como Tistu, faça estas se transformarem em flores. Por fim, seu professor disse à Tistu que não poderia contar isso a ninguém. Hoje, descobrimos que Itaúna teve o seu Tistu; o nosso menino do dedo verde...

MARCO ELÍSIO CHAVES COUTINHO, nasceu em Itaúna no dia 1º de dezembro de 1935. Filho do médico e político ouro-pretano Antônio Augusto de Lima Coutinho (que foi prefeito de Itaúna de 1947 a 1951) e da itaunense Nair Chaves Coutinho – professora (foi diretora da Escola Estadual de Itaúna), e considerada uma das mulheres mais belas de seu tempo. Teve oito irmãos: Helênio, Rômulo, Juarez, Evandro, Jairo, Helder, Maria Ângela e Ângela Maria. Durante sua infância recebeu formação religiosa e cultural em sua casa paterna, bem como no Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, Ginásio Sant’Anna e Colégio Normal Oficial de Itaúna. Casou-se no dia 04 de janeiro de 1963, com Vera Lúcia Amaral Coutinho. Deste matrimônio, nasceram os filhos Ana Cristina, Alexandre, Deborah e Luciana.
Foi nomeado membro da Assembleia Geral da Instalação da Universidade de Itaúna no ano de 1966, sendo mais tarde aluno do curso de Graduação em Letras nesta mesma Universidade, onde colou grau, no salão nobre da Escola Normal, no dia 14 de julho de 1972, na mesma turma do seu amigo e colega professor José Gomes Miranda.
Trabalhou na Escola Estadual de Itaúna, onde exerceu dignamente sua carreira. No Ginásio Sant’Anna foi professor de Ciências, Geografia, História; No Ginásio Orientado para o Trabalho de Santanense foi professor de Geografia; na Escola Normal lecionou Educação Moral e Cívica e Geografia; na Escola Estadual Victor Gonçalves de Souza foi professor de Inglês e na Universidade de Itaúna lecionou Cultura Brasileira, Literatura Brasileira, Estudos dos Problemas Brasileiros e Sociologia.
Durante todo o período em que desenvolvia suas atividades profissionais como professor atuou de forma significativa na vida cultural, política, religiosa e social da cidade. Foi Secretário da Educação, Secretário Executivo da Fundação de Cultura, Desporto e Turismo de Itaúna e Presidente do CODEMA-Itaúna. Realizou os estudos preliminares sobre o Projeto de Organização do Serviço de Água e Esgoto de Itaúna e participou de modo efetivo do Projeto “Itaúna – Cidade Educativa” em 1975. A Cultura de Itaúna lhe é devedora de significativa contribuição, principalmente dos tempos áureos da Fundação de Cultura, tempo dos melhores carnavais da cidade, não desmerecendo as Exposições de Orquídeas e a grande festa popular do Reinado.
No campo religioso teve atuação constante e profícua na vida da Igreja, atuando como ministro da eucaristia por longos anos, amigo dos padres (era o responsável pela confecção do tradicional tapete de Corpus Chriti e do presépio da Matriz = tapete herdado pela Bel de Abreu e presépio herdado pelo Maestro Henrique) e devoto fervoroso de Maria, a Mãe de Jesus, tornando inclusive conhecido como o maior construtor de grutas de Itaúna. Sua devoção a Virgem Maria o fez publicar obras sobre suas aparições pelo mundo afora, bem como obras sobre a devoção do Santo Rosário.
Foi destacado palestrante, aonde a ECOLOGIA foi uma das grandes paixões do professor Marco Elísio, sempre defendendo a bandeira do desenvolvimento sustentável, tratando a natureza e o meio ambiente com a mesma dignidade de criatura do mesmo Criador. Esta sua fé inabalável no potencial humano de transformar sua realidade e de preservar o meio ambiente, aliando ecologia e teologia está presente em suas obras: Sopros – Questão Ecológica– Humanista Urgente, 3ª ed. Itaúna: Vile Editora 2011; O Rosário Bíblico Meditado: Orações do Rosário 2ª ed.; Ave, Maria: Bernadete e a Imaculada Conceição, Aparições de Nossa Senhora em Itaúna e terço dos homens, a caminho da santidade padre Eustáquio e irmã Benigna em Itaúna, Gruta e devoções.
Dentre tantas peculiaridades destaco a de incorrigível sonhador. E o que seria do mundo, sem os sonhadores? No entanto, os sonhadores nem sempre são compreendidos, e quase sempre ridicularizados. Pela virtude e pela ousadia de sonhador, Marco Elísio, recebeu de críticos, no final da década de 1970, a alcunha de “MENTE COR DE ROSA”. Sabemos que esta alcunha, por algum tempo lhe incomodou; mas ter uma “Mente Cor de Rosa” representa, acima de tudo, esta ousadia de sonhar, sonhos possíveis e impossíveis, em um mundo que cada dia tenta cercear nossos sonhos.
Itaúna – a humana e pitoresca - teve um homem de mente cor de rosa e de dedo verde; morava em um lindo sobrado cor de rosa e todos aqueles tocados de alguma forma por ele, tiveram suas sementes - que traziam adormecidas - no coração e na alma, germinadas em lindas flores... Flores de renovação, de esperança, de vida. Professor Marco Elísio foi semear, junto dos outros anjos, a Paz pelo mundo. E ao chegar no céu, despejou sobre sua Itaúna, abundante chuva para brotar nossos sonhos...

*Bacharel em Direito / Licenciado em História pela UNIVERSIDADE DE ITAÚNA. Historiador/ Escritor/ Membro fundador da ACADEMIA ITAUNENSE DE LETRAS/ Autor de “Crônicas Barranqueiras” e coautor de “Essências” e “Olhares Múltiplos”/ Diretor da E.E. “Prof. Gilka Drumond de Faria” Cidadão Honorário de Itaúna

Prof. Luiz Mascarenhas - Réquiem para o Padre Nilo

ITAÚNA amanheceu mais pobre em seu cenário humano na manhã cinzenta do sábado, dia 12 de março do corrente ano. Partia para a eternidade o nosso tão querido Pe. Nilo.
Deixo aqui, a minha pequena contribuição sobre a Vida deste homem, com quem convivi desde a minha infância. Lembro-me bem da calça adidas, com as três listras, a camisa de malha branca, os tênis e um fusquinha que não me lembro bem a cor.
Todos os alunos postos em fila na linha vermelha da quadra e em silêncio. Seis horas da manhã. O relógio da Matriz de Sant’ana ecoava por toda a Itaúna a sua primeira badalada. E ele começava sua aula de Educação Física: “o anjo do Senhor anunciou a Maria...”
Nilo Caetano Pinto nasceu no distrito de Antônio dos Santos, em Caeté, Minas Gerais, em 24 de março de 1930. Era o filho mais velho de Carlito Caetano Pinto e Antônia Luiza Dinis e teve mais seis irmãos. Órfão de pai aos 11 anos, começou a trabalhar para ajudar em casa, sem deixar de lado os estudos, que seguiu até graduar-se em Educação Física pela UFMG.
Chegou em nossas barrancas ( graças a uma indicação do Cel. José Lázaro Guimarães- cunhado do Dr. Guaracy), já casado com Florescena Diniz Guimarães Pinto e tiveram teve oito filhos, dos quais conheceu 12 netos e um bisneto.
O nosso então Prof. Nilo lecionou na Escola Normal, a Escola Estadual de Itaúna, por 34 anos, como professor e vice-diretor. No Colégio Santa’Ana ficou durante 26 anos.
Nilo sempre foi um homem de Fé. Sempre engajado nos movimentos da Igreja. Ajudava com sua Família na Igreja da Piedade e na comunidade Sagrada Família do Bairro Cerqueira Lima, pois residia naquela região.
Em 1982, dona Florescena, sua esposa, veio a falecer. E aos 52 anos, ainda criando os filhos, resolveu dizer sim ao chamado desse Deus. Assim sendo, encaminhou-lhe Dom Cristiano Penna para a Faculdade de Teologia, da PUC Minas, em Belo Horizonte. Foi ordenado padre por Dom José Belvino do Nascimento, aqui em Itaúna no ano de 1990, no Poliesportivo JK.
Muitos o chamavam de “o homem dos 7 sacramentos”. Para nós católicos, os sacramentos são sinais visíveis da graça de Deus. São veículos dessa graça. E a maioria dos homens parte deste mundo com 6 sacramentos; pois ou se tem o sacramento do matrimônio ou o da Ordem ( que confere o sacerdócio católico).
Pois bem. O nosso Pe. Nilo partiu daqui na plenitude da graça! Com todos os 7 sacramentos! O último foi-lhe ministrado no leito do hospital, a unção dos enfermos, que o preparou para ir de encontro a Deus.
Em meio a tantas crises; eis o exemplo de Padre Nilo para nós. Exemplo de pai, de padre, de fidelidade, à Deus, à sua Palavra sobretudo. Enquanto esposo, honrou plenamente seu casamento sendo-lhe fiel até a morte de sua esposa. Enquanto padre, honrou plenamente o seu sacerdócio, sendo-lhe eternamente fiel. Enquanto homem, honrou plenamente a espécie humana, sendo humano com os humanos!
Descanse em Paz meu Pe. Nilo. Recebe agora a coroa da Justiça, a qual o Senhor, Justo Juiz, lhe deu naquele dia!
Misture sua luz a das estrelas...cintile quando o dia clarear.
Réquiem aeternam dona eis Domine, et lux perpetua luceat eis.

*paroquiano de Sant’ana

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