Itaúna, 21 de fevereiro de 2019

Cadastro

09 de fevereiro de 2019 às 07h00 - Atualizado: 16 de fevereiro de 2019 às 10h11

Postura, ética e preparo para o exercício da vida pública

“Sabe-se que a primeira atividade teórica da razão, ainda oscilante entre o pensamento e o sentimento, é a de contar. Contar é o primeiro ato teórico livre da razão. A estatística é a primeira ciência política. Posso entender a cabeça de um homem se souber quantos cabelos ela produz. Faça aos outros o que você quiser que lhes façam. E como poderemos dignificar-nos melhor, senão através das estatísticas?” A introdução é só para fazer lembrar aos políticos, principalmente aos mais despreparados, e/ou aos tecnocratas que vivem no meio, e aos menos avisados, que em qualquer ataque ou em qualquer defesa a razão deve sempre prevalecer. A emoção, sentimento nobre, não cabe em meio às mazelas que surgem das ações, onde a política “barata” e rasteira insiste em sopitar. E mais, covarde: que ou quem age com tremor diante de alguém ou de algo; que ou quem não apresenta valentia; que se caracteriza pela ausência de arrojo. Isto basta para explicar o que vem ocorrendo na Câmara Municipal de Itaúna nos últimos meses e que culminou com um vexame na primeira reunião do ano legislativo. Uma vergonha, protagonizada por um vereador despreparado em todos os sentidos. A culpa, como temos afirmado insistentemente, é do povo que, na ânsia de se ver livre da obrigação de escolher seus representante, “despeja” o voto em qualquer um. Aí acontece o que estamos sendo obrigados a assistir: uma baixaria sem limites, protagonizada por um inconsequente que não tem postura, não sabe o que é ética e muito menos o que representam os poderes constituídos. Tem certa razão os ativistas políticos envolvidos na questão. O senhor Clênio de Souza Faria, que se inscreveu para falar num expediente popular e democrático sobre dois temas que são pertinentes aos cidadãos itaunenses, o Plano Diretor em discussão e a suspeita de compra de votos na eleição da Mesa Diretora do Legislativo no ano passado. E o senhor Jerry Adriane, petista, esquerdista, agitador, artista, líder classista e mais o que ele quiser ser, pois antes de tudo ele é cidadão e tem o direito de questionar seus representantes, mas é preciso que saiba observar e obedecer às regras, coisa que não fez na terça-feira, ao desrespeitar a sua condição de assistente, interferindo na reunião ordinária de um poder constituído. Cabe agora ao presidente da Câmara, embasado no Regimento Interno e em suas prerrogativas de administrador da Casa de Leis, fazer valer as regras e as leis, impondo, primeiro ao vereador Iago Souza, vulgo Pranchana Jack, as punições cabíveis, de sua alçada, depois, determinando à Comissão de Ética, formada por vereadores, que as demais punições cabíveis sejam aplicadas. Em nossa opinião, o vereador, pelo histórico, que culminou com o “show circense” da última terça-feira, deveria é ser cassado, dando-lhe o direito de ampla defesa, mas fora da legislatura. É inconcebível que um vereador, homem escolhido para legislar em nome da população, tenha postura irresponsável como o mesmo já demonstrou ter dentro e fora do plenário. Na verdade, a postura do vereador Iago Souza é a de um palhaço, literalmente. O interessante é que foi exatamente por isso, por ter sido chamado de palhaço, que o ilustre edil perdeu a postura e virou um verdadeiro “galinho de briga”. No nosso conceito, ele não precisa se esconder por detrás do personagem famoso que criou. Esperamos que a presidência da Câmara, embasada nas leis que lhe permitam agir, assim como a Comissão de Ética, ajam com rapidez e eficácia para que o Poder Legislativo em Itaúna volte a ser respeitado. É lastimável que reuniões tenham que ser resguardadas por força policial. Uma vergonha para os moradores de uma cidade considerada Educativa do Mundo. Queremos também deixar bem claro aos envolvidos que sempre publicamos o que é público e notório, e temos a cidade, ou pelo menos parte dela, para testemunhar. Sempre buscamos divulgar fatos e atos, e opinamos acerca de fatos inegáveis que ocorrem no meio político da municipalidade. Questionamos, sim e sempre, atos nebulosos, mas e daí? É um direito nosso questionar atos públicos, assim como a postura e falta de ética dos homens públicos. Deixamos a entender, sim, em muitos de nossos editoriais que a grande maioria dos ocupantes de cargos públicos administrativos em Itaúna, em Minas e no Brasil não assume as responsabilidades de seus atos públicos. E, mais uma vez, queremos deixar claro que é direito de qualquer cidadão, inclusive dos homens públicos, pedir Direito de Resposta, contestar nossas opiniões, mas com critério, sem agressões e com verdades. Sempre assumimos o que escrevemos e nossas opiniões, inclusive em juízo, pois a livre manifestação do pensamento está aí garantida pela Lei Maior.

Colunas recentes de Renilton Gonçalves Pacheco - Na ponta da caneta