Itaúna, 23 de setembro de 2018

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14 de abril de 2018 às 07h00 - Atualizado: 12 de maio de 2018 às 10h00

PARÓQUIA SANT’ANA DE ITAÚNA

07/04/1841 – 07/04/2018 177 ANOS

Este ano comemoramos a efeméride dos 177 anos de criação da Paróquia de Sant’Ana de Itaúna. Foram os pioneiros da nossa povoação que iniciaram, no ano de 1739, no alto da colina, a construção de um Oratório, erigido de taipa de pilão, próximo a um cruzeiro existente, onde nele entronizaram a imagem de SANT’ANA – que aqui chegara em 1735- vinda de Setúbal –Portugal. 
Os anos se seguiram e dado o progresso do arraial, o então Curato foi elevado à Paróquia. Criava-se assim, pela Resolução Estadual nº 209, assinada pelo Presidente da Província (cargo hoje de Governador) Marechal Sebastião Barreto Pinto, a Paróquia de Sant’Ana (com um território que abrangia toda a cidade de Itaúna, bem como Carmo do Cajuru, Serra Azul e Itatiaiuçu). Itaúna, como município, surgiria apenas 60 anos depois. 
Uma vez criada a Paróquia de Sant’Ana, a antiga Capela de 1765 passou a funcionar como sua Igreja Matriz. Lá está a sua pia batismal a nos testificar isto (só as Matrizes possuíam uma…). E assim, permaneceu até o ano de 1853, quando ocorreu a já conhecida troca de capelas - Rosário dos Negros subiu para o monte e a Matriz de Sant’Ana foi para o meio do arraial. 
Seguiu -se a sucessão de seus Párocos:
O 1º Pároco – O revmo. Pe. Antônio Domingues Maia (de 1841 a 1849) “que deixou uma larga tradição de operosidade e brandura, devendo-se a ele vários empreendimentos de vulto para o tempo, entre os quais um muro de pedra em torno do único cemitério que existia no lugar, no adro da matriz do alto do Rosário, e que era vedado por uma cerca de aroeira” (DORNAS, 46).
O 2º Pároco – Pe. João da Cruz Nogueira Penido (1849- 1852) pairam dúvidas se recebeu mesmo a provisão para este importante cargo eclesiástico em nossa região. Deixando a Paróquia de Sant’Ana foi eleito Deputado Provincial.
As tramitações para ser o Pároco não eram como nos dias de hoje. O Governo abria uma espécie de edital público para os sacerdotes candidatos e que após as provas de Títulos e outras, tomavam posse da Paróquia como vigários colados, isto é, gozavam de irredutibilidade de vencimentos (as côngruas-pagas pelo Governo) e eram irremovíveis. Eram tidos como funcionários públicos e como não havia os cartórios-todos os registros eram feitos pelo Pároco, na Casa Paroquial: Atestado de Batismo (hoje a certidão de nascimento), do matrimônio, de óbito e os registros de terras. 
O 3º Pároco – Pe. João Batista de Miranda (1852-1863) fez a legalização de muitas terras do arraial de Sant’Ana, num total de 150 declarações de propriedade (escrituras), pois antes dele muitas propriedades eram conseguidas por posse e sem documentação, sendo ignoradas pelo Governo da Província. 
O 4º Pároco – Pe. Antônio Maximiano de Campos (1863-1902) foi uma espécie de “prefeito interino”, pois foi ele quem organizou a primeira Câmara Municipal (o Pároco escolhia os “homens bons” do lugar para integrarem as primeiras Câmaras e as reuniões aconteciam na igreja) e deu andamento a todo o processo de sua instalação, no dia 1º de janeiro de 1902. Ser vereador era uma honra para o cidadão e, portanto, não havia nenhum tipo de salário para esta função. 
O Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira foi “eleito” para ser o primeiro Presidente da Câmara e Agente do Executivo Municipal (hoje cargo de Prefeito) e o Pe. Antônio Maximiano de Campos foi nosso primeiro Vice-prefeito.  O Pe. Antônio terminou as obras de ampliação da antiga Matriz de Sant’Ana (na praça atual; demolida em 1934) e foi também o presidente do “Clube Literário e Progressista” de 1884 a 1885 e foi ele quem abençoou as instalações da Companhia de Tecidos Santanense no dia 07 de setembro de 1895. Encontra-se sepultado no interior da Igreja Matriz de Sant’Ana, debaixo da escala que dá acesso ao coro.
O 5º Pároco – Pe. João Ferreira Álvares da Silva (1902-1924), fez uma grande reforma na Matriz velha da praça em 1916. Em 14 de novembro de 1919, participou da benção do prédio (hoje em ruínas) da Casa de Caridade “Manoel Gonçalves de Souza Moreira” junto com o Arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta. Pe. João que fez a inauguração da capela do Hospital velho em 1922.
Com seu jeitão esparramado e alegre, frequentava as festas e gostava de cantar. Fumava cigarro de palha e, meio asmático, tossia muito…. Esfregava sua barba por fazer nas moças e sempre dizia: “eita Itaúna que deu moças bonitas esse ano…” Todavia, era muito respeitado e presente na vida dos itaunenses.
Hoje seu nome é homenageado no antigo Largo dos Passos (dizia-se “praça da Delegacia” no bairro da Piedade/centro, aonde existiu a Capela dos Passos entre 1894 até 1948). Está sepultado na Matriz de Sant’Ana. 
O 6º Pároco –  Pe. Cornélio Pinto da Fonseca (1924-1928) fez uma grande revolução espiritual em Itaúna. Conduziu reformas na velha Matriz da praça em 1926 e em 1927 benzeu a pedra de fundação da Capela Imaculada Conceição. 
O 7º Pároco –  Pe. José Joaquim Batista de Queiróz (1928- 1931) foi quem inaugurou a Capela Imaculada Conceição em 1930. Demoliu um muro de pedras que cercava a Igreja do Rosário e lhe fez a primeira grande reforma – que infelizmente a descaracterizou por completo em 1929- pois esta ameaçava desabar. Também fundou uma excelente biblioteca paroquial, que lamentavelmente desapareceu nos anos após sua saída da paróquia. 
O 8º Pároco – Pe. Inácio Fidélis Campos (1931-1934) era enérgico e trabalhador. Fundou um jornal paroquial em 1932, chamava-se “O Semeador”. Fundou um ginásio que funcionou na rua Direita (hoje Getúlio Vargas). Em 17 de abril de 1932 inaugurou a Capela do Sagrado Coração de Jesus em Santanense (que foi demolida para dar lugar a nova matriz) e iniciou a construção da nova Igreja Matriz de Sant’Ana no local do velho cemitério (hoje EE “José Gonçalves de Mello), obra que nunca saiu dos alicerces…
O 9º Pároco – Pe. José Augusto Ribeiro Bastos (1934-1938) era tido na época como “o padre chique”. Usava uma longa capa por cima de sua batina negra de tecido brilhante e sempre com um barrete ajustado à cabeça. Diziam que tinha panca e pose de cardeal. Foi o construtor da atual Igreja Matriz de Sant’Ana.
O 10º Pároco – Pe. Waldemar Antônio de Pádua Teixeira (1938-1943) muitos ainda guardam saudosas lembranças…. Foi o Pe. Waldemar quem terminou a construção da nova Igreja Matriz de Sant’Ana na praça “Dr. Augusto Gonçalves”. Promoveu a benção solene da nova Matriz e a sagração do altar–mor (doação do Cel. João de Cerqueira Lima) em 26 de janeiro de 1941. 
O 11º Pároco – Cônego José Ferreira Netto (1943-1985) de saudosa e feliz memória- construiu o côro e os altares laterais da Igreja Matriz de Sant’Ana. Construiu também as capelas das Graças, de Nossa Senhora Aparecida e de São José em Garcias. Foi um dos fundadores do Colégio Sant’Ana e idealizador da Granja escola São José.
Temos ainda dentre suas obras, o antigo lactário, a Pastoral Carcerária que desaguou na APAC atual; foi Diretor da Escola Estadual de Itaúna, entre 1966 e 1970 e ainda construiu e reformou muitas capelas rurais como do Córrego do Soldado, Cachoeirinha, Vista Alegre, Paulas e Santo Antônio da Barragem. Construiu ainda a nova Casa Paroquial, hoje o Centro Pastoral “Cônego José Ferreira Netto”. Sem dúvidas, o preclaro Cônego José Ferreira Netto foi sacerdote de grande destaque nas páginas de nossa História. 
O 12º Pároco – Pe. Luiz Carlos Amorim (1985- 1991) promoveu uma grande reorganização da Paróquia, implantando inúmeras pastorais e alavancando com grande dinamismo a vida pastoral de Sant’Ana; bem como promovendo a formação de lideranças leigas. 
O 13º Pároco – Pe. Amarildo José de Mello (1991- 2002) deu continuidade ao processo de modernização da Paróquia e a tornou novamente, muito presente na vida civil da cidade; além de humanizar as relações entre a Igreja e os fiéis. Construiu a nova Casa Paroquial e ampliou os serviços sociais em tempos de grande crise econômica, amenizando as penosas consequências para dezenas de famílias. 
O 14º Pároco – Pe. José Carlos de Souza Campos (2003-2004). Rápida foi a passagem do Pe. José Carlos nosso atual Bispo Diocesano, tendo propiciado uma efetiva organização dos serviços paroquiais. 
O 15º Pároco – Pe. Edilson Antônio Manoel (2005-2010) incentivou a Pastoral da Família e a devoção mariana na Paróquia.
O 16º Pároco – Pe. Francisco Cota de Oliveira (2011 a 2017) conduziu a paróquia com especial zelo pastoral e uma ação de resgate da Tradição e da Cultura, devolvendo à Paróquia de Sant’Ana seu habitual, histórica e marcante presença no seio da Comunidade Itaunense. Muito assinalada também é sua dinâmica ação pastoral para com o social da Paróquia; tendo fundado a obra de assistência aos irmãos de rua e às crianças do alto do Rosário (Projeto “Aquarela”).
O 17º Pároco – Pe. Everaldo Quirino Ferreira (2018) é o atual ADMINISTRADOR PAROQUIAL, que tem se revelado como o Bom Pastor, dedicado, competente, piedoso e muito atencioso para com o seu rebanho; dando continuidade ao profícuo trabalho pastoral desenvolvido pelo seu antecessor. 
 
NA HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DA PARÓQUIA DE SANT’ANA dois nomes se destacam pelos serviços prestados e pela grande significação junto ao povo de Itaúna: O revmo. Pe. Francisco Cota de Oliveira – hoje DOM FRANCISCO = bispo auxiliar de Curitiba e o revmo. Pe. Everaldo, atual Administrador Paroquial (diga-se zeloso, operante, dedicado, competente e muito atencioso, e humano junto ao seu rebanho)… Ambos muito contribuíram e contribuem para o verdadeiro resgate e avivamento da paróquia em suas Tradições e na presença significante e viva no seio da Sociedade Itaunense. 
Será de bom alvitre, se recordar também os milhares e milhares de fiéis leigos que nestes 177 anos também colaboraram na construção desta bonita história de Fé, de Esperança e de Amor ao próximo! Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! VIVA A PARÓQUIA SANT’ANA DE ITAÚNA!!!

*Bacharel em Direito, Licenciado em História pela Universidade de Itaúna, Historiador, Escritor, Membro Fundador da ACADEMIA ITAUNENSE DE LETRAS, Autor de “Crônicas Barranqueiras” e coautor de “Essências” e “Olhares Múltiplos”, Diretor da E.E. “Prof. Gilka Drumond de Faria” e Cidadão Honorário de Itaúna.
 

Prof. Luiz Mascarenhas - Réquiem para o Padre Nilo

ITAÚNA amanheceu mais pobre em seu cenário humano na manhã cinzenta do sábado, dia 12 de março do corrente ano. Partia para a eternidade o nosso tão querido Pe. Nilo.
Deixo aqui, a minha pequena contribuição sobre a Vida deste homem, com quem convivi desde a minha infância. Lembro-me bem da calça adidas, com as três listras, a camisa de malha branca, os tênis e um fusquinha que não me lembro bem a cor.
Todos os alunos postos em fila na linha vermelha da quadra e em silêncio. Seis horas da manhã. O relógio da Matriz de Sant’ana ecoava por toda a Itaúna a sua primeira badalada. E ele começava sua aula de Educação Física: “o anjo do Senhor anunciou a Maria...”
Nilo Caetano Pinto nasceu no distrito de Antônio dos Santos, em Caeté, Minas Gerais, em 24 de março de 1930. Era o filho mais velho de Carlito Caetano Pinto e Antônia Luiza Dinis e teve mais seis irmãos. Órfão de pai aos 11 anos, começou a trabalhar para ajudar em casa, sem deixar de lado os estudos, que seguiu até graduar-se em Educação Física pela UFMG.
Chegou em nossas barrancas ( graças a uma indicação do Cel. José Lázaro Guimarães- cunhado do Dr. Guaracy), já casado com Florescena Diniz Guimarães Pinto e tiveram teve oito filhos, dos quais conheceu 12 netos e um bisneto.
O nosso então Prof. Nilo lecionou na Escola Normal, a Escola Estadual de Itaúna, por 34 anos, como professor e vice-diretor. No Colégio Santa’Ana ficou durante 26 anos.
Nilo sempre foi um homem de Fé. Sempre engajado nos movimentos da Igreja. Ajudava com sua Família na Igreja da Piedade e na comunidade Sagrada Família do Bairro Cerqueira Lima, pois residia naquela região.
Em 1982, dona Florescena, sua esposa, veio a falecer. E aos 52 anos, ainda criando os filhos, resolveu dizer sim ao chamado desse Deus. Assim sendo, encaminhou-lhe Dom Cristiano Penna para a Faculdade de Teologia, da PUC Minas, em Belo Horizonte. Foi ordenado padre por Dom José Belvino do Nascimento, aqui em Itaúna no ano de 1990, no Poliesportivo JK.
Muitos o chamavam de “o homem dos 7 sacramentos”. Para nós católicos, os sacramentos são sinais visíveis da graça de Deus. São veículos dessa graça. E a maioria dos homens parte deste mundo com 6 sacramentos; pois ou se tem o sacramento do matrimônio ou o da Ordem ( que confere o sacerdócio católico).
Pois bem. O nosso Pe. Nilo partiu daqui na plenitude da graça! Com todos os 7 sacramentos! O último foi-lhe ministrado no leito do hospital, a unção dos enfermos, que o preparou para ir de encontro a Deus.
Em meio a tantas crises; eis o exemplo de Padre Nilo para nós. Exemplo de pai, de padre, de fidelidade, à Deus, à sua Palavra sobretudo. Enquanto esposo, honrou plenamente seu casamento sendo-lhe fiel até a morte de sua esposa. Enquanto padre, honrou plenamente o seu sacerdócio, sendo-lhe eternamente fiel. Enquanto homem, honrou plenamente a espécie humana, sendo humano com os humanos!
Descanse em Paz meu Pe. Nilo. Recebe agora a coroa da Justiça, a qual o Senhor, Justo Juiz, lhe deu naquele dia!
Misture sua luz a das estrelas...cintile quando o dia clarear.
Réquiem aeternam dona eis Domine, et lux perpetua luceat eis.

*paroquiano de Sant’ana

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