Itaúna, 18 de dezembro de 2018

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14 de julho de 2018 às 07h00 - Atualizado: 04 de agosto de 2018 às 10h18

OS SENHORES DE CASHELMARA

Susan Howatch

O gosto masculino pela leitura tende para romances históricos, assim quanto é mais comum o gosto feminino pelo romance de época.
O livro OS SENHORES DE CASHELMARA, porém, foi adquirido porque me interessou muito o enredo, porém o surpreendente foi descobrir que se trata de uma saga.
Apesar de ter características de romance de época esta saga assim o é por se tratar de uma narrativa na qual o autor conta uma história que passa por diversas gerações de uma família, grupo, clã ou nação.
Talvez por isso agrade a gregos e troianos porque tem elementos históricos e é contado por personagens fictícios abordando aspectos sociais e culturais daquele tempo como se dá nos romances de época.
A autora dividiu o livro em seis partes e cada uma fala de um personagem central em torno do qual orbitam as demais personagens, típico do gênero novela. O leitor sentirá que embora o romance seja assim bem definido, todos os personagens quando não é o personagem central, fazem parte da trama dos demais ocupando um espaço determinado no enredo.
Há também personagens secundários que como coadjuvantes permitem delinear as personagens principais de forma esclarecedora, ora confrontando-as, ora apoiadas por um ou outro personagem de maior quilate.
Edward, já estava viúvo há oito anos, quando na primavera de 1859 visitou a América. Com a morte de seu irmão David não confiava em ninguém capaz de resolver os negócios de família com o primo Francis nos Estados Unidos.
Por outro lado seu irmão sempre insistia que ele conhecesse Blanche, que apesar de muito jovem demonstrava muita maturidade e certamente quem sabe ele poderia sentir-se motivado a abandonar a viuvez, com o que é claro, Edward discordava.
Ainda se ressentia da perda de David seu último vínculo com o passado, foi quando recebera da América uma longa carta de condolências, tudo porque Blanche vira o obituário de David no Times e escrevera dizendo compartilhar de sua profunda dor.
Dizem que a necessidade faz o sapo pular e nada melhor do que uma visita para resolver questões que David fazia muito bem quando ia pessoalmente aos Estados Unidos. Ademais era a oportunidade de conferir se a jovem era mesmo tudo o que lhe dissera o falecido irmão, sendo propício fazê-lo agora porque ela já estaria com 20 anos.
Francis Marriott fora recebê-lo no cais reservado ao vapor da linha Cunard. Nova York era uma efervescência mesmo depois de haver fechado a porta à imigração irlandesa a cerca de dez anos.
Estava muito quente e o suor escorria pela face, seguiram direto para a casa onde a família o esperava no vestíbulo. Logo Edward reconheceu Blanche, era menor do que imaginara, mas o corpo era atraente e pela primeira vez, foi forçado a admitir que o irmão David não houvesse exagerado em nada, por que o conjunto de aspectos físicos da jovem era de impressionar tinha “a pele pálida e imaculada, os malares salientes, o pescoço comprido e adorável.” Fez de tudo para manter uma expressão neutra enquanto Francis apresentava sua esposa Amélia e os filhos Sarah e Charles, só então depois de toda a formalidade é que efusivamente Francis apresentou-lhe a irmã Blanche se esquecendo de sua irmã mais nova.
Cortês, Edward, não ignorou Marguerite e dispensou à mesma depois de apresentada por Francis, uma atenção especial que não dera a sua irmã Blanche, conseguindo assim disfarçar de certa forma sem deslumbramento pela prima mais velha.
Os dias se passaram e a companhia de Blanche foi cada vez mais frequente e a aproximação se fez inevitável apesar da cerimônia inglesa tão patente em Edward. Porém no dia que antecedeu sua partida para Washington ficaram pela primeira vez a sós no jardim da propriedade e Blanche aproveitou para se despedir não sem antes insistir com o primo que ficasse e como não capaz de dissuadi-lo deu-lhe um beijo na face e saiu correndo para dentro da casa deixando-o confuso com tudo aquilo porque não era um comportamento aceitável para os ingleses.
Fato é que passado o frenesi Edward adentrou a casa para se despedir de Francis e dos demais, seguiu direto para a sala principal, mas no corredor ouviu que o primo repreendia a irmã Blanche pela sua atitude no jardim vista por ele da janela da sala. Até aí nada poderia ser tão frustrante, não fosse à revelação de que tudo não passara de um ardil promovido pelo primo Francis que tencionava empurrar a irmã mais velha para um casamento de interesses, pois se encontrava endividado com a crise da bolsa de valores de dois anos atrás.
É de partir o coração ver um homem de sessenta anos arrasado pela simples declaração da pretendida que irada disse:
“Pois a culpa é sua se isso aconteceu! Jamais quis ter qualquer relacionamento com o primo Edward. Você é quem insistiu... escreva para o Primo Edward, seja gentil com o Primo Edward, lisonjeie o Primo Edward...”.
Transtornado apalpando a parede do corredor percebeu estar diante de uma porta, girou a maçaneta entrou numa antessala, apertando a testa com as mãos abriu os olhos pela primeira vez e viu Marguerite assentada atrás de uma mesa de frente para um tabuleiro de xadrez.
Sinto muito caro leitor tenho que encerrar isto é apenas um vislumbre do que te espera nesse livro de 739 páginas, porque quando você terminá-lo terá certamente lido cerca de seis grandes histórias. Atreva-se e leia, pois recomendo com louvor.

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