Itaúna, 22 de abril de 2018

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18 de novembro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 09 de dezembro de 2017 às 10h10

Os interesses políticos e pessoais suplantam os interesses coletivos

Sinceramente, não sei por onde começar. Essa semana as intempéries, as mazelas e as peripécias políticas foram tantas que discorrer e opinar sobre todas se torna impossível. Alguém acha normal, por exemplo, marcar a data do pagamento e não cumprir porque deixaram de encaminhar documentos para a liberação de recursos? Isso, sem contar que os salários de outubro já foram pagos com atraso, no dia 14 de novembro? Será normal, deixar de trabalhar politicamente para conseguir recursos federais de 20 milhões, para pleitear autorização para fazer financiamento da ordem de 12 milhões para realizar a mesma obra, no caso a da “prainha”? Será normal ter o prédio da prefeitura invadido, com a suspeita de que pode até mesmo ter sido uma invasão forjada? E será normal, a cidade ter adiada a retirada dos trilhos do centro porque outros municípios agiram politicamente? E por aí vai...
Mas, o que mais chama a atenção essa semana é o fato do prefeito, ao ver questionada a situação administrativa e política da cidade, responder sem pestanejar que Itaúna vive a melhor administração que já viu e que está tudo maravilhosamente bem. Foi isso que ouvi na Câmara essa semana, e continuo ouvindo em todos os cantos da cidade e em todas as camadas sociais. A cidade está um caos e isso é visível. Está correto o vereador Alexandre, ao afirmar que o prefeito precisa sair e conhecer a cidade, vivenciar seus problemas, pois ouvindo “o cordão de puxa sacos no gabinete”, que afirmam que está tudo uma maravilha é, no mínimo, uma atitude tacanha. A cidade tem problemas em todos os setores e de simples resolução, mas é preciso, primeiro conhecimento e depois atitude, com uma boa dose de humildade para que se faça o que é necessário.
Somos sabedores de que os interesses políticos às vezes suplantam as necessidades e travam as realizações e também sabemos que nem tudo que parece ser palpável têm resultados concretos, é o caso das verbas federais, trabalho de deputados junto aos ministérios e ou através de emendas. Mas entendemos que é preciso sim, fazer o trabalho político, é preciso ir a Belo Horizonte, a Brasília, reunir, expor projetos, conversar, ouvir, e principalmente cobrar. Não é alegar que os vereadores querem é fazer “balcão de troca”, para conseguir trazer verbas para a cidade, e sentar no gabinete e esperar o tempo passar. Repetimos: é preciso atitude.
Quanto aos vereadores e os que estão no poder, a frente do município, é deixar claro para a população que os interesses políticos são adversos em vários aspectos, e a cidade vai ficar prejudicada por causa disso. Se já está difícil conseguir investimentos junto aos governos federal e estadual para o município, com interesses políticos adversos o quadro piora, pois, as eleições do próximo ano, fazem com que as divergências por causa dos apoios se aflorem. No caso da possível verba de R$20 milhões que estaria sendo trabalhada pelo vereador Da Lua, para as obras da Avenida Jove Soares, e que o vereador alega falta de interesse dos nossos mandatários, Neider e Fernando Franco, o que podemos concluir é que os interesses políticos estão sendo colocados acima dos interesses do município. Não acreditamos muito que esse montante seria disponibilizado pelo Ministério das Cidades, mas até acreditamos no trabalho do deputado Paulo Abi-Ackel, porém o que mais fica evidenciado nesse imbróglio é que o prefeito está totalmente travado devido aos acordos feitos, visando garantir a sua eleição, como temos afirmado e reafirmado.
Somos sabedores de que os acordos costurados por Neider nas esferas do poder federal e estadual, não permitem que ele faça a política caseira como seria necessário. Em nossa opinião, o prefeito não está preocupado com os recursos conseguidos pelos vereadores e não acredita muito nas promessas, o que é até correto, mas, circunstâncias, como a obrigação política de ter que apoiar o governador Pimentel na reeleição, o deputado Agostinho Patrus para estadual e Adalclever, dentre outros, não deixa as coisas fluírem em prol de Itaúna. Além dessas circunstâncias, que vão ser negadas por ele, há ainda, a postura pessoal, que vem recheada com prepotência, arrogância, distanciamento e consecutivamente desobrigação de fazer, por achar que foi legitimado por mais de 60 por cento dos votos. Foi. É passado.

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