Itaúna, 18 de março de 2019

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12 de janeiro de 2019 às 07h00 - Atualizado: 02 de fevereiro de 2019 às 10h57

O homem público deve satisfação dos seus atos

Sabe-se que a primeira atividade teórica da razão, ainda oscilante entre o pensamento e o sentimento, é a de contar. Contar é o primeiro ato teórico livre da razão. A estatística é a primeira ciência política. Posso entender a cabeça de um homem se souber quantos cabelos ela produz. Faça aos outros o que você quiser que não lhes façam. E como poderemos dignificar-nos melhor, senão através das estatísticas?  

A introdução é só para fazer lembrar aos políticos ou tecnocratas que vivem no meio público e estão chegando agora, portanto menos avisados, que em qualquer ataque ou em qualquer defesa, a razão deve sempre prevalecer. E o governador de Minas, “marinheiro de primeira viagem”, perdeu a razão esta semana, ao não levar em consideração que a Constituição Federal garante a liberdade plena de expressão e para exercê-la é preciso considerar que o profissional que lida com informações precisa, primeiro, ter acesso a elas e a quem as detém. A vinda do novo governador, ou do governador do Novo a Itaúna na quinta-feira, mostrou que o governante que acaba de aportar na Cidade Administrativa não está preparado para celebrar a liberdade. A visita feita à Apac-Itaúna não teve a presença da imprensa local. E pior, não deram nenhuma explicação, não comunicaram nada, e na manhã desta sexta-feira um release da Central de Imprensa do Governo foi postado nos e-mails dos órgãos de comunicação itaunenses. Um desrespeito. E uma forma ditatorial de lidar com a imprensa. Esta é a primeira impressão.
Podem alegar que a visita foi um convite do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, e que o mesmo é quem decidiu tudo, mas não foi o que se viu na Apac, pois o cerimonial do governo e a equipe de segurança eram os que estavam ditando as normas. Além de barrar a imprensa, a equipe do governador interditou rua e proibiu a entrada de vereadores no recinto. Pergunto: com 12 dias de governo, com o Estado em estado de calamidade, cheio de problemas na estrutura administrativa, completamente falido e com questões políticas para serem resolvidas em nível federal e estadual, é momento de visitar “presídio” para conhecer método de recuperação? É verdade que o Estado precisa buscar soluções para os problemas dos presídios, para o cumprimento de penas, mas não pode ser desse jeito. A atitude do governador em não permitir a imprensa na Apac, e não conceder entrevista para explicar os motivos de se conhecer o método de recuperação de condenados que é sucesso no Brasil e tem o reconhecimento mundial, evidencia a falta de preparo do governador para lidar com a coisa pública. Ele pode ser um empresário de sucesso, mas não pode confundir as coisas e querer empregar os métodos administrativos, ou seu estilo, no governo de Minas. Homem público tem que falar com a imprensa, responder questionamentos, e não pode “enfiar goela a baixo” release produzido por assessoria.
Em nossa opinião o governador recém-empossado deveria é estar buscando meios de reverter a situação dos repasses retidos para os municípios. Mas esta semana, infelizmente, usou da mesma prática do governo anterior, reteve recursos dos municípios, inclusive de Itaúna, e não deu nenhuma satisfação. Em relação a esse assunto, a sua assessoria de imprensa não produziu nenhum release para explicar os motivos da apropriação indébita, tão criticada pelo então candidato do Novo. Não vimos nenhum release para afirmar que o Senhor Zema e sua equipe estão trabalhando no sentido de regularizar a questão, que configura mesmo apropriação indébita.
O nosso sentimento já é o de que o governador está buscando holofote, e ainda não tem consciência das responsabilidades do cargo que ocupa, num todo. Vai aprender. Pelo menos acreditamos que sim, mas o tempo urge. Os municípios têm seus compromissos para com a população e não podem ficar sem os recursos federais e estaduais. Os serviços das cidades precisam funcionar e as áreas da saúde e educação têm que prestar a assistência necessária à população, principalmente a mais carente. Os 25 milhões de reais retidos de Itaúna poderiam estar sendo empregados em obras e na melhoria dos serviços num todo.
Para finalizar, queremos deixar bem claro, já no início do mandato do Excelentíssimo Senhor Governador do Partido Novo, que é direito nosso questionar, opinar e cobrar posicionamentos sobre atos públicos. E deixamos sempre a entender, sim, em muitos de nossos editoriais, e fazemos questão de frisar e repetir, que a grande maioria dos ocupantes de cargos públicos administrativos em Itaúna, em Minas e no Brasil não assumem as responsabilidades de seus atos públicos. Então, senhor Romeu Zema, repense e o seu primeiro passo rumo ao interior do estado e entenda que, para ser NOVO, ter na imprensa o caminho para ser entendido é um dos critérios democráticos. Mas mais uma vez reafirmamos: é direito dele não querer a imprensa em suas visitas e/ou atos públicos. Mas que fique bem claro: é livre a manifestação do pensamento e ela está aí garantida pela Lei Maior.

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