Itaúna, 19 de novembro de 2017

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04 de novembro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 18 de novembro de 2017 às 10h00

O FANTASMA

Danielle Steel

Nos anos oitenta, esta escritora americana foi uma das mais lidas e amadas pelo público feminino. Ela é declaradamente uma entusiasta do romance dramático e quase que totalmente a sua obra fala de sua época, das questões familiares e os conflitos matrimoniais, tão em voga naqueles tempos.
Em sua obra é raro um romance de época ou histórico, pois ela é mais afeita às atualidades, mas estamos diante de um romance não muito comum de Danielle Steel.
Em O FANTASMA ela faz uma incursão no passado para contar a história de uma mulher forte e determinada que é capaz de aventurar-se numa fuga da Inglaterra setecentista para vir morar nas Américas. Assim, a história se desenrola entre passado e presente para contar não uma história, mas duas simultaneamente e com protagonistas muito diferentes, porque enquanto no passado uma mulher está fugindo de um marido violento e de uma vida infeliz a que ela não se submeterá, do outro, no presente, o livro inicia com o retorno de um americano que vivera os últimos dez anos em Londres e tivera a decepção de saber que sua esposa o deixara pelo sócio da firma de advocacia em que ela trabalhava, então, a única decisão aceitável era voltar para casa.
Tanto o homem como a mulher teve uma desilusão matrimonial e ambos não estão dispostos a viver naquele lugar, prolongando assim seu sofrimento ante ao infortúnio de se haverem casado com pessoas, que não os correspondem nem as amam.
Charlie não entendia como Carole o deixara por um homem que podia ser seu pai, a diferença entre eles era de 22 anos, enquanto que entre esposo e esposa a diferença era de apenas três anos. Mas o imperdoável é que ele nem percebeu os elogios rasgados de Carole quando falava de Simon St. James, não viu que “Ela gostava de trabalhar com ele, às vezes ria das coisas dele, contava como era inteligente e como era um escândalo com as mulheres. Era afável, arrojado, bonito e extremamente charmoso”.
Como foi estúpido a ponto de só descobrir, quando ela não suportando mais os encontros furtivos e cada vez mais intensos, lhe confessou o desejo de separar-se para viver com Simon, era só assinar a papelada já redigida pelo advogado contratado e estaria acabado - sem dor, sem lamúria e o minimamente sofrível.
Mas no passado longínquo, Sarah Ferguson escrevera em seu diário, nos idos de 1789 que, casara-se com o Conde de Balfour, Edward, e a “única coisa que sempre quisera dela fora um herdeiro e, após anos com ela, ele ainda não tivera nenhum”. “Todos os filhos que ela gerara haviam sido abortados ou natimortos”, ou tinham morrido horas depois de haverem nascido.
Sarah estava cansada de tudo aquilo, Edward, havia saído para caçar a quatro dias e ele levara consigo cinco de seus criados. Aos homens que o procuravam ela disse para procurá-lo nas tavernas ou em suas fazendas, porque o conhecia muito bem, “conhecia sua crueldade, sua infidelidade, sabia como ele era rude, como sua língua era impiedosa, e conhecia a violência das costas de sua mão”.
Nunca tinha ficado tanto tempo fora e por volta das quatro horas, três homens entraram em casa trazendo-o desacordado. Ela quis saber o que acontecera e eles disseram que ele caíra do cavalo pela manhã e não recobrara os sentidos a não ser uma vez. Ela mandou chamar o médico que fez uma sangria e aplicou-lhe ventosas, por conseguinte, mandou chamar o irmão, mas este não nutria nenhum apreço por ele, pelo contrário, sempre fora apaixonado pela cunhada.
Haversham vendo a oportunidade, depois de um conhaque, propôs uma fuga com Sarah, mas ela repeliu o cunhado dizendo que ele era casado e tinha quatro filhas para criar, foi então que pela primeira vez, sem se importar com o que acontecesse e se viveria ou não o marido, ela pensou em fugir.
Não é fácil contar duas histórias em apenas uma, mas foi isso que Danielle Steel fez, para saber mais é preciso ler o livro.

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