Itaúna, 19 de junho de 2018

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19 de maio de 2018 às 07h00 - Atualizado: 16 de junho de 2018 às 10h49

O exercício do xadrez

O título acima já foi usado nesse espaço há cerca de 8 anos, mas vale agora, pois vivemos uma situação parecida, resguardadas as proporções. Na época do governo Eugênio, os motivos eram quase sempre a inexperiência política e os objetivos, nem sempre canônicos, do então prefeito e sua turma. Mas o fato é que o xadrez é um jogo onde a inteligência é exercitada de forma constante. E na política não é diferente, o jogo, às vezes, diferentemente do xadrez, é sujo, mas na maioria das vezes é mesmo de inteligência, e também, como no xadrez, não pode ser jogado sem que se pense. Não pode haver pressa, pois os resultados podem não ser os pretendidos. E isso está ficando evidente, e fica mais para toda a população quando esse governo que aí está tenta reorganizar as coisas para se sustentar politicamente e tentar melhorar a sua imagem, já bastante desgastada, perante todo o povo.
Se bem conhecemos o prefeito, as escolhas dos nomes para compor o seu governo foi exclusivamente sua, sem troca de ideias. Mas achamos também que as mesmas foram feitas por pura falta de opção. Como sabemos, o prefeito nunca teve grupo político, e sim uma turma que o acompanhava. Somado a isso, ainda fez acordos mirabolantes e, hoje sabemos, desnecessários para se eleger. Deve se arrepender amargamente disso. Como já frisamos em editoriais anteriores, o governo do Senhor Neider está composto por uma “turma” de incompetentes que não tem conhecimento da máquina pública e traquejo para gerir, e muito menos conhecimento político para lidar com o cidadão nas suas pretensões. O resultado é um governo caótico, capenga e sem rumo. Nada funciona e sequer os serviços mais simples estão sendo feitos de forma satisfatória, a reclamação é geral. Em resumo, os nomes que compõem o governo, em sua grande maioria, não reúnem as condições políticas necessárias ao cargo. E, além disso, Neider convive diariamente com outro grave problema, tem que cumprir os compromissos políticos com os apoiadores, dentre eles, com os prestadores de serviços. Não tem como apenas deixar de olhar para trás, pois recebeu favores e agora tem que pagá-los. Então, fatalmente teremos o aumento da passagem do transporte coletivo e vem aí o aumento na fatura de água. Esse, ao que parece, não foi por causa de compromissos, mas porque o custo da autarquia SAAE já está nas alturas e é preciso fazer a recomposição. Será máquina inchada? Só pode.
A conclusão é a de que Neider está em uma situação de fato delicada, pois, além dos problemas administrativos, tem os problemas políticos. O relacionamento com a Câmara é péssimo no momento. Ele não tem um líder, diríamos, “com P maiúsculo” e com condições políticas para articular. E se ele perde a maioria, o que está prestes a acontecer, e diríamos que ele não a tem de fato, ele não vai conseguir é governar em nenhuma hipótese, porque governar com tranquilidade ele já não consegue. O prefeito vai ter que fazer concessões que convençam os vereadores de oposição a, pelo menos, ouvir e também abrir concessões. Neider tem que levar em conta também que não fez até aqui um mandato plausível e que a população já está dando o recado nas ruas. E se a coisa continuar como está, não será fácil buscar para seu lado novamente pessoas sérias que lhe atribuíram o voto, num crédito de confiança.
Somado a tudo isso, há as pretensões de novos políticos, a vontade de alguns vereadores em ser firmar como políticos, e subir um degrau. Mas, entre todas as dificuldades, está a desconfiança da maioria do povo, que não viu em 18 meses muita coisa acontecer e as promessas não serem cumpridas. Não será fácil convencer o povo de que as intenções são boas e, se conseguir convencer, vai ter que mostrar na prática, porque de “papo furado” a população está cansada. Para quem começou o mandato anunciando que tem parceiros políticos como alguns desajustados e despreparados que estão ocupando cargos de secretários e de segundo escalão – e os mantém até aqui –, esta situação não é apenas delicada, mas é uma situação em que se emprega o ditado: se ficar o bicho pega e se correr... pode cair no colo dos parceiros. E aí pode ser que o chão não seja o limite. É esperar para ver.

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