Itaúna, 18 de março de 2019

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12 de janeiro de 2019 às 07h00 - Atualizado: 02 de fevereiro de 2019 às 10h57

Minhas histórias com Dom José Belvino...

No ano 2001 nossa veneranda Paróquia Sant’ana de Itaúna completava os seus 160 anos de existência - junto com o centenário de nossa querida Itaúna. Estava eu na coordenação dos festejos paroquiais. O pároco era o Revmo. Pe. Amarildo - que me dava carta branca para organizar, pois confiava muito em mim. Tive a ideia de convidar o nosso então Bispo Diocesano, Dom José Belvino do Nascimento, para oficiar um solene Te Deum laudamos e a missa cantada (tudo em latim) na Igreja do Rosário - pois aí fora a nossa primeira Igreja Matriz de Sant’ana. Pois bem. Liguei para o Dom Belvino... Ele, com aquele jeitão escarrapachado, logo foi me avisando sobre diversas coisas: “Ô, Luiz, presta atenção: o côro daí sabe cantar esses trem tudo? Sabe respondê o Te Deum? E a Missa?”. “Sim, Dom José, estamos ensaiando há tempos e temos gente aqui que cantou muito latinório antigamente”. Pois bem. 7 de abril de 2001. Tudo muito bem preparado. Igreja do Rosário muitíssimo bem ornamentada. Arrumei até umas casulas romanas antigas - do Revmo. Pe. Zé Netto para o Dom Belvino, o Pe. Amarildo, o Pe. Nilo e o Pe. Gilmar usarem (este último cantou o Te Deum). Côro João XXIII, com a Nycia d’Áuria no comando: Banda de Música “Nossa Senhora Aparecida” sob a batuta do Maestro Fidélis. Até o órgão da Matriz de Sant’ana levamos para o côro do Rosário. Reunimos coral e banda para o Hino Nacional Brasileiro na hora da elevação da hóstia... No dia, a Paróquia estava recebendo a visita da réplica da cruz da Primeira Missa no Brasil. Tudo uma beleza. Escalei até a Dona Gilka Drumond de Faria para a primeira leitura e o Prof. Marco Elísio para participar também. Dom José Belvino trouxe uma estola antiga usada pelo Revmo. Pe. Libério. Na hora, resolveu que a Missa seria “de costas” ou “Versum Deum” como no rito antigo de Pio V... Eu providenciei um Missal muito antigo, grossão, que tinha sido da capela do Hospital velho. Não me recordo a hora de início - mas tenho tudo guardado por aqui. O Te Deum seria à tardinha. Tipo 15h, subi para o Rosário e eis que chega o Dom Belvino. Apeou do carro e veio com tudo pra cima de mim: “Ô, Luiz! Que conversa é essa de Te Deum e Missa Solene em seguida? E meus outros compromissos? Ahhh menino!”... E eu, mais branco que papel chamex: “Uai, Dom José, nós combinamos tudo pelo telefone aquele dia... O Te Deum é do Pe. João Baptista”... “Lehman”- ele completou em alta voz... Ele franziu a testa e não me deu mais atenção. Fez um super sermão sobre a nossa História e a devoção à Sant’ana - por mais de 50 minutos!!! Ao fim de tudo, ele me fuzilou com os olhos na sacristia do Rosário e falou: “dá os parabéns pro coral... vocês cantaram uma beleza!”E deu o seu famoso: “hã”...” E eu ri bem baixinho...

Prof. Luiz Mascarenhas - Réquiem para o Padre Nilo

ITAÚNA amanheceu mais pobre em seu cenário humano na manhã cinzenta do sábado, dia 12 de março do corrente ano. Partia para a eternidade o nosso tão querido Pe. Nilo.
Deixo aqui, a minha pequena contribuição sobre a Vida deste homem, com quem convivi desde a minha infância. Lembro-me bem da calça adidas, com as três listras, a camisa de malha branca, os tênis e um fusquinha que não me lembro bem a cor.
Todos os alunos postos em fila na linha vermelha da quadra e em silêncio. Seis horas da manhã. O relógio da Matriz de Sant’ana ecoava por toda a Itaúna a sua primeira badalada. E ele começava sua aula de Educação Física: “o anjo do Senhor anunciou a Maria...”
Nilo Caetano Pinto nasceu no distrito de Antônio dos Santos, em Caeté, Minas Gerais, em 24 de março de 1930. Era o filho mais velho de Carlito Caetano Pinto e Antônia Luiza Dinis e teve mais seis irmãos. Órfão de pai aos 11 anos, começou a trabalhar para ajudar em casa, sem deixar de lado os estudos, que seguiu até graduar-se em Educação Física pela UFMG.
Chegou em nossas barrancas ( graças a uma indicação do Cel. José Lázaro Guimarães- cunhado do Dr. Guaracy), já casado com Florescena Diniz Guimarães Pinto e tiveram teve oito filhos, dos quais conheceu 12 netos e um bisneto.
O nosso então Prof. Nilo lecionou na Escola Normal, a Escola Estadual de Itaúna, por 34 anos, como professor e vice-diretor. No Colégio Santa’Ana ficou durante 26 anos.
Nilo sempre foi um homem de Fé. Sempre engajado nos movimentos da Igreja. Ajudava com sua Família na Igreja da Piedade e na comunidade Sagrada Família do Bairro Cerqueira Lima, pois residia naquela região.
Em 1982, dona Florescena, sua esposa, veio a falecer. E aos 52 anos, ainda criando os filhos, resolveu dizer sim ao chamado desse Deus. Assim sendo, encaminhou-lhe Dom Cristiano Penna para a Faculdade de Teologia, da PUC Minas, em Belo Horizonte. Foi ordenado padre por Dom José Belvino do Nascimento, aqui em Itaúna no ano de 1990, no Poliesportivo JK.
Muitos o chamavam de “o homem dos 7 sacramentos”. Para nós católicos, os sacramentos são sinais visíveis da graça de Deus. São veículos dessa graça. E a maioria dos homens parte deste mundo com 6 sacramentos; pois ou se tem o sacramento do matrimônio ou o da Ordem ( que confere o sacerdócio católico).
Pois bem. O nosso Pe. Nilo partiu daqui na plenitude da graça! Com todos os 7 sacramentos! O último foi-lhe ministrado no leito do hospital, a unção dos enfermos, que o preparou para ir de encontro a Deus.
Em meio a tantas crises; eis o exemplo de Padre Nilo para nós. Exemplo de pai, de padre, de fidelidade, à Deus, à sua Palavra sobretudo. Enquanto esposo, honrou plenamente seu casamento sendo-lhe fiel até a morte de sua esposa. Enquanto padre, honrou plenamente o seu sacerdócio, sendo-lhe eternamente fiel. Enquanto homem, honrou plenamente a espécie humana, sendo humano com os humanos!
Descanse em Paz meu Pe. Nilo. Recebe agora a coroa da Justiça, a qual o Senhor, Justo Juiz, lhe deu naquele dia!
Misture sua luz a das estrelas...cintile quando o dia clarear.
Réquiem aeternam dona eis Domine, et lux perpetua luceat eis.

*paroquiano de Sant’ana

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