Itaúna, 30 de abril de 2017

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17 de fevereiro de 2018 às 07h00

Meio Rei

Tenho procurado ler livros variados e de quando em vez sou surpreendido por algo que não era de fato esperado, principalmente porque o tema é voltado para aventura e fantasia.
Isto aconteceu com este livro de Joe Abercrombie, estava apenas fazendo uma leitura de entretenimento, não tinha outro objetivo em mente. No entanto, deparei com um livro bem construído, personagens estruturados e psicologicamente em transição.
O autor não é mais um iniciante ou desconhecido, tem feito bastante sucesso, mas eu não o conhecia, nunca tinha lido qualquer de seus livros. Devo confessar que tenho certa aversão a livros em série, talvez porque não goste de novelas como as globais que se arrastam infinitamente de acordo com o IBOPE, da mesma forma que não gosto de séries da TV americana, que têm aquele gosto de enlatado a ser comercializado por pacotes.
Enfim, o autor me pegou desprevenido, é de fato um escritor de peso, não posso dizer se vai manter a pegada, nem sei dizer se as demais obras da série me soarão previsíveis no futuro, todavia a trilogia MAR DESPEDAÇADO teve início espetacular e me fará ler a sequência.
Curioso investiguei, na internet, o Sr. Joe Abercrombie e descobri se tratar de um escritor britânico, autor de outra série de fantasia famosa, a trilogia A PRIMEIRA LEI. Formado em psicologia, daí seus personagens serem psicologicamente interessantes e o livro ser em alguns momentos reflexivo.
Mar despedaçado é um mar encapsulado por terras divididas e governadas por reis semi-independentes, ou seja, de soberania limitada e autonomia irrestrita, porque todos estão sujeitos ao rei supremo de Skekenhouse.
Existem animosidades entre os reinos pertencentes a esta aliança e um fio tênue que mantém a paz, que mais parece uma trégua, entre eles.
Yarvi é filho do Rei Uthrik, o segundo na linha sucessória do trono negro, porém fadado a nunca, jamais, assentar-se nele, porque num reino como Gettland não há espaço para imperfeições e ele nascera com uma deficiência na mão esquerda.
Era maneta, tinha na verdade um cotoco na extremidade do antebraço esquerdo de onde saiam dois dedos em lados opostos que mais parecia protuberâncias disformes, o que aumentava seu desconforto.
Crescera sabendo de tudo e de todos que não poderia assumir ou pretender ser algum dia o rei.
Confrontara o problema diversas vezes, mas nada o machucava mais do que a opinião do pai que incisivamente deixava claro sua condição e que somente um na casa real preenchia os requisitos para ser rei após sua partida e esse era seu irmão.
Certa vez Yarvi disse ao pai: “Eu não pedi para ter meia mão” tendo recebido como resposta: “e eu não pedi para ter um meio filho”.
Sendo em princípio este o tema central do livro, tudo começa com o impossível, Yarvi já conformado com seu estado, deixado aos cuidados de Mãe Grundring, responsável por fazer dele um futuro ministro, recebe a notícia de que seu pai e seu irmão foram vítimas de uma emboscada e ele é aguardado para comparecer ao funeral.
O livro inicia assim: “SOPRAVA UM VENTO FORTE, na noite em que Yarvi descobriu que era rei. Ou pelo menos meio rei.”.
A vida é uma peça não ensaiada, as coisas acontecem e seguem sem premeditação ou arranjos, quem diria... YARVI agora é o rei de Gettland.
Surpreso e aturdido não administra bem a mudança de seu “status quo”, não consegue se imaginar um rei, não tinha querido aquilo ainda mais daquela forma.
Sabendo que eles foram fazer um acordo de paz com o rei de VANSTERLAND, Grom-Gil - Gorn, o novo rei de Gettland, Yarvi, faz um juramento de vingança contra os assassinos de seu pai e de seu irmão.
Refletindo sobre seu juramento afirmou para si mesmo que: “Jurei vingar a morte do meu pai. Posso até ser meio homem, mas sou capaz de fazer um juramento por inteiro”.
Começa assim, a jornada do novo rei de Gettland e você se surpreenderá com o desenrolar da história. Espero que, lhe tenha passado a ideia da obra, mas me interesso mesmo é que você a leia. Boa sorte será uma viagem inesquecível.

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