Itaúna, 14 de dezembro de 2017

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18 de novembro de 2017 às 07h00 - Atualizado: 09 de dezembro de 2017 às 10h10

Martini Seco

Fernando Sabino

Aos amantes da novela policial, temos aqui um ótimo exemplar. O escritor é mineiro da gema, nascido em Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais. Trata-se de uma novela policial curtíssima, aproximadamente 60 páginas e a edição que li, tinha letras grandes, portanto, de fácil leitura. É o tipo de obra que recomendaria para quem não está habituado a ler e quer adquirir o hábito da leitura.
Sequer tinha ideia de que Fernando Sabino, algum dia, tivesse se aventurado a escrever uma história policial, mas lendo uma entrevista dada por ele à Editora Ática, surpreendentemente, revelou que, ouvira de um delegado amigo seu uma história ocorrida numa delegacia do Rio e depois disso não mais conseguiu tirá-la da cabeça, obrigando-o a escrever a novela em questão. Depois foi reescrita para o teatro, foi encenada várias vezes. Assim, não se trata de uma obra qualquer, e não se deixe enganar pelo tamanho da mesma, porque é um exercício memorável de boa escrita.
1962. Não sei por que, mas tenho lido muitos livros que me remontam ao meu nascimento.“Um homem e uma mulher entraram num bar, sentaram-se e pediram um Martini seco. Enquanto o garçom os servia, ela foi ao telefone, ele foi ao toalete. Quando regressaram, ao tomar a bebida, a mulher caiu fulminada.”
Assim começa tudo. O comissário Serpa está jogando um carteado com seus subordinados, quando é surpreendido pelo guarda Fortunato, dizendo que uma mulher o espera para fazer uma queixa. O comissário diz para ele mesmo atender. O guarda responde que ela só vai falar com o comissário e que insiste em ser atendida por ele.
Contrariado, o comissário manda entrar a mulher. Ela diz se chamar MARIA MIRAGLIA e que queria fazer uma queixa contra seu marido AMADEU MIRAGLIA. O comissário não mostra muito interesse até ela dizer que estava sendo ameaçada de morte e que o marido, há cinco anos, havia matado a ex-mulher envenenada e que, certamente, pelo que vinha insinuando, também a envenenaria com estricnina, como fez com a outra. Irritada com a incredulidade do comissário, Maria levanta-se de brusco e aos berros diz:
- Comissário, Amadeu Miraglia é um assassino. Serpa olhou as cartas de baralho e gritou:
Fortunato! Avise o pessoal para continuar sem mim. Quando ela terminou de contar a história, o comissário chamou o escrivão Motinha para ele redigir a queixa. Motinha lembrava-se do caso, mas não com detalhes. Assim, despediu o escrivão e mandou chamar o Bira, que acompanhou o imbróglio todo na época, que lhe relatou ter o garçom vindo, na oportunidade, na delegacia e informado o falecimento da mulher no bar.
O tal Amadeu foi interrogado e confessou tudinho.
No entanto, no júri, alegou ser inocente e que tinham trabalhado nele na delegacia, então foi absolvido por falta de provas. Serpa não ficou satisfeito e indagou se de fato não tinham dado nele até confessar, mas o Bira foi categórico - nós mal pusemos às mãos nele, doutor. O sujeito é mesmo escorregadio, pode ter certeza.
Caro amigo leitor, você vai se surpreender com a narrativa célere e contundente. Vai gostar e muito dos diálogos inteligentes e precisos e, por fim, vai amar Fernando Sabino pelo presente que nos deu e se tivermos que brindar, não o faremos com Martini seco, mas o faremos ainda que com água, a todos os bons ESCRITORES de nossa terra.
Até a próxima.

Itaúna (MG), 17 de novembro de 2017.

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