Itaúna, 14 de agosto de 2018

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07 de abril de 2018 às 07h00 - Atualizado: 05 de maio de 2018 às 09h58

Marco Elísio

Perde a sociedade, perde a família, perde a Igreja – perdemos nós – para ser concisos – um homem justo, honesto, culto, prestante e obediente às leis do Senhor.
Professor em vários estabelecimentos de ensino, foi Secretário de Educação, ministro da eucaristia, fervoroso devoto da Virgem Maria. Foi defensor da Ecologia e Teologia, autor de várias obras referentes a esses temas.
Criticado por seu idealismo, sentiu amargura no espírito, que logo venceu; a santidade de seu caráter expulsou dele o que era, de verdade, inveja de sua virtude.
Casado com Vera Lúcia Amaral Coutinho, são filhos do casal, Ana Cristina, Alexandre, Deborah e Luciana, família exemplar e temente a Deus.
Marco Elísio veio do casal Dr. Coutinho – Prof.ª. Nair Chaves Coutinho. Desse tronco, nasceram 9 filhos que herdaram excelentes atributos, para mim, uma família inigualável. Seu chefe teve inédita conduta em defesa de minha família; assumiu o risco de morrer.
Em 1945, circulou o boato do término da guerra, com a derrota da Alemanha, e um populacho tentava quebrar as vidraças e as janelas de nossa casa, como ocorria em todo o país contra os admiradores do ”Eixo”. Meu pai, como várias pessoas de escol da cidade, foi germanófilo, até a entrada do Brasil na guerra. Só por isso.
Toda recolhida à cama, a família não se deu conta do iminente arrombamento, e o Dr. Coutinho surgiu não se sabe de onde, subiu no degrauzinho da casa e, com palavras, mandou que o bando se desfizesse. Vão para casa, aqui moram um casal de idosos, sete mulheres e um menino, que nada devem à lei.
Eu sabia onde estava o revólver de meu pai, pela fresta da janela reconhecia duas caras na multidão, cheguei a armar o gatilho, o Espírito Santo me fez desistir.
A turba começou a retirar-se, vagarosamente. Então, o Dr. Coutinho começou a descer a Rua Silva Jardim; mas antes que virasse à esquerda, olhou para trás e viu que uma procissão o acompanhava.
Ele, foi, apressou os passos, abriu o portãozinho de madeira de sua casa, justo quando um desordeiro estava pertinho do meio-fio. Nesta hora, com a luz da lua, o arruaceiro e todos entreviram alguém postado no escuro do portão, com reluzente carabina e ouviram uma voz dizer: ------ quem puser o pé no meio- fio, está morto, são 12 tiros e não me importa morrer. A multidão foi-se afastando.
Nunca se soube quem foi o atirador, é um segredo que o Dr. Helênio, falecido e filho mais velho do Dr. Coutinho, contou-me com reserva. Um dos dois chefes que eu havia mirado, uns dez anos depois foi residir na pensão em que eu morava!
Dois irmãos de Marco Elísio, Juarez e Evandro foram meus colegas no Colégio Sant’Ana e nos formamos em 1948, 1ª turma. Jogávamos futebol no quintal da sua casa, mas, antes, eu e o colega Milton Santiago líamos livros da biblioteca do pai.
Em face da admirável biografia de Marco Elísio, escrita pelo professor Luiz Mascarenhas e aqui publicada, só nos restam prestar estar homenagem ao falecido e a certeza que a fé e a obra dele o levaram à bem-aventurança.

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